terça-feira, 7 de outubro de 2008

Caminhos





Vivemos numa soceidade dominada pelas ideias materialistas, onde campeiam os novos ídolos: consumismo e a exploração desenfreada, apontados a esse ídolo antigo que é o dinheiro e o seu culto. Como tal, vivemos muitas vezes numa aridez espiritual, que nos agrilhoa, subjuga-nos até à depressão, até à destruição do ser humano como pessoa.


E muitas vezes, cada um de nós trespassa para as nossas relações próximas este estado de pensamento, tornando-nos, nós mesmos, em opressores dos outros e preconceituosos em relação e eles. E assim estamos, subtilmente, a afastarmo-nos da vontade de Deus.


Porque Deus abomina a escravatura e para nos libertar da escravidão do pecado que nos enviou o Seu Filho, com a mensagem da redenção.


No Antigo Testamento, em Jeremias (34. 8-22) é-nos relatado como o Senhor ordena a libertação dos escravos judeus, cativos de outros judeus, e como Deus faz ameaças porque os donos desses escravos os aprisionaram de novo, depois de os terem libertado.


Numa primeira análise, Deus fala-nos do respeito que é devido a toda a pessoa humana e nos compromissos tomados com Ele.


Mas há mais: Por Jesus é-nos dada a oportunidadde de libertação do nosso pecado, do renascer do homem novo de que nos fala o apóstolo Paulo (Efésios 2. 15-2 e Cor 5. 17). É esta a oportunidade de libertarmo-nos do pecado que Deus nos dá. Porém, ao mesmo tempo, somos nós mesmos, pela nossa vontade, o nosso desejo, que nos libertamos da situação de escravos do pecado.


No entanto, sedutoras são também as tentações. Sedutoras, no imediato, são as visões do mundo, pelo que fácil se torna sermos seduzidos novamente pela escravidão aos ídolos.


Cristo fala-nos do caminho fácil e do caminho pedragoso, da porta larga e da porta estreita (Lucas 13. 24). Este caminho largo de facilidades e vaidade humana, nos seus múltiplos aspectos, é, justamente, o caminho da escravidão, que segue ao lado do caminho rude da salvação e que tantas veses nos apela sedutoramente...

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Revelações


(Michelangelo - Cappella Sistina 1508-1512. Promenor do tecto. Criação do Homem)




Todos procuramos uma resposta às questões que temos. E nem sempre encontramos as respostas por que ansiamos. Para os cristãos, que pautam a sua espiritualidade pelos Evangelhos, é por obra do Espírito de Deus que nos são dadas a conhecer as revelações - que nos é dado o entendimento da Palavra.


Não têm de ser necessariamente as revelações espectaculares, as professias abertas a todo o povo entre a manifestação das potestades, mas bastam as pequenas revelações nas nossas almas. sinais que nos reconfortam nas nossas angústias, que respondem às nossas dúvidas.


Se nos lembramos de Deus quando nas nossas aflições O invocamos e pedimos auxílio, de igual modo nos devemos lembrar d'Ele quando recebemos as suas Graças e deste modo nos mostrarmos gratos pelos Seus sinais.


"Agradeço-te, oh Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque mostraste aos simples as coisas que tinhas escondido aos sábios e entendidos. Sim, Pai, agradeço-Te, por ter sido essa a Tua vontade" (Lucas 10. 21).


Com efeito, a mensagem de Jesus e a sua revelação não se destina apenas aos doutores da Lei, da Igreja, aos teólogos, mas a cada um de nós, na nossa humuldade e simplicidade, na nossa ignorância. Por isso que Deus nos concede, através do Seu Espírito, as graças de ser revelado o significado da Sua Palavra e, consequentemente, da Sua Vontade.




O Espírito de Deus em vossos corações.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Por entre as estrelas, Abraão.



(Adriaen van der Werff - Sara apresenta Agar a Abraão. 1699. Óleo sobre tela. Staatsgalerie, Schleissheim, Munique, Alemanha)


Ontem à noite, nos arredores de Sintra, calhou olhar para o céu. Estava límpido, de uma transparente atmosfera e as estrelas brilhavam intensas. E lembrei-me da promessa de Deus a Abraão: "olha para o céu e conta as estrelas, se é que o podes. E lhe disse: assim será a tua posteridade" (Gen. 15. 5).

Abraão e sua mulher, Sara, eram já velhos e Deus promete-lhes o que para eles era impossível: um filho que continuaria a descência do patriarca de Harã. Deus prometeu e Abra~~ao teve fé na promessa divina. Não foi uma fé fácil. Abraão questiona Deus de como será possível o milagre por ele e a mulher serem já velhos. Não foi uma fé fácil, porque há um momento que Abraão, depois de cumprir tudo o que anteriormente Deus mandara fazer, vê que continua sem filhos de Sara e antevê que a sua descendência apenas será continuada por Isamael, o filho da serva Agar. Mas apesar de tudo, apesar das suas dúvidas momentâneas, Abraão aceita a promessa de Deus e a sobrepõe às suas dúvidas, acreditanto firmemente nela.

Se existe a fé de Abraão, também existe a humildade e a obediência. E deste modo ele foi exaltado por Deus e tornou-se o 'pai' de muitas nações.

Olhando a estrelas de ontem à noite, veio nos meus pensamentos este episódio bíblico, esta fé exemplar e inteligente, este exemplo para as nossas vidas, sempre actual, apesar dos milénios que tem.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Orar em conjunto

( Serviço religioso ecuménico, pela paz mundial noParque Memorial da Paz,
Hiroshima, Japão, 1999)



A oração a sós, diária e em cada momento, é a 'nossa conversa com Deus'. Ele é O amigo, que nos ouve, que nos aconselha, que nos conforta. É o amigo fiél, que não trai a nossa amizade por Ele, a nossa fé nas Suas capacidades.


