
Temer ao Senhor,
é o princípio da Sabedoria
(Salmo 111, 10)
Conheço muitas pessoas que são ateias.
Conheço muitas pessoas que são agnósticas.
Conheço muitas pessoas que sob a citação de Karl Marx, "A Religião é o ópio do povo", são abertamente antagónicas à religião e à Igreja. Estas pessoas acusam a religião de ser alienante, e a igreja de usar a religião como instrumento para manipular as pessoas, ao serviço das elites detentoras do poder humano.
E ler este salmo, "Temer ao Senhor é o princípio da Sabedoria", parece confirmar as opiniões destas pessoas: Meter medo é a chave para se alcançar qualquer coisa.
Mas o que é este temer a Deus, cantado pelo salmista? É ter pânico de Deus, fugir Dele?
Quem sofreu a cruel perseguição dos homens, pela guerra, pela tortura, pelo abuso de toda a natureza, agredido até aos limites da sobrevivência, sabe o que é ter medo, um sentimento que nos leva à fuga. Mas este medo do sofrimento, da morte, não é o medo a Deus referido pelo salmista.
Deus não amedronta ninguém, não vem atrás de nós de forma vingativa e gratuita. Deus não nos quer afastar, mas sim atrair a Ele. Deus apenas quer que, o respeitando, cumpramos a Sua Vontade. E a Sua Vontade é a da concórdia e do amor fraterno entre as pessoas. Este temer ao Senhor, não é ter medo de Deus, mas sim O respeitar e respeitar a Sua Vontade, expressa através do ministério de Seu Filho, Jesus. É amar Deus e confiar a nossa vida nas Suas Mãos.
S. Paulo, na sua 1ª Carta aos Coríntios, 6, 12, refere: "Tudo me é permitido, nem tudo me é conveniente". Há pois, aqui, uma sabedoria, a sabedoria de saber escolher que é bom para cada um de nós, sem nos deixarmos dominar. Porque, é o que não me é conveniente que me pode dominar, escravizar, isso sim, alienar.
E esta sabedoria começa, justamente, pelo respeito para com Deus e a Sua Vontade.
Temer ao Senhor, no sentido de, segundo escreveu S. Hilário, haver uma preocupação de não contrariar o dom do amor é então a chave para a verdadeira libertação: a libertação do Espírito e a libertação da "morte segunda", a que se referia S. Francisco, no "Cântico das Criaturas":
Louvado sejas, meu Senhor,
Por nossa irmã a Morte corporal,
Da qual homem algum pode escapar.
Ai dos que morrerem em pecado mortal!
Felizes os que ela achar
Conformes à tua santíssima vontade,
Porque a morte segunda não lhes fará mal!






