sexta-feira, 30 de maio de 2008

Não apenas a Fé, mas também as obras


(GIOVANNI DI PAOLO (1395/1400 CA - 1482) TÊMPERA SOBRE MADEIRA - PINACOTECA DOS MUSEUS DO VATICANO)
'Não são os que têm saúde que precisam de médico mas sim os doentes' (Mat. 9. 12)
Como cristãos empenhados na Palavra não podemos fazer 'ouvidos de mercador' àqueles nossos irmãos que sofrem, estejam ou não na Fé.
Aos irmãos que estão na Fé, muitas são os momentos de vacilar, da tentação, as quedas na dúvida.
Jesus, o próprio Jesus, no Jardim das Oliveiras, antes de ser entregue e quando se retirou para orar, reflectiu essa angústia de evitar o sofrimento, esse vacilação: 'Meu Pai, se é possível passe de mim este cálice' (Mat. 26 39). Mas ao mesmo tempo, mostra a confiança no Pai, mesmo sabendo que ia ser entregue e morto no maior dos sofrimentos e da forma mais vil para a época, que era ser crucificado, porque logo a seguir, Jesus resigna-se: 'Todavia, não seja como Eu quero, mas como Tu queres'.
Enquanto isso, os três discípulos que O acompanharam, entre os quais Pedro, estão dormindo. E Jesus recomenda "Vigiai e orai para não cairdes em tentação, porque a carne é fraca' (Mat. 26. 41).
Queremos estar na Fé, queremos ser amigos de Deus, mas a carne é fraca, a natureza humana, por si só é fraca. Por isso, não podemos nunca desarmar e como Jesus disse, essa melhor maneira é vigiar e orar. Porque 'o diabo, vosso adversário, anda ao redor de vós, como um leão que ruge, buscando a quem devorar' (1 Ped. 5. 8)

Por isso, mesmo os irmãos na Fé precisam dessa cura da Palavra de Deus, para se manterem fortes contra os arremessos do demónio que não cessam, sobretudo nos primeiros tempos da conversão e até que o Espírito de Deus esteja bem enraizado em nossas almas.

Mas temos também os nossos irmãos que não estão na Fé. Foi especialmente para esses que Cristo veio e deixou a Sua Palavra. São esses que mais precisam de encontrar a Cristo, de encontrarem o caminho da Libertação e da Salvação. E também são esses que mais precisam de serem ajudados pelos outros irmãos, para que não duvidem, não se deixem ir abaixo quando encontrarem as primeiras contrariedades, porque o caminho de Deus é estreito e difícil (Mat. 7.13). Tornar-se-á fácil, no entanto, mas só à medida que crescer a nossa fé, confiança e gratidão para com o Senhor. É um caminhar de passos pequenos, de pequenas vitórias e por vezes grandes derrotas para a nossa vontade puramente humana, porque 'Pedi e dar-se-vos-á; procurai e encontrareis; batei e abrir-se-á' (Mat. 7. 7-8).
Pregar a palavra, mostrar a Fé. Mas mostrar essa Fé, não somente através das Orações , mas dos actos. 'Nem todo o que Me diz: Senhor, Senhor, entrará no reino dos Céus, mas sim aquele que faz a vontade de Meu Pai que está nos Céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não foi em Teu nome que profetizámos, em Teu nome que expulsámos os demónios e em Teu nome que fizemos muitos milagres? E, então, dir-lhes-ei Nunca vos conheci; afastai-vos de Mim, vós que praticais a iniquidade' (Mat. 7. 21-23).
E que iniquidade é esta? Muitas vezes a falta da Misericórdia e de gratidão. Só a Fé, não basta. Ela tem de ser completada com as boas obras, com as discretas obras plenas de Amor pelo próximo, como o Senhor tem de amor por nós.
Lembremo-nos das Palavras: 'Vinde a mim todos os que estais cansados e oprimidos, e aliviar-vos-ei. Tomai sobre vós oMeu jugo, e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração, e achareis alívio para as vossas almas, pois o Meu jugo é suave e o Meu fardo é leve' (Mat.12. 28-30). E deixemo-nos ser o instrumento d'Ele, através das obras de Misericórdia, para levarmos a Palavra a quem dela mais precisa.

Que o Espírito Santo vos ilumine no dia de hoje e guie nas vossas acções.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Depressão


Hoje a depressão é uma das doenças mais expandidas pela humanidade. Certamente que há factores físicos que contribuem para isso e os remédios anti-depressivos são como 'emergências' para aliviar os sintomas. Mas esses remédios, por si só, não curam. Aliviam os sintomas mas não mudam as causas.


A depressão, de um ponto de vista mais espiritual é também um trabalho do demónio para, com o pessimismo e o desalento que assola a pessoa, a levar à descrença, à falta de confiança e da fé e, assim, a afastar de Deus, porque Deus é confiança.

'Pois o inimigo me tem perseguido a alma; tem arrojado por terra a minha vida; tem-me feito habitar na escuridão, como aqueles que morreram há muito.
Por isso, dentro de mim esmorece o meu espírito, e o coração se vê turbado. (Salmo 143. 3-4)



Emocionalmente, a depressão resulta também de pedirmos ou de nos ser pedido sem espírito de gratidão. Na nossa infância e, depois, na adolescência, somos educados com vista a expectativas muitas altas. Se eu sou camponês, quero o meu filho operário. Se sou operário, quero o meu filho administrativo, se sou administrativo, quero o meu filho administrador. E hoje, com todas as facilidades, frequentemente passamos de uma etapa muito baixa para uma muito alta. Não quero dizer que o filho do camponês não possa ser um administrador, tem todo o direito e liberdade de o ser, mas para isso, ele também precisa de estar devidamente preparado e saber enfrentar a longa jornada de luta que terá pela frente. E na maioria das vezes não está preparado. Tem o sonho, mas não tem sequer as ferramentas para alcançar esse sonho. E as ferramentas não é só o conhecimento, mas também a força de carácter e de vontade para atingir os seus objectivos.



Com frequência colocamos as fasquias muito altas e criamos mundos de sonho, que confrontados com a realidade, tornam-se impossíveis de realizar. Perante estes dois mundos tão diferentes: o que humanamente nos foi prometido e o que humanamente não conseguimos alcançar, instala-se, então a revolta, a inveja em relação aos que consideramos bem-sucedidos na vida e nos sentimos miseráveis, deixando destruir a nossa alto-estima. E esse é o campo propício para o demónio semear as suas sementes do mal: a murmuração, as discórdias, os actos para prejudicar o outro, na ilusão de que, o prejudicando, estou trazendo vantagem para mim.