No entanto, também válida e útil é a oração em conjunto com os outros irmãos na Fé. O próprio Jesus Cristo, por cujos Evangelhos, seguimos a vontade de Deus, afirmou: "Em verdade também vos digo que, se dois de entre vós, sobre a terra, concordarem a respeito de qualquer coisa que, porventura, pedirem, ser-lhes-á concedida por meu Pai, que está nos céus, Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em Meu nome, ali estou no meio deles" - (Mateus, 18. 19-20).





Muito se tem discutido sobre o poder da cura pela oração. Há quem acredite que apenas a oração será suficiente para curar os males do corpo e da alma. Há quem afirme convictamente que a oração em anda influí no estado de saúde dos doentes. Cada pessoa tem a postura que quiser.


E qual deve ser a postura do cristão? Não sei responder de forma cabal. Há um princípio básico que não pode ser renegado: o da Fé. "Felizes os que crêem sem ter visto" (João 20. 29) afirma Jesus, face à incredulidade de Tomé sobre a Sua Ressurreição. e em Tiago 1.6 é recomenado ao cristão que: "Peça-a, porém, com fé, em nada duvidando; porque o que duvida é semelhante à onda do mar, que é levada pelo vento, e lançada de uma para outra parte". Então, a Fé é a âncora do crente.


Pessoalmente acredito no poder da Fé e na capacidade de cura da oração, mas não desprezo as soluções que a medicina me oferece. Porque se Deus permite que a Medicina exista, é porque é também um dos Seus instrumentos. Alio, pois, as duas coisas: os tratamentos físicos e a Fé em que Deus me pode ajudar a curar, de uma forma mais rápida, mais confortável. sei lá que mais!.





Mas há outro aspecto da oração, quando veículo de intersessão: uma forma de praticarmos a misericórdia, esquecendo-nos um pouco de nós mesmos, para dedicarmos a nossa atenção ao outro, em especial ao que sofre, ao que está abandonado, ao que necessita de ser alvo do nosso amor. Enfim, uma forma de fazermos a verdadeira Caridade, que é de abdicarmos de nós mesmos pelo Outro.


Hoje convido-vos a orar por Gary Smith e a mulher Emilie. São meus irmãos adoptivos e inspiração na minha Vida, pelo seu amor a Deus. A Gary surgiu-lhe um caroço no pescoço, onde há dois anos retirou um outro, de origem cancerígena. E está muito assustado com a situação, sobretudo enquanto não é visto pelo médico, que de momento está fora. Convido-vos a orar para que Deus lhes dê a Força que necessitam agora, que Ele lhes envie o Consolador que Jesus prometeu. (João 14. 16-20). Convido-vos a orar para que a situação não e agrave mais e para que Deus inspire e guie o médico, afim de poder tratar de forma eficaz Gary. E, finalmente, convido-vos a orar para que o Espírito Santo os ilumine e lhes dê a força para aceitar pacificamente a Vontade de Deus, seja ela qual for.

A paz de Deus em vossos corações.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Humildade e harmonia


A sociedade portuguesa, nos tempos foi abalada por alguns crimes de grande impacto mediático.



Estes crimes levam um cristão a reflectir sobre a falta de Deus na vida dos homens.



Podemos pensar em justificações sociológicas para a prática destes crimes.



Podemos pensar em justificações médicas para a prática destes crimes.



Mas a verdade é que para cada pessoa que comete um crime, seja ele qual for, existem centenas de milhares de outros seres humanos em igual ou pior situação, que não praticam crimes semelhantes ou quaisquer crimes, e que sentem repugnância por tal.



Serão cristãos ou, pelo menos, crentes, estes outros milhares? Não necessariamente. Deus tem caminhos que a nossa humilde condição humana nunca chegará a compreender, pelo que nem vale a pena questionar ou julgar.



Olhemos outra realidade: quem aceita Deus nas suas vidas, por Jesus Cristo, fica dotado de uma ferramenta e de uma força muito grande para não praticar o mal. Não nos livra de sermos assediados pela tentação, mas nos livra de aceitarmos a tentação. Porque aceitar a Deus é unicamente fazer a Sua Vontade e Deus nunca disse para matarmos, roubarmos, cometer adultério, mentir, enfim, praticar qualquer espécia de iniquidade. Pelo contrário: quer que façamos o oposto, como expressa nos Mandamentos.



Ao aceitar a Deus, ganhamos também a força da Fé. "Assim, se Cristo dá alguma coragem, se o Seu Amor dá consolação, se o Seu Espírito dá união e se conhecem o amor de uns pelos outros, então peço-vos que me dêem a grande satisfação de viverem em harmonia" (Filipenses 2 1-2).



É esta coragem e esta consolação no Amor que dá força ao cristão para vencer a tentação e o mal, não se desviando do caminho de Deus e da Salvação.

sábado, 23 de agosto de 2008

Exemplo de vida

Para Pensarmos. Fazer a nossa parte. Hoje. Amanhã pode ser tarde demais. Porque nunca sabemos nem o dia nem a hora em que seremos chamados a prestar contas.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Fidelidade de Deus


Deus é fiel para com os homens. As Suas promessas mantêm-se válidas, ao longo dos tempos. Elas são imutáveis. O que muda são os desejos dos homens. Por isso, Deus não realiza aquilo que nós queremos, aquilo que nós pensamos ser o melhor para nós, mas sim aquilo que Ele sabe ser verdadeiramente bom para nós. Pode ser, sim, que aquilo aquilo que nós queremos coincida com aquilo que Deus sabe ser melhor para nós.


No entanto, as promessas de Deus mantêm-se mesmo que os homens não creiam. E os homens recolhem segundo a justiça do que semeiam.


