
Este ano, por razões várias, passo o Natal no Sul do Midlewest dos Estados Unidos, mais precisamente em Oklahoma. O governo estadual tem um programa de apoio aos seus prisioneiros, em que as pessoas podem enviar cartões de Natal e mesmo alguns presentes, em especial àqueles detidos que não recebem a visita de ninguém, nem cartas, nem nada.
Como minha irmã decidiu este ano envolver-se no programa, ao ponto de dizer que a nossa participação nesse projecto era o único presente de Natal que queria, também me envolvi. Afinal, estando eu cá fora, livre, de saúde e até com algum dinheiro, é o mínimo que poderia fazer por alguém que hoje sofre, não me interessando para nada as razões pelas quais foi encarcerado. O meu inglês não é muito famoso, pelo que pedi a minha irmã, nascida americana, que me ajudasse e dando-lhe algumas instruções básicas, e dei-lhe 'carta branca' para actuar. Deste modo, em meu nome e a meu pedido, mandou um cartão de Natal para um dos detidos no 'Mc Leod Correctional Center'.
Ontem à noite, um outro prisioneiro, o nosso contacto de lá de dentro, telefonou-nos e contou-nos que o destinatário do meu cartão de Natal, fora ter com ele emocionado e disse-lhe: 'Deus me abençoou este Natal. Um homem de Portugal, que não me conhece sequer, enviou-me um cartão de Natal. Deus o dirigiu para me abençoar e eu poder receber este cartão antes do ano acabar'. Este prisioneiro, desde que está encarcerado, nunca recebeu nenhuma carta dos familiares ou amigos. Este pequeno e simples cartão foi o seu presente de Natal. O melhor de todos.
Este é o ministério cristão por excelência. Não se trata de gritar aos sete-ventos que a minha igreja é melhor que a do meu vizinho, ou que a minha maneira de me aproximar de Deus é melhor que a maneira de se aproximar de Deus do meu vizinho, que nem é cristão. Trata-se simplesmente de fazer a vontade de Deus: 'Estava na prisão e me visitaste' (Mateus 25, 34-36)