Na realidade, somos educados a exigir muito da sociedade e de nós mesmos, mas sem espírito de gratidão. Valoriza-se o alcance do objectivo final e se tal não for possível, somos encarados como fracassos. E é a falta de gratidão que impede de vermos os progressos que vamos tendo ao longo da nossa vida. Progressos que podem parecer pequenos, mas que são, na realidade cada humilde tijolo de que se faz a grande construção. E valorando cada tijolo, e o seguinte, e o seguinte ainda, por aí fora, quando damos por isso estamos valorizando o edifício inteiro. Porque valorizando cada pequena parte, estamos caminhando para um todo, ao mesmo tempo que vamos libertando a nossa alma dos impecilhos que levam a ver as coisas de forma negativa e construimos a esperança e a visão positiva e de confiança que Deus deseja que nós tenhamos.

Recentemente passei por dificuldades e senti-me como canta o salmista no referido Salmo 143. Mas também Deus me inspirou a fazer o que se segue no resto do mesmo salmo:

'Lembro-me dos dias de outrora, penso em todos os teus feitos e considero nas obras das tuas mãos.
A ti levanto as mãos; a minha alma anseia por ti, como terra sedenta.
Dá-te pressa, Senhor, em responder-me: o espírito me desfalece; não me escondas a tua face, para que eu não me torne como os que baixam à cova.
Faz-me ouvir, pela manhã, da tua graça, pois em ti confio; mostra-me o caminho por onde devo andar, porque a ti elevo a minha alma.
Livra-me, Senhor, dos meus inimigos; pois é em ti que me refugio.
Ensina-me a fazer a tua vontade, pois tu és o meu Deus; guie-me o teu bom Espírito por terreno plano'. (Salmo 143. 5-10).

Ao mesmo tempo que orava a pedir forças e protecção da Deus, me sentia em gratidão. Gratidão porque sabia que Ele não me abandonava e por cada dia que eu conseguia ultrapassar, sem me ir mais abaixo. Em gratidão por todos os meus colegas que Ele colocou no meu caminho e se revelaram verdadeiros amigos: solidários e me ajudando em palavras e actos. Gratidão para com os meus colegas, mas também para com Deus por em cada dia, me colocar a meu lado estes 'anjos da guarda', de coração generoso para me auxiliarem.
Em gratidão por me sentir guardado por Deus e antecipadamente ter a confiança de que Ele escutaria a minha oração, a minha angústia, apesar dos meus muitos pecados. Confiança de que a Sua Misericórdia é maior que a sua Ira e Ele sabe de quanto estou arrependido do que pequei e por isso me ajuda para o meu bem, mesmo que de momento eu não entenda.


Ao longo das leituras bíblicas, pela inspiração do Espírito Santo, Deus foi reforçando a minha esperança, a força da alma para me manter firme na provação. Sei que ainda me espera um longo caminho e mil cuidados, mas 'tomei o gosto' a sentir-me junto de Deus, a escutar, pelo menos diariamente, a Sua Palavra, quer pela leitura bíblica, quer pelas 'inspirações' que assolam o meu espírito, quando oro e me entrego nas Suas Mãos, como um menino se confia nos braços de sua mãe.
Este é o meu testemunho de hoje.

Paz e Fé em vossos corações, que a Alegria virá naturalmente por acréscimo.

Espírito de gratidão

(Direitos reservados - aabaran)
‘Não se aflijam com coisa nenhuma, mas em todas as orações peçam a Deus o que precisam, com espírito de gratidão’. (Filipenses 4. 6).

Pedir. A maioria das vezes que oramos a Deus é para Lhe perdi algo: uma ajuda numa dificuldade, forçar para enfrentarmos no nosso dia-a-dia, que nos torne melhores pessoas, que nos livre dos males e doenças, que nos cure, enfim, toda uma imensidão de coisas. E está certo, porque Deus e seu filho Jesus, estão para acudir àqueles que mais necessidade têm. Não se vai ao médico quando se está bom, mas quando está doente. No entanto, melhor do que cair na doença é prevenir. Por isso que, mesmo sem necessidade de nada em específico é bom orar, por hábito a Deus.
A vida terrena de Jesus está cheia de exemplos em como ele veio para estar com os mais necessitados: os desprezados, muitas vezes os mais pecadores aos olhos de todos – porque são esses que, mais do que ninguém, precisam de encontrar o caminho da Salvação – , e com os que sofrem.
É evidente que todos precisamos de viajar nos caminhos de Deus, mas também sabemos, e isto sem sentido crítico, que há irmãos nossos que precisam de uma maior atenção de Deus e de nós mesmos, nem que seja através das nossas orações por eles.
E foi para todos estes ‘enjeitados’, que precisam de um consolo, de se converterem, que Jesus deixou uma atenção especial na Sua Palavra.

Pedimos e está certo pedirmos a Deus, porque Ele quer ouvir os nossos pedidos, para nos responder em pleno espírito de misericórdia. Está certo pedirmos da Deus, através de Jesus, porque é uma forma dos nossos espíritos e das nossas almas estarem mais perto d’Ele.

Mas, quantos de nós pedimos com ‘espírito de gratidão’, como o apóstolo Paulo recomenda na carta aos Filipenses?
E o que é pedir com espírito de gratidão?
Paulo acrescenta nas recomendações aos Filipenses: ‘E a paz de Deus, que vai mais além do que nós podemos entender, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em união com Cristo Jesus’ (Filp. 4. 7).
Então, antes do mais, pedir com espírito de gratidão é pedir com confiança em Deus, com confiança na Palavra de Jesus: “Pedi e vos será concedido”. É pedir com esperança e como também escreve Paulo na carta aos Hebreus: ‘Esperança é a força da alma, a força que nos mantém firmes na provação. E ter esperança é ter confiança’ (Hebreus 6. 19)
É pedir, não como uma exigência que façamos a Deus, - como uma ordem que um chefe manda o seu subordinado fazer, porque essa é a sua obrigação -. Não. Pedir a Deus é confiar na Sua Sabedoria e na Sua misericórdia. E se aquilo que pedimos, aparentemente não se cumpre, é sabermos aceitar que Deus vê mais longe, ‘vai mais além do que podemos entender’ e Ele sabe o que no futuro é melhor para nós e concorre para o nosso bem e, em última análise para a nossa caminhada em direcção à Salvação.
Melhor do que ninguém, e sobretudo melhor do que nós mesmos, Deus sabe aonde nos levará aquilo que pedimos. E essa sua ‘escolha’ é, na realidade a orientação que precisamos, se as nossas almas e os nossos espíritos souberem entender verdadeiramente o que nos diz o Espírito Santo.