O apóstolo Paulo refere, em Romanos 3, que Deus é verdadeiro, mas são os homens que estão sujeitos à mentira e serão pelas suas palavras justificados e julgados. Mais, o apóstolo chama a atenção de que todos estamos sujeitos ao pecado e a nossa condição, seja de raça, seja social, seja de religião, não nos livra, à partida, do pecado. O que nos justifica perante os olhos de Deus é a nossa fé em Jesus Cristo, onde também não é feita distinção. "É por ventura, Deus somente dos judeus? Não o é também dos gentios? Sim, também é dos gentios, visto que Deus é um só, o qual justificará pela fé, o circunciso e, mediante a fé, o incircunciso" (Rom. 3 29).

Quem tenha olhos, que o leia.

Que a paz esteja convosco.


segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Cidade de Deus, cidade dos Homens

Agostinho de Hipona, na sua obra 'Cidade de Deus' defende, de um modo geral, que existem duas cidades: a de Deus, dedicada a seguir a Palavra do Senhor e a cidade dos interesses mundanos. Posteriormente, este conceito foi tomado no sentido de que a Cidade de Deus era única e exclusivamente a Igreja. No entanto, assim não foi entendido por Agostinho: o que ele defendeu foi a interpretaçao da história da humanidade como o conflito entre a Cidade de Deus, inspirada no amor à Deus e nos valores que Cristo pregou, presentes na Igreja, e a Cidade humana, baseada nos valores imediatos e mundanos. Essas cidades estariam presentes na alma humana, e no final a Cidade de Deus triunfaria.
Deste modo, estas duas cidades são mundos da alma humana e se em termos físicos, na cidade dos Homens há cidadãos da Cidade de Deus - homens tementes a Deus e seguidores da Justiça -, na Igreja também não faltam cidadãos da cidade dos homens: aqueles membros ecesiásticos que acabam por se afastarem da virtude para servir os interesses humanos.
Em todas as denominações da Igreja, da Igreja Católica (Romana ou Ortodoxa), às Igrejas evangélicas, não faltam estes cidadãos da cidade dos homens: dominados pela ambição, seja do poder político, seja do poder económico; dominados pelo orgulho, com a convicção de que são detentores da verdade absoluta, confundindo a essência da Fé com a tradição.
Tenho que confessar que sendo a Igreja de Cristo apenas uma, custa-me entender as diversas comunidades ditas cristãs, por vezes odiando-se de morte umas às outras.
E vem-me à mente o Profeta Malaquias: 'O filho honra o pai, e o servo o seu senhor. Se Eu sou o Pai, onde está a minha honra? E, se Eu sou o Senhor, onde está o respeito para Comigo? (Malaquias, 1. 6.).
Paulo escreveu diversas cartas às Igrejas por onde passou. A algumas ele elogia, mas a outras repreende-as, porque se estavam a afastar da essência da Mensagem de Cristo. Mas cada uma destas igrejas é apenas uma, na cidade em que está: é a Comunidade de Cristo. A comunidade de Cristo em Efésio, em Corinto, em Roma, em Filipo, em Colonos, etc.
Posso ser muito ignorante e certamente que o sou, mas não encontro nas suas cartas referências a várias igrejas num mesmo local: ou são seguidores de Cristo ou não são, sendo, por exemplo, judeus ou pagãos.
Àqueles que se dizem seguidores de Cristo, deve ser a Bíblia - no Antigo e Novo Testamento, porque o segundo complementa e completa o primeiro - o Guia de Vida. Mas também é necessário o discernimento suficiente para entender o que é essencial e acessório. O cerne dos valores, que se mantêm actuais ao longo dos tempos, e o que resulta apenas das circunstâncias das épocas.
Por outro lado, conforme Paulo escreveu aos Romanos:
"Não nos julguemos mais uns aos outros; pelo contrário, tomai o propósito de não pordes tropeço ou escândalo ao vosso irmão.
"Eu sei e estu persuadido, no Senhor Jesus, de que nenhuma coisa é de si mesmo impura, salvo para aquele qeu assim a considera; para esse é impura.
Se, por causa de comida, o teu irmão se entristece, já não andas segundo o amor fraternal. (Romanos 14 14.15).
Que tudo isto nos sirva de reflexão sobre o que é essencial e acessório no seguimento da Palavra de Deus.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Chamados a iluminar

(Estátua alusiva à caridade, inspirada na I Corintios de Paulo.
Grand Lodge of Pennsylvania in Philadelphia. USA)


Em algum momento das nossas vidas fomos chamados por Deus. De múltiplas formas, desde a tradição de uma educação familiar, até à revelação súbita, como Paulo na estrada de Damasco. Não importa forma, o que importa é que ouvimos o chamamento do Pai. Podemos responder-lhe ou não. Isso fica a nosso critério, porque no Seu Amor, Deus nos dá essa liberdade.


Mas até respondemos afirmativamente ao chamamento de Deus e desejamos O descobrir, tornamo-nos seus amigos, que a Sua Palavra seja um modelo pelo qual pautamos as nossas vidas. E respondermos afirmativamente a Deus, pelo chamamento em Jesus Cristo, é o assumir de um compromisso.


Não podemos ser cristãos para ficarmos escondidos.


"Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder a cidade edificada num monte, nem se acende uma candeia para colocá-la debaixo do alqueire, mas no velador, e alumiar todos os que se encontram em casa.


"Assim, brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus" (Mateus, 5 14-16).


Todavia mostrarmo-nos aos homens requer humildade, para não cairmos no pecado do orgulho dos fariseus nas primeiras filas do templo, batendo com a mão no peito.


