quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Entre o grito e o silêncio


Há momentos que Deus nos leva a gritar: a gritar a Sua Mensagem, a gratidão por Ele nos acompanhar, por nos dar a Vida. Mas há outros momentos, em que Deus nos chama a apenas sussurrar ou mesmo ao silêncio, para ouvirmos as nossas vozes interiores, a forma como Ele fala nas nossas almas. São as travessias no deserto, que se nos põem como desafios à nossa Fé, à reflexão sobre o que estamos a desempenhar nas nossas vidas.
Actualmente passamos por momentos de grandes dificuldades, assolados pelo espectro da crise, que de uma forma ou outra, mais ou menos profundamente, nos toca. Um momento de reflexão.
Terminado o Carnaval, no calendário católico, entrou-se no período da Quaresma. Se em tempos passados, a própria Igreja Católica, usou o ideal deste período que antecede a Páscoa, para fins muito pouco evangélicos, não devemos, porém recusar olhar para o significado deste período de jejum e abstinência. Talvez hoje não faça tanto sentido a abstinência de se comer carne às sextas-feiras, quando o peixe já é mais caro que a carne. Talvez hoje não faça tanto sentido o jejum dos alimentos, quando o dia-a-dia já nos leva a desequilíbrios brutais na nossa qualidade de vida. Mas fará todo o sentido a abstinência como disciplina das nossas vidas, com vista ao cumprimento da Vontade de Deus, o jejum dos bens e das atitudes com vista à partilha com aqueles que ainda têm menos que nós: não só a partilha dos bens materiais mas também a partilha das atenções e dos sentimentos.
Fará sentido na Quaresma reflectir na pergunta: "Porque odiei a disciplina e o meu coração desdenhou a correcção? (Prov. 5.12).
A paz de Deus em vossos corações
Fará sentido a abstinência como disciplina das nossas vidas