Pedir com espírito de gratidão é pedir com fé, mas também com a alegria antecipada sobre aquilo que nos for dado. É pedir e ao mesmo tempo louvar ao Senhor. Porque a Ele nada é impossível.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Vós sois o sal da terra


Há muitos anos, era costume a um canto do Rossio, em Lisboa, instalar-se um homem, de uma certa idade, estrangeiro, com uma banca, cartazes e de megafone em punho pregava a Palavra de Deus e falava da Bíblia. Não sei se converteu alguém ou se o seu exemplo foi semente que deu fruto. Provavelmente sim. No entanto, fizesse o tempo que fizesse, o homem ia para esse lugar todos os dias fazer a sua pregação, indiferente aos sorrisos de troça que muitas vezes as pessoas esboçavam: "Coitadinho, mais um maluquinho...".
Já há muitos anos que não o vejo. Provavelmente o Senhor o chamou.
Há um par de semanas, ia no Metro. Num dos bancos, ia uma freira, de meia-idade, no seu hábito cinzento de uma ordem da Igreja Católica. Ia metida consigo mesma, como quase todas as pessoas daquela carruagem. E digo quase todas, porque uns metros mais adiante, na plataforma, ia um casal jovem de mau aspecto e perante os risos de galhofa da moça, o homem insultava em voz alta a freira, nomeadamente com palavras e gestos de teor sexual.
No nosso dia-a-dia, quantas vezes o testemunho cristão é olhado com um sorriso de troça, uma blasfémia, um desprezo? E isso, quantas vezes, não intimida quem não está tão seguro da fé ou quem, por natureza, é tímido?
E no entanto....
'Bem-aventurados sereis quando vos insultarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o género de calúnias contra vós, por minha causa' (Mt5 11).
Jesus manda-nos ser 'o sal da terra' (Mt6 13), darmos testemunho da nossa fé e da Sua Palavra.
Nem sempre é fácil. Quase nunca é fácil. Por isso que necessitamos de muita oração junto do Senhor, para ele nos dar o valor que precisamos, para podermos ser o sal a que Jesus se refere.
Porque precisamos de ter muita coragem e serenidade emanadas do Pai para ouvirmos o que não gostamos, para sentirmos o que nos desagrada e em vez de reagirmos com cólera, aceitarmos isso como uma prova de Deus à nossa Fé na Sua Pessoa.
Devemos lembrar então a Job e como, depois de todas as provas a que foi submetido apenas respondeu ao Senhor: 'Sei que podes tudo e que nada te é impossível'. (Job42 1-2).

domingo, 25 de maio de 2008

Contra nós ou por nós

(Foto emiliemcw)
"Mestre, vimos um homem expulsar espíritos maus em teu nome e proibimo-lo, porque não é dos nossos". Mas Jesus disse-lhes: "Não proibam isso, porque quem não é contra nós, é por nós". (Luc. 9 49-50).

Quem não é por nós, é contra nós. É assim que o mundo pensa e os homens do mundo fazem as suas exigências: ou és meu amigo ou amigo dele e se és amigo dele, não és meu amigo, és meu inimigo.
Com isto é semeada a discórdia entre as pessoas. Cada um olha só no seu egoísmo, cego à liberdade que as pessoas têm, às escolhas que elas possam fazem sem, necessariamente, essa escolha ser uma escolha adversária às nossas posições.

Mas quão diferente é a posição de Jesus: quem não é contra nós, é por nós.
Parece quase o mesmo, mas não é. É uma atitude diferente, mais acolhedora, a atitude que admite a coexistência.
Mais, nos tempos que correm, em que o Cristianismo se cindiu em facções e facções, na sua maioria, cada uma reclamando a exclusividade da Salvação, estas palavras de Jesus ganham uma outra dimensão: Jesus não quer que os discípulos proibam quem em Seu nome exerça também o ministério, só porque não pertence ao grupo dos 12. O que Jesus quer é que seja pregado o Evangelho, seja propagada a Sua Palavra.
O que conta é a Fé e o cumprimento dos Mandamentos. Agora se o serviço religioso é canto gregoriano ou rock-in-roll, pouco importa. O que importa é o conteúdo, não a embalagem em que esse conteúdo vem.
Na certeza, porém, que é da boa árvore que brotam os bons frutos.

A paz de Deus em nossos corações.

sábado, 24 de maio de 2008

Milagres


(Coldwater Lake- Mount St Helen, Cowlitz County, Washington- USA)

Como já disse anteriormente, o ser humano tem sede de manifestações do sobrenatural. Mas busca essencialmente que essas manifestações se expressem de forma espectacular: que os paralíticos andem, que os mudos valem, que os cegos vejam, etc. Não é que isso não seja impossível a Deus, já que a Ele nada é impossível. Mas Deus deseja também que nós vejamos todas esses pequenos milagres que constantemente Ele nos faz à nossa volta.
Quando Jesus se retirou para o deserto por 40 dias, Ele também foi tentado pelo demónio, justamente para fazer os milagres-espectáculo: a transformação das pedras em pão (Lc 4. 3) e o de se atirar do pináculo do templo e ser amparado pelos anjos (Lc4. 9-11). Mas Jesus recusou-se a servir desse modo o demónio: "Não tentarás o Senhor Teu Deus".
Mas os milagres existem, sim.
Existem quando o Senhor ouve a nossa oração e concede as graças que Lhe pedimos.
Existem quando o Senhor coloca nas nossas vidas aquelas, por vezes, pequenas coisas inesperadas mas que têm para nós um significado enorme: um sorriso, uma palavra amável, um abraço.
Existem quando o Senhor enche nossas almas de serenidade e de uma alegria que nos conforta nos desafios que temos de enfrentar.
Existem em toda a Natureza, fruto da Sua Obra, mas a que muitas vezes somos cegos.
São estes pequenos milagres, este 'pãp nosso de cada dia' - pão no sentido da comida, mas também pão no sentido da Palavra, já que Jesus disse 'Eu sou o Pão da Vida' - que devemos agradecer ao Senhor.

Uma das passagens mais bonitas de louvor a Deus é o 'Cântico de David' (1º Par 16. 8-36).
E tem especial significado as estrofes:

'Recordai as maravilhas que
Ele opera
Os prodígios e juízos da Sua boca.' (1º Par 16. 12)

e mais adiante:

'Publicai a Sua glória em
todas as nações
E as Suas maravilhas em
todos os povos' (1º Par 16. 24)

Com efeito, estamos rodeados das maravilhas de Deus e essas maravilhas, que tantas vezes nem reparamos nelas, já são os milagres por que nossa alma anseia. Basta abrir os olhos do espírito e, iluminados pela Fé, reconhecer a obra de Deus.