A melhor oração que podemos fazer é cumprir a Vontade de Deus, em cada momento das nossas vidas, do nosso dia-a-dia. E essa vontade é a de Amar a Deus acima de tudo. E amar a Deus é também darmos-Lhe graças por tudo de bom que Ele nos dá em cada dia. Seja uma luz especial na manhã, um pássaro que se cruza no nosso caminho e nos desperta para a beleza, seja uma vitória em nossas vidas, em especial as vitórias espirituais, seja um sentirmo-nos amados pelos outros. Enfim, tantas coisas pelas quais podemos agradecer a Deus nos permitir reparar nelas.


E outra das vontades de Deus é a de amarmos os outros. Termos um olhar de misericórdia e sermos suaves a jugá-los. Nos interessarmos verdadeiramente pelas pessoas que estão nas nossas vidas, sem procurar tirar qualquer vantagem delas.


E é com Deus em nossas vidas, nesse jeito, pelo nosso exemplo, que nos tornamos a luz do mundo e nos mostramos aos homens, não para que eles nos glorifiquem, mas para que entendam que aquilo que fazemos o devemos ao Pai e O glorifiquem porque permite tais coisas boas.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Deus nos convida

Cristo Redentor- Baía de Guanabara- Rio de Janeiro

No capítulo inicial do Livro de Isaías, depois de afirmar que não suporta a falsidade, Deus deixa os sinais do caminho que leva a Ele:
'Lavai-vos, purificai-vos, tirai a maldade de vossos actos de diante dos meus olhos. Cessai de fazer o mal.
'Aprendei a fazer o bem; atendei à justiça, repreendei ao opressor, defendei o direito do órfão, pleiteai a causa as viúvas.
'Vinde pois e arrazoemos, diz o Senhor; ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, ele se tornarão brancos como a neve, ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a lã.
'Se quiserdes e se me ouvirdes, comereis o melhor desta terra.
'Mas se recursardes e fordes rebeldes, sereis devorados à espada, porque a boca do Senhor o disse" (Isaias 1. 16-20).
Lavarmo-nos e purificarmo-nos. Não é o lavar físico, mas o lavar espiritual. Limpar os nossos pensamentos do mal, pedir ao Senhor que não nos deixe cair na tentação e, se ela nos toca, que nos livre do mal. E ao mesmo tempo, tomarmos a atitude do Amor e da Justiça para com o próximo, em o defendendo e o respeitando.
Deus nos convida a ir ter com Ele e a pensarmos com a razão sobre as nossas faltas: reflectirmos sobre os nossos actos e tomarmos arrependimento daqueles que fizémos e nos afastaram de seguir a Vontade de Deus. É esse arrependimento que, aos olhos de Deus, nos lava e purifica.
Deus nos convida e, ainda assim, continua a dar-nos a liberdade: ' se quiserdes e se me ouvirdes'. Basta querer para podermos ouvir o Senhor, nas múltiplas vozes que fala connosco: através da Biblia, mas também beleza do que nos cerca, através dos sonhos que temos e dos pensamentos que nos advém quando nos entregamos a Deus e pedimos que nos fale pelo Espírito Santo, através da pregação na Igreja, através das palavras dos nossos amigos verdadeiros e que também são amigos d'Ele.
Deus nos convida e promete que comeremos o melhor que há nesta terra. Mas Deus não se refere às iguarias mundanas. O melhor e mais raro ou caro dos pratos gastronómicos termina do mesmo modo que a comida mais simples e banal. E isso é pouco. Não, o que Deus nos fala é de outro alimento, muito mais rico, muito mais compensador. Jesus disse: 'O verdadeiro pão do céu é o meu Pai. Porque o pão que Deus dá é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo(...) Eu sou o Pão da Vida. Quem vem a Mim nunca mais terá fome, e quem crê em Mim nunca mais terá sede.' (Jo. 6. 30-35). É este Pão, esta Palavra de Vida de que Deus fala e promete.
Deus nos convida e nos avisa, também, que tendo-O conhecido e mantivermos a rebeldia, dos nossos actos teremos as consequências. E continua a dar-nos a liberdade de escolha...

Lamento de Deus




(Profeta Isaías - António Francisco Lisboa, O Aleijadinho, Santuário do Bom Jesus de Matosinhos - Congonhas - Minas Gerais -foto de Carlos Eduardo Fiusa Morais)



'Criei filhos e os engrandeci, mas eles estão revoltados contra mim' (Isaís 1. 2)
O Livro de Isaías começa com um lamento do próprio Deus. E este lamento é expressão da Misericórdia divina, porque sendo Deus todo-poderoso, podia muito bem, sem ter de dar contas a ninguém, extinguir, assim de uma penada, aqueles que estão revoltados contra Ele. No caso do tempo de Isaías, o próprio povo de Israel.
Deixemos o povo de Isreal do tempo de Isaías e olhemos para o povo do nosso tempo, nós e as pessoas que nos cercam. E continua a haver multidões de pessoas revoltadas contra Deus. E o lamento feito em sonhos proféticos a Isaías, continua actual nos dias de hoje. Porque quando Deus se lamenta do esquecimento, da ingratidão dos homens, Ele apenas está avisando, em vez de nos destruir furiosamente.
Criando-nos à Sua imagem e semelhança, Deus deu-nos a liberdade do livre arbítrio. Que liberdade maior pode haver, essa de escolhermos o caminho que quisermos? Mas também, que responsabilidade acarretamos aos nossos ombros! São as escolhas que fizermos que ditarão o nosso futuro. Não só na terra, enquanto tivermos esta vida primeira, mas e sobretudo, depois, quando tivermos a vida segunda: ou na Glória de Deus ou no sofrimento do Demónio.
Deus deu-nos a liberdade de escolha, mas por causa da Sua misericórdia não nos aniquila quando nos desviamos do Seu caminho, pelo contrário, se lamenta, nos avisa. E isto porque Deus espera sempre o nosso arrependimento, a nossa entrega a Ele, até ao último momento, aquele, a partir do qual apenas recebemos o que semeamos ao longo da nossa vida.
Entregarmo-nos a Deus, não é só pedir-lhe aquilo que necessitamos mas, sobretudo, mostrarmos-Lhe a nossa gratidão por cada momento que temos na nossa vida. Se não nos esquecemos de Deus, quando as coisas nos estão adversas, também não nos esquecemos d'Ele quando as coisas nos vão de feição.
E quando as coisas não nos correm como desejamos, devemos pensar, em vez de gritarmos de revolta contra Deus, se não estamos a ser postos à prova. Se não é a nossa Fé e a nossa confiança em Deus que está a ser testada, para se tornar mais forte?
A Confiança em Deus nos vossos corações