Paz e tranquilidade em vossos corações

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Falsos deuses

(Profeta Daniel no fosso dos leões. Ícone. Constantinopla, Sec. XIV)

Os falsos deuses sempre existiram na vida do Homem. Em Daniel 14 é relatado uma vez mais um desses episódios: o rei Ciro presta culto a Bel e o profeta ao "Deus vivo que criou o céu e a terra e que exerce o seu domínio sobre toda a carne". O rei desafia o profeta a provar que Bel é falso e não consome durante a noite as oferendas de comida que diariamente lhe são deixadas. Daniel aceita o desafio e depois de serem postas as oferendas na sala de Bel e já a sós com o rei peneira cinza no chão e ambos fecham e selam as portas. Na manhã seguinte, quando as postas são abertas, as oferendas já não estão lá, mas na cinza estão as marcas dos pés dos sacerdotes, suas mulheres e filhos, que por uma passagem secreta no altar a Bel, acediam à sala e consumiam eles as oferendas.

Muitos anos se passaram desde o tempo do profeta Daniel. Deus reforçou a sua aliança com a vinda do Seu Filho, Jesus Cristo, para a nossa salvação.
No entanto, quantas vezes somos confrontados com os falsos deuses? Antigos ídolos, mas também os novos ídolos?
'Deuses' materiais e facilmente identificávais, mas também 'deuses' mais subtis: as crenças que nos conduzem, não à salvação, mas à perdição, à 'segunda morte', a morte da alma.
A nossa alma tem sede de manifestações do 'divino', manifestações sobrenaturais que não saibamos explicar. O demónio sabe isso muito bem e não se poupa a esforços para nos confundir com manifestações desse tipo, por vezes 'mascaradas' de 'manifestações divinas'.
Porém, quer aceitemos, quer não, a verdadeira revelação está na Bíbilia: no Antigo Testamento, no testemunho dos profetas, no Novo Testamento, nas palavras de Jesus, enviado por Deus para nos salvar, nos Actos dos Apóstolos os seus seguidores e nas Cartas escritas por João, Tiago, Pedro e Paulo - testemunhos e recomendações de vida para quem quer ser verdadeiramente amigo de Cristo e de Deus.
Testemunhos e revelações da fé iluminante, onde o nosso passado pecador tem a oportunidade da redenção. Como Paulo na estrada de Damasco, cego pela Luz e interrogado pelo próprio Deus: "Porque me persegues?". E o renascer da sua cegueira, para se tornar num homem novo - um discípulo dedicado, revelador da Palavra.

Paz de Deus nos vossos corações.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Justiça divina

No prédio onde vivo, viva um casal de certa idade. Para o andar em frente, foram viver, há coisa de ano e meio, dois anos, uns brasileiros. Gente humilde, que procura neste país ganhar o seu salário para cumprir na sua terra os seus objectivos. São pacatos, mas isso não impede que manifestem a sua alegria natural. Uma tarde, um pouco de música, no Verão, conversas até mais tarde, enfim, nada demais.
A senhora desse casal, que tem um feitio muito especial, resolveu implicar com os ditos brasileiros: porque faziam barulho, porque entravam de madrugada (alguns deles trabalhavam à noite), por isto e mais aquilo. Foi fazer queixa a um dos senhorios e teve do outro senhorio intervir de uma forma mais expedita para parar esta perseguição na realidade xenófoba. As coisas acalmaram, felizmente.
Aconteceu que neste fim de semana, a senhora saiu à rua para ir comprar uns remédio para o marido e quando chegou a casa foi dar com este morto. Gritou na sua aflição. E quem lhe acudiu, ajudou a pôr o senhor deitado e estiveram sempre com ela, naquele momento de maior necessidade, em que chocada a mulher se sentia desorientada e perdida foram, justamente, estes brasileiros.
Mais tarde a senhora reconheceu o gesto desta gente, pediu-lhes desculpa de ter falado deles e agradeceu-lhes o apoio que eles lhe deram na hora em que ela mais precisou.

Este episódio fez-me reflectir na justiça de Deus. Esta mulher, não teve uma atitude cristã para com os seus vizinhos, ao falar deles, implicar com eles, os denunciar ao senhorio por uma questão sem qualquer importância. Mas Deus não lhe mandou nenhum castigo. E se o marido da senhora morreu, teve que ver, não só com a idade, mas também com o facto de há mais de 30 anos ele ser um doente cardíaco, ter sofrido intervenções cirúrgicas e, creio, ter um pacemaker. Portanto, nada de mais. A justiça divina manifestou-se porque, na sua hora de aflição, foram aqueles com quem ela tinha implicado -e que eles sabiam disso - puseram para trás das costas todas estas questões e a socorreram e a auxiliaram até chegar outros socorros. A justiça divina revelou-se, não na vingança, mas na misericórdia que esta gente teve para com a senhora, na sua bondade, que acabou por tocar seu coração e fez ela reconhecer como tinha procedido mal anteriormente.
"É melhor cair nas mãos do Senhor, cuja misericórdia é grande, que cair nas mãos dos homens" (II Samuel 24. 14)

terça-feira, 20 de maio de 2008

Toma conta dos meus cordeiros

(Imagem: Cristo é Salvação. Vitral de Almada Negreiros. Igreja Nª Srª Fátima, Lisboa)

“Simão, filho de João, tu amas-me mais do que estes?”, perguntou Jesus. “Sim, Senhor, tu sabes que te amo”, respondeu Pedro. “Então, toma conta dos meus cordeiros”, disse Jesus (João 21-15).


Por três vezes Jesus pergunta a Pedro se O ama e o manda cuidar do seu rebanho.
Esta pergunta de Cristo, quando já ressuscitado apareceu aos apóstolos, é a pergunta que Ele nos faz diariamente a cada um de nós: “Tu amas-me? Então, cuida do meu rebanho”.
Todos nós, que nos sentimos comprometidos com Cristo, que nos sentimos cristãos ‘activos’, somos ao mesmo tempo ovelhas do rebanho mas também pastores que cuidamos do ‘rebanho do Senhor', da sua Igreja.


Jesus, directamente aos seus discípulos, definiu a missão do cristão: pregar o Evangelho a toda a criatura. Este pregar do Evangelho tem muitas formas de se fazer, porque o Espírito Santo que habita em nós opera para que se cumpra a vontade de Deus.
A alguns, foi dado do dom da palavra, a outros o dom da interpretar a Palavra, a outros, ainda o dom da cura. Mas a todos é dado o dom de poder dar o exemplo de uma vida serena, porque na Plenitude de Deus. A todos é dado o dom de ter uma atitude de respeito infinito para com Deus, de Fé cegamente confiante nas Suas Promessas e na Salvação, de Misericórdia/Amor para com os outros que o rodeiam. Sejam ou não irmãos de fé.
O exemplo da vida cristã, cumprindo os Mandamentos, sem murmurações e maledicências, sem fazer o que é abominável ao Senhor, mas pelo contrário, activos no Amor - como Cristo nos amou - é a melhor pregação do Evangelho que podemos dar.