terça-feira, 15 de julho de 2008

Mais do que a fé, o amor

Michelangelo Buonarroti (1475-1564)
Profeta Zacarias - tecto da Capela Sistina, Vaticano. 1508-1512

Cerca de meio milénio antes de Cristo, os israelitas regressaram a Jerusalém, depois do cativeiro da Babilónia. É nesta altura que o Senhor fala ao profeta Zacarias. Embora seja considerado um dos profetas menores, não deixa de ser interessante olhar o seu livro.
É um momento especial na história de Israel. No quarto ano do rei babilónio Dário, os israelitas reconstroem o Templo, e ao mesmo tempo querem o favor de Deus. Durante o tempo do cativeiro, setenta anos, jejuaram duas vezes por ano, em penitência e voto para regressar à Terra Prometida. Agora já estão lá e perguntam aos sacerdotes e profetas se devem ou não manter esse jejum para agradar ao Senhor. E Deus revela-se a Zacarias. Mostra que o jejum praticado durante o cativeiro não era para benefício de Deus, mas para benefício dos cativos. Se a comida e a bebida era para benefício de cada um, como o jejum – a ausência dessa comida e dessa bebida - podia ser benefício para Deus? Nada tinha que ver uma coisa com a outra.
E Deus revela a Zacarias o que verdadeiramente lhe agrada: “Executai juízo verdadeiro, mostrai bondade e misericórdia, cada um a seu irmão; não oprimais a viúva, nem o órfão, nem o estrangeiro, nem o pobre, nem intente cada um, em seu coração, o mal contra o seu próximo”(Zac. 7. 9-10).
Estas palavras mantêm-se válidas, milhares de anos depois de terem sido reveladas. Porque a Palavra de Deus é perene. Jesus ensina a mesma coisa e o apóstolo Paulo, na revelação do Espírito Santo, a mesma coisa fala.
Com efeito, de pouco valem os actos exteriores de manifestação religiosa - os jejuns, a frequência dos ofícios religiosos, etc – se em nossos corações não escutarmos a Palavra de Deus, não a seguirmos nem a praticarmos. De nada nos serve a Fé, se ela não for acompanhada do Amor, que é a materialização do que Deus nos ensina. A confiança em Deus, mas igualmente, a prática da Sua Vontade que é a do Amor. Amor para com Deus, certamente, mas igualmente, amor para com o próximo.
O apóstolo Paulo afirma que de nada serve o conhecimento, a cultura, ou até a profecia e a fé ou, ainda um desfazer-se de todos os seus bens a favor dos pobres, se não tiver amor. E quando fala em Amor, é o amor de dentro do coração. É o Amor da humildade, da mansidão e da concórdia. É o Amor que não se alegra com a desgraça alheia, nem divulga a malidicência e a inveja e que é paciente, sabe esperar com confiança.
Nem sempre é fácil. Nem sempre conseguimos calar os actos que são contra o Amor de Deus. Mas por isso que existe o arrependimento, a humildade de reconhecer o erro, perante Deus e os irmãos. E se pedido com coração sincero, a Misericórdia de Deus, através de Jesus Cristo, limpa as nossas faltas.

Mostrai pois, em cada dia, em cada momento, a bondade e a misericórdia. E Deus será satisfeito e abençoará, quem se importa com Ele e com a Sua Palavra.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Louvores



Louvem o nome do Senhor,
Porque só o seu nome é excelso. (Salmo 148. 13)

Louvar ao Senhor... Cantar a sua glória, mas igualmente, mostrar gratidão. Louvar implica gratidão. E gratidão é algo que muito se perde no mundo, nos dias de hoje.
Mas devemo-nos mostrar gratos a Deus por tudo: pelo dia bonito com que nos defrontamos ao sair de casa, pela amizade dos nossos amigos. Um sorriso anónimo mas puro que nos toca na rua. Um gosto de brisa fresca num dia quente de Verão. Isso é fácil.
Mas também devemos louvar pelas contrariedades, porque é com elas que aprendemos e crescemos, progredimos no nosso caminho, somos chamados a pensar sobre as coisas e a tomar novas direcções, se for caso disso. No momento das contrariedades é difícil parar. Estamos aflitos, revoltados, na verdade a nossa alma está toldada. O demónio aproveita esses momentos para fazer crescer a semente da revolta na alma de cada um de nós, até conseguir o seu objectivo principal: a revolta total do Homem para com Deus, tal como ele fez.
É pois nesses momentos, que devemos pedir a Deus, em nome de Jesus Cristo, que sejamos tocados pelo Espírito Santo, na serenidade e na sabedoria. E criarmos o espaço para reflectirmos com raciocínio sobre o que nos está acontecendo, retirarmos as nossas conclusões e louvarmos ao Senhor por nos ter dado essa oportunidade de não continuarmos cegos no nosso caminho, porventura, até nos esquecendo e afastando de Deus.
E é nestas coisas que o nome do Senhor é excelso, isto é, grande e maravilhoso, porque mesmo permitindo as contrariedades, não deixa de concorrer para o bem daqueles que O amam. E Amar ao Senhor é ouvir a Sua palavra, segui-la e cumpri-la e confiar completamente em Deus, que Ele cumpre as Suas promessas aos que O amam.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Vara de amendoeira


Veio ainda a palavra do Senhor, dizendo: Que vês tu, Jeremias? Respondi: vejo uma vara de amendoeira. Disse-me o Senhor: Viste bem, porque Eu velo sobre a minha Palavra para a cumprir (Jer. 1. 11-12)

Ao longo das nossas vidas temos momentos melhores e piores. Há dias em que as nossas almas rejubilam, mas outros, estamos caídos, sentindo-nos no fundo dos mais fundos dos escuros poços.
São aqueles dias em que nos falta a paciência para tudo. Tudo nos incomoda, tudo nos farta e ficamos cegos para as coisas boas que nos rodeia. Ficamos cegos até para os dons de Deus e fechamos o nosso coração.
São os momentos de atribulação, em que o demónio vê as brechas da nossa imperfeição e aproveita para se imiscuir e destruir o trabalho de Deus em nós. E, no entanto, o Senhor está atento. Ele não nos desampara. Nós não vimos a Sua obra, porque a tristeza e o desalento nos impedem de ver. Mas essa obra está presente.
No início do seu ministério como profeta, Jeremias é chamado pelo Senhor, que lhe pergunta o que vê. Jeremias responde que vê a vara da amendoeira e o Senhor reafirma que Ele está atento para cumprir a Sua Palavra. E a sua Palavra é a de conforto para com os que O amam.
É quando estamos mais desalentados que o Senhor mais vela pelo cumprimento da sua Palavra. Mas para isso, temos de manter acesa a chama da Fé. Não podemos deixar que, pelo nosso desalento, o demónio consiga instalar a descrença nas nossas almas, apartando da Vida em Deus.
Não é preciso grandes fórmulas para falar com Deus. Basta o nosso coração estar de verdade ansiando por Ele. Basta olhar para a vara de amendoeira e recordar com confiança a promessa de Deus de que vela pelo cumprimento da Sua Palavra. E voltar a deixar entrar nos nossos corações a beleza e alegria das flores brancas da vara da amendoeira, símbolo dos dons do Senhor...

terça-feira, 8 de julho de 2008

Equidade e Justiça

Francisco Zubaran - 'O Padre Eterno' - 1631/40. Museu de Arte Antiga de Sevilha

‘O ceptro da equidade é o ceptro do Teu Reino. Amaste a justiça e aborreceste a iniquidade.
Por isso Deus, o teu Deus, te ungiu com o óleo da alegria, mais do que os teus companheiros (Hebreus 1. 8-9)

Dirigindo-se aos judeus, o apóstolo Paulo fala-lhes de Deus, o Deus que eles sempre adoraram, que lhes deu a Terra Prometida e que, por isso, está no âmago da sua própria identidade como povo e nação. Mas Paulo fala-lhes também de uma novidade: o Filho de Deus, Jesus Cristo, de que ele dá o testemunho.
Jesus e Deus estão unidos, porque são Pai e Filho.
Nestas primeiras frases da sua Carta aos Hebreus, Paulo fala da equidade e da justiça, uma e a mesma coisa, porque agindo na equidade, age-se também na justiça.
Mas o que é equidade? No dicionário, o conceito desta palavra prende-se com os conceitos de igualdade e de imparcialidade.
Por isso, vivermos na equidade é vivermos numa relação igual para com o próximo, seja ou não nosso irmão na Fé, como para nós mesmos.
Se alguma coisa é, aos nossos olhos, reprovável ao nosso próximo, também deve ser reprovável para nós. E se uma coisa é boa para nós, também é boa para o nosso próximo.
É a atitude de concorrermos para o Bem. De cada um de nós e de nós todos.
Cristo disse: amai-vos uns aos outros, como a vós mesmos. Isto é equidade. Na única oração que Jesus nos ensinou, o Pai Nosso, pedimos a Deus que nos perdoe os nossos pecados na mesma e justa medida com que nós perdoamos àqueles que nos ofendem. Isto é um compromisso com a equidade e com a justiça. É também o compromisso com a essência do pensamento de Cristo e do desejo de Deus.
Amando esta justiça baseada no Amor de Deus, que Cristo nos legou na forma mais extrema, que chegou a dar-se a uma morte indigna e dolorosa, para remissão dos nossos pecados, então certamente que também estamos na alegria. Não a alegria mundana, espalhafatosa porém oca, mas a alegria da tranquilidade e da paz interior, que só nos advém pelo Espírito Santo.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