Cada um de nós tem um dom dado pelo Espírito e temos a responsabilidade de usar esse dom. Não tem de ser um dom espectacular. A atitude que temos para com os outros e, principalmente com os outros cristãos, já é uma forma de ‘cuidar dos cordeiros do Senhor’. Cuidar deles. Como o samaritano cuido do homem espancado na estrada. Pode ser um cuidar físico, o prestar uma ajuda, uma boa palavra, um saber ouvir, enfim, uma ajuda qualquer que ela seja, mas também, e não menos importante, é o cuidar espiritual.
O cuidar de forma que o nosso irmão sinta o nosso apoio, a nossa simpatia. E mais ainda o cuidar espiritual pela oração.


Cuidar do rebanho, é orar com os nossos irmãos, em conjunto, em Igreja, Corpo Místico de Cristo, porque Jesus prometeu que quando nos reuníssemos em Seu nome, Ele está no meio de nós – e essa presença se manifesta - mas também interceder pelos nossos irmãos – a oração em silêncio e permanente nas nossas almas e nos nossos espíritos, por cada um dos nossos irmãos, pela resolução das suas dificuldades, de que tenhamos conhecimento, mas, sobretudo, orar para que eles – e nós mesmos – não nos desviemos, um milímetro que seja dos caminhos de Deus. Um orar constante para nos proteger das tentações e nos livrar do mal, porque, como afirma o apóstolo Paulo: travamos todos os dias uma guerra espiritual contra potestades, que levam devastadoramente por diante o homem na sua dimensão puramente humana. E contra estas potestades do mal, apenas com a oração, com a união a Deus por Jesus Cristo, as podemos vencer, porque “Na verdade, na verdade vos digo que tudo quanto pedirdes a meu Pai, em Meu nome, Ele vo-lo há de dar. Até agora, nada pedistes em Meu nome; pedi e recebereis para que a vossa alegria se cumpra” (João 16 23-24).

segunda-feira, 19 de maio de 2008

(Cristo Crucificado- Salvador Dali)

Sem fé, ninguém pode agradar a Deus. Quem se aproxima de Deus deve acreditar que Ele existe e que é Ele que recompensa os que O procuram (Hebreus 6 -11).
A fé. O pilar principal daquele que acredita em Deus.
Fé é confiança na existência de Deus, nas promessas que Ele nos fez através de Jesus Cristo.
Fé é confiança de que a Deus nada impossível e que Ele opera nas coisas que nos parecem mais impossíveis. Fé é entregarmo-nos nas Suas mãos, entregar nossas vidas a Ele. Não é entregar e ficar de braços cruzados, esperando que as coisas caiam do céu. Mas é entregar na certeza que Ele nos vai ajudar, vai recompensar o nosso esforço.
Mas fé é também desejar estar permanentemente junto a Deus. Pedir para ele inundar com as suas graças os espaços vazios das nossas almas. É aceitar o que Ele permite que nos aconteça, na certeza que Deus cuida de nós e deseja o nosso bem, mesmo que sejam por caminhos tortuosos para a nossa visão terrena e cómoda. Na certeza de que na hora da provação, Ele nos vai dar sempre a força suficiente para enfrentarmos esses momentos.
A Fé em Deus.
Que seja o nosso pilar, o nosso apoio constante.

Paz na Misericórdia de Deus

domingo, 18 de maio de 2008

As abominações

(Guerras de Macabeus e os Sírios. Tapeçaria de autor desconhecido, Danish Church Art)

Seis são as coisas que o Senhor aborrece, e sete as que a sua alma abomina: olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, coração que maquina preversos projectos, pés presurosos para correr ao mal, testemunha falsa, que profere mentiras e o que semeia discórida entre os irmãos (Prov 6 16-19).

Quantas vezes no nosso dia-a-dia, não encontramos estas abominações? Perante nós e, muitas vezes dentro de nós. Há aquele momento de discussão, em que nossos olhos faíscam, há aquele momento que dizemos mal do outro, muitas vezes sem sabermos do que estamos a falar, ou porque ouvimos dizer ou porque nos dá gosto em ver por baixo aqueles de quem nós não gostamos ou por quem nos sentimos ofendidos.
E quantas vezes, deixemos o espírito do mal entrar em nossos corações só porque nos queremos vingar de uma ofensa, ou achamos interessante aquela 'negociata', sem olharmos quem sai mal dela, desde que não sejamos nós?
Há gente que testemunha falsamente e que diz mentiras, apenas porque tem medo, porque deixou entrar no seu coração o trabalho do demónio de difundir o medo, que não quer aceitar as responsabilidades dos nossos actos.
E que falar de, quantas vezes, pelo nosso orgulho, pela nossa ganância, da nossa inflexibilidade mundana, pelas nossas atitudes escandalosas, não somos os causadores da discórdia entre quem está ao nosso lado?
Mas e o derramar o sangue inocente? Eu nunca matei ninguém! Pois não. Mas quantas vezes fomos surdos ao irmão que sofre? E isso não será uma forma de derramar sangue inocente? Não o sangue no sentido real, mas o sangue do espírito, da necessidade de sentir um gesto de conforto que afinal não chega. Por vezes, até a necessidade tão simples de ver alguém sorrir. Um gesto tão pequeno e que pode encher de alegria e de esperança esse irmão que sofre.

São estes os pecados com que o demónio nos tenta, procura implantar em nossos corações, com todo o tipo de argumentos. E são, também, estes os passos mais rápidos para nos afastarmos do Senhor, para tornar nossa fé numa fachada, numa coisa abstracta, sem tradução prática no nosso modo de vida e nos torna apenas Cristãos de nome, mas não de actos e de pensamentos.