No grito do desespero

Terramoto de Lisboa- Gravura em Cobre, finais de Século XVIII
Uma irmã em Cristo sofreu numa semana a perda sucessiva de duas pessoas da sua família próxima e que lhe eram queridas. Num momento sentiu-se perdida e sem forças para aguentar e por coincidência, foi nessa altura que lhe telefonei. Ouvi o seu desabafo e a aconselhei o melhor que pude.
Esta situação fez-me lembrar, uma vez mais, a passagem bíblica do Livro de Job.
Job tinha uma vida boa, mas Deus permitiu que o Demónio tudo lhe tirasse, para ver como mesmo no maior do seu sofrimento, ele não abandonaria o seu Deus. E as coisas más, cada uma pior que a outra, sucederam-se na vida de Job. Perdeu os bens, os filhos foram sequestrados e perdeu a própria saúde.
No seu desespero, Job nunca blasfema contra Deus, nunca o renega, mas O interroga. Pergunta-Lhe, mesmo, que mal terá ele feito, para Deus se afastar dele assim?
É um grito, como tantos que lançamos no nosso dia-a-dia, perante os sofrimentos grandes: Onde estás meu Deus? Porque não me escutas? Porque não me auxilias? Que mal Te fiz eu a Ti?
O desespero é próprio do ser humano. É um sentimento animal: quem ainda não viu os animais em fuga desesperada perante o incêndio na floresta ou a batida dos caçadores?
É o desespero que nos leva às interrogações e, no extremo, às imprecações e, mesmo à blasfémia e ao consequente afastamento de Deus. Por isso que o nosso Amor para com Deus e a nossa confiança em que Ele em tudo concorre para o nosso bem, como afirma o apóstolo Paulo (Rms 8. 28), deve ser ainda maior que o nosso desespero.
Job lamenta-se junto dos seus amigos e um deles, Bildade, o suíta, censura Job por arguir com Deus e questiona-o se ele pensa que Deus iria perverter o direito e a justiça. E recomenda: “Mas, se tu buscares a Deus e ao Todo-Poderoso pedires misericórdia, e se fores puro e recto, Ele, sem demora, despertará em teu favor e restaurará a justiça da tua morada”. (Job 8. 5-6).
É pois, esta, a resposta ao nosso grito de desespero: em vez de revoltarmo-nos contra Deus e de nos sentirmos alvo de injustiça, que apenas nos leva ao deserto estéril, se nesse momento de crise, mais O buscarmos, mais nos apegarmos a Ele, pedindo-lhe a graça da Sua Misericórdia, mantendo a nossa postura de Seu amigo, com a pureza e a rectidão das nossas almas, com a certeza de que Deus, nos envia o Seu Consolador para nos dar as forças que necessitamos.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Fazer ao próximo, fazer a Deus

Liz Lemon Swindle - Deixai vir a Mim as Crianças

"Todo aquele que receber uma criança em Meu nome é a Mim que recebe. E quem Me receber, não recebe só a Mim, mas também Aquele que Me enviou". (Marcos 9 37.)
Esta é uma das mensagens mais bonitas do Evangelho. Porque fala da difícil tarefa da aceitação. Os discípulos vinham pelo caminho discutindo entre eles qual seria o mais importante. Jesus, apercebendo-se dessa querela, responde-lhes que os primeiros serão os últimos e os últimos os primeiros. Ou seja, que a Deus agrada a humildade e não a arrogância. E de seguida, Jesus, apontando para umas crianças, diz que quem receber uma criança em Seu nome é a Ele que recebe e ao mesmo tempo Aquele que O enviou, Deus-Pai, porque o Pai e o Filho são um único.
Jesus vai buscar a comparação com as crianças, porque são os seres mais indefesos e também aqueles que menos se escuta. E a criança é todo o nosso irmão, em especial aquele que sofre e está pior que cada um de nós. Não só fisicamente, mas, sobretudo, espiritual e moralmente e, mesmo materialmente. E, apesar da sua condição, em nome de Jesus e porque seguimos a Sua Palavra, não o tratamos com desprezo, mas com o respeito e Amor cristão.
Nem sempre tal atitude é fácil, mas também, se o fosse, Jesus não a citaria. A Lei Antiga, de Moisés, diz 'amarás o teu amigo como a ti mesmo. Mas hoje dou-vos um mandamento novo: amarás o teu próximo como a ti mesmo. (Mateus 22. 34-40).
Do modo como actuamos com os outros é o mesmo modo como actuamos com Jesus e, por Ele, com o próprio Deus. Não ajudamos apenas os irmãos, mas também a Jesus e a Deus, dando testemunho vivo da nossa Fé e, consequentemente, da nossa postura como seguidores evengélicos de Cristo.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Abandonar a Deus


Rembrant, 1606-1669. O Regresso do Filho Pródigo - 1669

'Quando abandonardes o Senhor, para servir a outros deuses, Ele voltar-se-á contra vós e far-vos-á mal e consumir-vos-á, depois de ter feito o bem' ( Jos. 24. 20).

Quase no final do Livro de Josué, ele escreve este diálogo com o Povo de Israel, recomendando fidelidade a Deus.
Ele fala do castigo de Deus se, depois de O aceitarmos na nossa vida, escolhemos abandoná-l'O. Parece ser uma contradição à ideia de um Deus misericordioso, disposto a perdoar os nossos pecados. Mas não é.
É um facto que não somos perfeitos e muitas vezes caímos e entramos por maus caminhos. Faz parte da fraqueza da natureza humana. Muitas vezes fazemos actos de pecado por influência do demónio e são actos de momento, quase sem pensar: é aquele momento que dizemos uma pequena mentira porque temos medo, em que negamos a aceitar a verdade sobre nós mesmos, em que damos largas à bisbilhotice e escárnio sobre os outros, em que aproveitamos a distracção do outro para levarmos a nossa avante à sua custa, à custa do seu prejuízo. Mas esses são os pecados em que - dando-nos conta de que errámos, nos arrependemos sinceramente, procuramos reparar o mal feito, assumindo as consequências dos nossos actos mal-pensados e procurando não os repetir - Deus nos dá a benção da misericórdia do Seu perdão.
Devido a tantas coisas que o demónio põe nos nossos caminhos, podemos afastarmo-nos de Deus, mas no entanto, no mais profundo da nossa alma deixamos Ele estar presente. Até isso Deus nos perdoa, quando decidimos voltar, como na parábola do filho pródigo (Lucas 15. 11-32).
Mas já muito diferente, é trairmos a Deus, conscientemente abandonarmos os Seus caminhos, deixar de O amar, escolher outros 'deuses' a quem voltamos a nossa atenção. É pormos Deus de lado, como se ele não existisse mais. É negá-l'O. Não só nas palavras, mas no nossos actos e, sobretudo e ligado às palavras e aos actos, no nosso espírito.
É quando nos rendemos ao mundo: é a 'loucura' pelo futebol ou qualquer outra actividade mundana, o centrarmos no dinheiro e no seu ganho todos os objectivos da nossa vida, deixando de tomar qualquer limite ético para o obtermos. Ou tornarmos o sexo a única razão da nossa vida e das nossas relações, sem nos importarmos com os sentimentos. E blasfemar e maldizermos a Ele. Aí, se lhe voltamos as costas e O desprezamos, porque havemos de esperar continuar a receber as Suas bençãos?