Para contrariarmos isso, temos de estar sempre vigilantes. Temos de tornar a oração ao Senhor para guiar nos nossos passos, encher os vazios do nosso espírito, uma constante, um hábito tão natural como respirar. E termos a fé de que o Senhor, misericordioso, não nos faltará. No segundo livro dos Macabeus, em que se narram as guerras entre o povo de Israel e os reis que ao seu redor blasfemaram contra Deus, há o episódio de Timóteo: mesmo depois de derrotado, juntou tropas estrangeiras e cavaleiros da Ásia para invadir a Judeia. Ao mesmo tempo, Macabeus e os seus companheiros, mostraram-se humildes perante Deus e oraram toda a noite da véspera da batalha pelo Seu auxílio. Ao romper da aurora, quando começaram os combates, o Senhor enviou dos céus cinco guerreiros, montados a cavalo, dois quais dois postaram-se a cada lado de Macabeus e o protegeram dos golpes dos inimigos, até à vitória do exército judeu (2ºMac 10 24-31).
Estes cinco cavaleiros enviados por Deus, pela fé e penitência do seu Povo, estão sempre prontos, também, para virem em nosso auxílio, nos combates contra o pecado e no nosso desejo de sermos amigos de Deus. Oremos, pois com piedade, pelo auxílio divino, para que nossos corações, tocados pela Sua misericórdia, sejam, também eles, misericordiosos com os nossos irmãos, todos aqueles que nos rodeia.

Paz e Alegria convosco

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Basta um homem justo para haver perdão


No seu testemunho, o profeta Jeremias (Jer. 3 6) descreve o desvio de Israel e de Judá da aliança estabelecida com Deus. Compara os dois reinos a duas irmãs que, infiéis aos seus maridos, se prostituem no cimo das montanhas e sob as árvores - claras referências às práticas de adoração aos ídolos. Jeremias conta ainda que Deus, através de Jonas, clama para ambas se voltarem para Ele. Israel não se voltou, fez a sua escolha. Uma má escolha, mas honesta. Já Judá voltou-se para Deus, mas só fingidamente, uma vez que escondido, continua a reinar o mau espírito e escondida continuava a render-se aos ídolos.
No entanto, o Senhor mostra-se misericordioso e pede-lhes a conversão e o arrependimento dos pecados, embora, também seja dito, permita a punição de Israel e de Judá pela sua falta de piedade.
As duas irmãs que se prostituem continuam a existir nos dias de hoje: são todos aqueles que, tendo a oportunidade de conhecer a Palavra de Deus a rejeitam, não a querem nas suas vidas e preferem, ao prazer de Deus, o prazer mundano e da natureza da carne.
Mas esta 'irmã Judá' é aquela que Deus mais abomina, por causa da sua maldade e do seu fingimento: são todos aqueles que se afirmam seguidores de Deus, mas apenas de boca, porque no seu coração, verdadeiramente, seguem outros deuses: o poder, a arrogância, o orgulho, a ganância, a luxúria, enfim, tanta coisa que nos afasta do verdadeiro sentir da divindade de Deus. São aqueles que, como Jesus se refere, até podem estar na primeira fila do templo, batendo com a mão no peito mas, depois, passam na estrada junto ao homem mal-tratado e olham para o outro lado...
Deus abomina e condena esta falsidade mas, ainda assim, se houver verdadeiro arrependimento, mudança de vida, de atitude, mas uma mudança sincera, de coração aberto, Deus está disposto a perdoar.
Neste episódio das duas irmãs que se afastam dos caminhos de Deus, Jeremias, invocando o oráculo do Senhor - a promessa que de certeza cumpre, dá uma palavra de esperança (Jer.5 1): pois basta que em Jerusalém se encontre um homem, apenas um que seja, que pratique a justiça e seja fiel e Deus perdoará à cidade.
Este nosso mundo, estas nossas vidas, são a Jerusalém aos olhos de Deus e o homem justo foi Jesus, pelo qual os nossos pecados são perdoados. Deus evita-nos uma condenação sem hipótese, porque Jesus é o homem justo. Mas exige o nosso compromisso com o arrependimento e a nossa vontade em nos aproximar d'Ele, de nos entregar a Ele. Talvez não possamos ser iguais a Cristo, na medida que a sua pureza é inagualável. Mas, se tal como Jesus no Jardim das Oliveiras, em que teme o seu destino, clama ao Pai que afaste de Si o cálice que está para vir, mas aceita que seja feita a vontade do Pai e não a sua, aprendermos a aceitar a Vontade de Deus, já é um passo na direcção certa.
O apóstolo Pedro, na sua primeira carta afirma: "Tomai, irmãos, como modelos de sofrimento e de paciência os profetas que falaram em nome do Senhor. Vede: nós temos por bem-aventurados aqueles que sofreram. Ouvistes falar da paciência de Job e vistes o fim que o Senhor lhe deu, porque o senhor é misericordioso e compassivo!
E neste caminho da paciência e da vontade de sermos amigos de Deus, não esquêçamos o que o Pedro também nos diz: "A oração ferverosa do justo tem muito poder".
Pois que a oração cheia de fé seja parte do nosso quotidiano. Porque Deus nos responde sempre, mesmo que na altura não vejamos essa resposta. Mas ela está lá, porque Deus é misericordioso e escolhe o melhor para nós.


Paz e misericórdia entre todos vós.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Folha em branco


"Qual é o Deus que, como Vós, apaga a iniquidade
E perdoa os pecados do resto da sua herança?
Não se obstina na sua cólera
Porque ama a misericórdia.
Uma vez mais terá compaixão de nós,
Esquecerá as nossas iniquidades
E arrojará os nossos pecados ao fundo do mar!
(Miqueias 7 18-19)

Neste livro do Antigo Testamento, o profeta volta a falar da Misericórdia de Deus. Aliás, todo o Antigo e Novo Testamento são testemunhos constantes da Misericórdia de Deus. Por vezes temos a ideia de um Deus vingativo, condenador, que não nos dá qualquer chance. Mas não. Deus apenas é justo. Julga segundo a justiça e segundo a nossa própria fidelidade aos seus ensinamentos do Bem.
Temos uma liberdade, dada por Ele, de escolhermos os nossos caminhos, mas também liberdade é responsabilidade e se escolhermos os caminhos afastados da Sua Palavra, também temos de ter a responsabilidade de arcarmos com os nossos pecados.
Mas Deus é misericordioso e, como diz o profeta Miqueias, não se obstina na sua cólera e volta a ter compaixão de nós, quando nos mostramos arrependidos dentro dos nossos corações, dos desvios que possamos ter tido, muitas vezes quase sem termos consciência de tal, mas onde depois, 'caímos em nós' e reconhecemos os nossos erros.
Deus é tão misericordioso que basta nós pedirmos através da oração e Ele enche os nossos espaços vazios e renova as nossas almas. É tão misericordioso que para pagar o pecado no resto da nossa herança, enviou-nos Seu Filho, Jesus Cristo, para morrer na Cruz em expiação da humanidade mas, ao mesmo tempo, dar-nos a Esperança, porque venceu a Morte com a sua Ressurreição e a Sua Palavra é a vida que alimenta o nosso espírito.
Como nos fala o apóstolo Paulo, com efeito, por Jesus Cristo, Deus deu-nos a possibilidade de renascermos como o 'homem novo'. Como uma folha em branco para ser reescrita, tendo sido lançados ao fundo do mar os nossos pecados anteriores, a nossa vida afasta do Amor a Deus, de que nos arrependemos.
Por Jesus, somos como uma folha em branco para ser reescrita, não segundo o domínio da natureza da carne, mas segundo as palavras e forças do Espírito Santo, que sempre está connosco, desde que queiramos abrir verdadeiramente os ouvidos da alma às Palavras de Deus que ele nos traz.

Que o Espírito Santo seja o vosso companheiro e voz traga a Paz

terça-feira, 13 de maio de 2008

À volta do pecado


Em Eclesiástico 49 1-9, é contado que o profeta Josias foi destinado por Deus para levar o povo à penitência. Porém, apenas ele, o profeta, David e Ezequias mantiveram-se no caminho de Deus, enquanto todos os reis de Judá se afastaram e pecaram, desprezando o temor de Deus. Como tal, sofreram as consequências: perderam os seus reinos e a sua glória. No entanto, não esteve perdido totalmente o reino de Judá já que apesar de ser maltratado "aquele que fora consagrado desde o ventre de sua mãe, para derrubar, destruir e arruinar", esse mesmo também foi consagrado "para depois reedificar e restaurar". E tal como então no Reino de Judá, também depois, com Jesus Cristo, se mantem a premissa da Salvação pela Fidelidade à sua Palavra.
Logo aqui podemos entender a importância de nos mantermos fiéis à Palavra de Deus, aos seus mandamentos. Afastarmo-nos de Deus é perdermos o estado de graça e, de certo modo, a sua ajuda.
Afastarmo-nos de Deus é entrar no pecado. Não no pecado apenas no sentido do crime e nos comportamentos mais escandalosos e imorais, mas sobretudo no sentido da imperfeição. E talvez o pecado mais comum que temos é, justamente, de dizermos que não temos pecados.
Com efeito, o apóstolo João, na sua primeira carta afirma "Se dissermos que não temos pecados, enganamo-nos a nós mesmos e não há verdade em nós. Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e purificar-nos de toda a iniquidade. Se dissermos que não pecamos fazemo-Lo mentiroso e a Sua palavra não está entre nós" (1Jo 1 8-10).
E o pecado são as nossas imperfeições, ou como diz Paulo "os que vivem segundo a carne desejam as coisas da carne; e os que vivem segundo o espírito, as coisas do espírito. Porque o desejo da carne é morte, ao passo que o desejo do espírito é vida e paz, visto que o desejo da carne é inimizade com Deus; não se sujeita à lei de Deus, pois não o pode fazer, e os que vivem segundo a carne não podem agradar a Deus. Vós, porém não viveis segundo a carne, mas segundo o espírito, se é que o espírito de Deus habita em vós". (Rom. 8 5-9).
Este confessar dos pecados é estarmos atentos não só à Palavra de Deus, mas também termos a capacidade e humildade de perante o Senhor, compararmos o quanto os nossos actos se afastaram da Sua Palavra. Pedirmos perdão e orar pra que Ele nos dê forças para vencermos esses pecados. Porque, quer queiramos, quer não, a tentação, fruto do demónio, está também dentro de nós, nas nossas resistências, nos nossos comodismos, nas nossas impaciências, nos nossos prazeres de vingança e, consequentemente falta de misericórdia, enfim, em tantas outras pequenas coisas.
No final mesmo do Evangelho de João, há uma passagem significativa: Pedro está com Jesus, na aparição do Senhor na Galileia, depois da Sua Ressurreição e atrás deles segue João. Pedro pergunta a Jesus: "Senhor, e deste que será?". Disse-lhe jesus" Se Eu quiser que ele fique até que eu venha, que tens tu com isso? Tu, segue-me" (Jo21 20-22).
Não temos pois que nos importar com a vida dos outros, com o seu futuro, com o destino que Deus lhe reserva, mas sim importarmos connosco mesmo, em seguirmos, nós, a Jesus. Importarmos com os outros sim, em actos de misericórdia, em os ajudar no caminho para Deus, em sermos os seus samaritanos, em os Amar. Mas, tendo a confiança de que Deus quer o nosso bem e na sua fidelidade e justeza de perdoar os pecados da humanidade, nos preocupemos verdadeiramente, não com o caminho do espírito dos outros - porque se Deus o quiser, eles se chegarão a nós para que os possamos auxiliar -, mas com os caminhos do nosso espírito em direcção à Paz que emana do Senhor.
Neste dia, que a Paz de Deus vos ilumine e acalme o coração.

domingo, 11 de maio de 2008

Deus é Luz e essa Luz entra em nossos corações.


"Esta é a mensagem que ouvimos d'Ele e vos anunciamos: Deus é luz e n'Ele não há trevas. Se dissermos que temos comunhão com Ele e andarmos nas trevas, mentimos e não praticamos a verdade. Mas se andarmos na luz, como Ele está na luz, estamos em comunhão uns com os outros e o sangue de Jesus Cristo, Seu Filho, purifica-nos de todo o pecado" (1 João 1 5-7).


Nesta primeira carta do apóstolo João, somos exortados a estarmos de coração aberto a Deus e, deste modo, a estarmos na luz, a mesma Luz que emana da sua divindade.

Este estar na luz é estamos em graça, recebermos através do Espírito Santo uma serenidade tal, que nada tememos. É estarmos em harmonia com todos os que nos rodeia, esta comunhão dos espíritos purificados pelo sangue de jesus Cristo derramado na Cruz, pelo perdão dos nossos pecados.

Estarmos de coração aberto a Deus, querermos ser seus amigos, deixar a Sua Palavra entrar em nós, abraçarmos os ensinamentos de Jesus, este modo de vida tão particular, sintetizado no 'Sermão da Montanha' e comprometido quando rezamos o Pai Nosso, essa roação que o próprio Jesus nos ensinou, é tornarmos, ao mesmo tempo e na humildade, os nossos próprios seres em templos do Senhor.


Em Lucas (Lc 2 49), José e Maria perderam-se de Jesus no regresso do Templo de Jerusalém. Procuram-no e acabam por o re-encontrar no Templo, discutindo com os doutores da Lei. José e Maria pedem-Lhe justificações e Ele responde: "Porque me procuráveis? Não sabieis que devia estar em casa de meu Pai?".

De igual modo, se nos esforçarmos por, em boa consciência, nos manter na rectidão do cumprimento da lei, no Amor a Deus, este Templo de Jerusalém, não é mais um lugar, mas toma espaço em cada um de nós, santifica-nos, porque Jesus está em cada uma destas 'casas de Seu Pai'.

Este é um dos milagres da fé: a força que cada um de nós encontra para os desafios do dia-a-dia, para vencer o mal e dar testemunho da sua crença cristã, nos seus comportamentos, nas suas atitudes, na sua linguagem, nos seus actos de misericórdia para com o irmão que, de um modo ou outro sofre.


Este é um dos milagres da fé: sentirmos Deus connosco. Como Moisés exortou ao seu sucessor Josué: "Não temas porque é o Senhor Vosso Deus que combaterá por vós" (Dt 3 22).

Assim, sentindo-nos purificados pela Palavra da Vida, tocados pela resposta de Deus às nossas orações sinceras, não devemos temer, porque é o Senhor Nosso Deus, que combate por nós. Amén.


A Paz de Deus reine em vossos corações

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Não só pedir

Superficialmente somos tentados a passar a maioria do nosso tempo como crentes a pedir a Deus ajuda para isto e para aquilo. Desde coisas materiais, até às mais nossas profundas angústias. Deus, que é rico em Misericórdia nos dá mas...


Na verdade, não podemos estar sempre a pedir, irresponsavelmente. Porque acima de tudo, a Deus o que lhe agrada é a Fé e fé implica um modo de estar na vida de acordo com a Sua Vontade.


Lembrarmo-nos de Deus nos nosssos momentos de necessidade, pedirmos-Lhe ajuda é bom. Mas também é bom lembrar de Ele sempre, nos nossos momentos de alívio e em cada momento das nossas vidas.


Num dado momento, o Senhor falou ao Povo de Israel, pela boca de Moisés:


"Se obedeceres à voz do Senhor, teu Deus, observando cuidadosamente todos os seus mandamentos, que hoje te preservo, o Senhor, Teu Deus, elevar-te-á acima de todos os povos da terra (Deuteronómio 28 - 1).


Desde o início, ao longo das diversas alianças que foi estabelecendo com os homens, Deus fez sempre uma exigência de compromisso. Compromisso de fidelidade a Ele e à sua Lei. Esse compromisso está ali bem expressso: a observância cuidadosa de todos os Mandamentose o povo de Israel será recompensado, com a sua elevação como povo eleito.


Por Jesus, pela sua entrega, na morte e Ressurreição, esta promessa de Deus ao seu Povo, alargou-se a toda a Humanidade, não só a um povo e uma raça, mas a todos os que acreditam, qualquer que seja a sua origem, e que se mantêm fiéis à Mensagem de Deus. E é pela fidelidade que "em verdade, em verdade vos digo, não foi Moisés que vos deu o pão que vem do céu, Meu Pai é que vos dá o verdadeiro pão que vem do Céu, pois o pão de Deus é o que desce do Céu e dá vida ao mundo" (João 6 32-33).


E é esse compromisso de fidelidade que se mantém para quem queira viver verdadeiramente a mensagem de Deus, através de Jesus Cristo. É um compromisso difícil, já que obriga a sempre estarmos atentos a cada um dos nossos gestos, de modo a não nos afastarmos do caminho da Salvação. Mas também é fácil, se o nosso empenho for verdadeiro e genuíno e apesar das imperfeições, soubermos manter o coração aberto à Palavra de Deus.
(Imagem- Moisés e as Tábuas da Lei- Rembrandt)

Que a Paz fique convosco.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Não temas porque estarei contigo


No início do Livro de Jeremias, este conta que Deus chama-o para ser seu profeta, mas Jeremias não quer aceitar, afirmando que não sabe falar por ser ainda uma criança. Em resposta, Deus afirma para Jeremias não temer: 'Não os temas porque estarei contigo para te livrar - oráculo do Senhor" (Jer. I 8).
Perante esta certeza de Deus, o profeta deixa de resistir e aceita a missão para o qual Deus o chama. Mais adiante, quando o Senhor inicia o profeta nas suas visões, reafirma que a Sua Palavra será cumprida 'Eu vigiarei sobre a minha palavra para a cumprir' (Jer. I 12).

No nosso dia-a-dia, quantas vezes tememos o que nos rodeia, seja o que for: os nossos chefes, o trabalho que nos espera, os problemas familiares ou financeiros ou, mesmo de saúde. E no entanto, sem darmos conta, temos connosco a promessa de Deus - este oráculo do Senhor, portanto, coisa que de certeza se cumpre -, tantas vezes reafirmada ao longo do Antigo Testamento e neste caso a Jeremias : 'Não os temas porque estarei contigo para te livrar'.
E em cada passo devemos nos lembrar desta promessa de Deus e acreditar-mos que Ele está aqui, junto de cada um de nós, vigiando para cumprir a Sua palavra, sobretudo quando nos sentimos em dificuldades maiores. São os momentos em que em nossos corações mais precisamos de entrar em oração, de pedirmos a Deus um sinal que acalme o nosso temor e a nossa alma se sinta inundada da promessa a Jeremias: 'Não os temas porque estarei contigo para te livrar'.
Na foto: imagem de Jeremias esculpida por António Francisco Lisboa, o 'Aleijadinho' (1730-1814) em Congonhas do Campo, Brasil).

Que a Paz do Senhor vos acompanhe

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Apresentação

Não interessa muito quem sou. Interessa onde quero chegar. A Fé. Uma longa caminhada com mais de meio século. Com altos e baixos, exaltações a tocar o misticismo e crises a roçar o ateísmo. Assim, é feita a imperfeição humana.
Depois de muito pensar, decidi por este meio responder ao chamamento de dar testemunho da Fé em Jesus Cristo. Não proponho nenhuma confissão religiosa. Apenas o Amor a Deus por Jesus. Se pelas minhas palavras ajudar alguém nesta caminhada ao encontro do Senhor, não preciso de saber, mas já terei a minha recompensa: que a semente deu algum fruto.

"Dou graças a Deus, a quem sirvo com recta intenção, como fizeram os meus antepassados", escreve Paulo na sua segunda carta a Timóteo, acrescentando mais adiante: "por esse motivo quero lembrar-te que conserves sempre bem vivo o dom de Deus, que recebeste pela imposição das minhas mãos. Pois o espírito que Deus nos deu não é para termos medo, mas sim para termos coragem, amor e bom senso'.

Termos coragem, amor e bom senso. Três caminhos que hoje são duros de percorrer. Três valores pelos quais vale a pena pedir diariamente a força divina, porque conseguindo os cumprir ou, pelo menos, nos aproximar o mais possível, estamos a dar os passos certos no caminho do Amor de Deus que Jesus nos pregou e que aqueles que somos crentes devemos abraçar com todo nosso coração e força.
A Paz de Deus reine em vossos dias.