terça-feira, 24 de junho de 2008

O erro da riqueza material


Hieronymus Bosch (c. 1450-1516). A Morte e o Avarento (c. 1490).
Óleo na madeira (93 x 31 cm) - National Gallery of Art, Washington

A vida não é fácil. Todos os dias somos confrontados com desafios de uma e outra ordem. Numa sociedade onde, praticamente, tudo é mediado pelo dinheiro, e onde as necessidades são sempre maiores que os recursos, a questão financeira, é uma fonte de preocupações e absorve grande parte dos nossos esforços e dos nossos pensamentos. Muitas vezes, apenas por uma questão de sobrevivência.
Quando na Igreja ouvimos falar na abundância de Deus para com os Seus filhos, muitas vezes somos tentados a confundir as coisas. Na realidade, Deus não tem nenhum saco de dinheiro que derrame sobre quem acredite n'Ele e viva com fé e piedade.
A abundância de Deus é uma abundância espiritual. Os Seus dons, são dons do espírito. Os dons da misericórdia, da tranquilidade, da Paz e da Força interiores, por exemplo. Jesus Cristo falou-nos num viver sem cuidado com os bens materiais, porque tudo nos chegará jà justa medida do que necessitamos. Mesmo, Ele disse para darmos a César o que era de César e darmos a Deus o que é de Deus. Como vai, então, Deus, dar-nos o que é de César? Jesus, ainda, quando interrogado por Pilatos e por Herodes, apenas disse que o Seu Reino não era deste mundo.
O que Deus, por meio de Jesus, nos fala é da riqueza espiritual. E sendo-se espiritualmente rico, tem-se o resto por 'acréscimo'. Porque seremos mais sensatos, mais generosos. E com uma alma generosa, a mais pequena migalha é uma fortuna, enquanto que com uma alma avarenta, nem a maior fortuna do mundo é suficiente. Porque teremos uma outra visão para com o que nos rodeia: a visão da gratidão, que valoriza as pequenas coisas e nos torna felizes por as podermos usufruir.
Ser pobre, como Jesus Falou, é dever largar todos os bens que temos? Não. Mas é saber partilhá-lhos de alma alegre quando a tal formos solicitados, na certeza que Deus também não nos desampara. Se temos, por qualquer razão muitos bens, mais do que o comum das pessoas e mais do que necessitamos, os devemos conservar, num espírito de justiça: se por um lado cuidando deles, pelo outro sermos desprendidos em relação a eles. Se por um lado fazermos com que eles cresçam, pelo outro, partilhá-los na misericórida e como instrumentos do Bem. Mas sobretudo, este sermos pobres é fecharmos a porta ao orgulho, à arrogância, apenas porque temos mais bens materiais que os outros. Do mesmo modo, que fecharmos a porta à inveja e à ganância, se temos menos bens que os outros. Em ambos os casos, entregarmos nas mãos de Deus as nossas vidas, para que Ele nos ajude a termos um equilíbrio que nos faça verdadeiramente sentir felizes.
'Dou continuamente graças a Deus a vosso respeito, por causa dos dons que ele vos concedeu, por meio de Jesus Cristo. Pela união com Ele, tornaram-se ricos em tudo: na aceitação total da Palavra de Deus e no conhecimento perfeito da mesma. Uma vez que a mensagem de Cristo está arreigada em vocês, já nenhum dom vos faltará, enquanto esperarem a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo'. (I Coríntios, 1, 4-7) .

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Clamando da dor

(William Blake- Londres 1757-1827. O demónio espalha a lepra sobre Job)

Job tinha tudo quanto era de bom e o demónio, para o tentar, ver se ele maldizia a Deus, por ser justo e temente ao Senhor, tudo lhe retirou: as riquezas, a família, a saúde.
O terceiro capítulo do Livro de Job conta as suas lamentações. São 26 versículos que mostram todo o sofrimento de um homem. Ele tem dores, dores de sentimento pela morte dos filhos, da sua família, dores físicas da lepra que o atinge. Vê a degradação: vive agora na maior das misérias e vê o seu corpo apodrecer. Ele é um homem profundamente deprimido. E deixa-se levar por essa depressão num queixume. Maldiz a hora em que nasceu, considerando que era preferível nem ter sido concebido ou ter morrido logo à nascença. No seu desespêro, chega a amaldiçoar o últero que o gerou e o peito que o amamentou.
Grita que se estivesse morto, estaria melhor, porque estaria descansando.
Quantas vezes, este discurso não toma posse de nós, quando nos enfrentamos com as dificuldades que no momento nos parecem impossíveis de ser resolvidas?
Quantas vezes não somos tomados por este sentimento de desalento, este desejo de tudo abandonar e deixar que a morte nos tome?
Job não invectiva Deus, não se rebela contra Ele. Apenas questiona-se sem entender. E nós? Para os ateus, nem é preciso rebelião contra Deus, porque não acreditam n'Ele. A rebelião já é permanente. Mas nós que nos intitulamos cristãos, quantas vezes não nos revoltamos e culpamos Deus pelo que nos sucede? Mas, a verdade é que, na maioria das vezes, o que nos acontece de mal é apenas fruto do homem e da sua maldade, instigado pelo demónio.
Apenas na doença e, mesmo assim, nem em todos os casos, é que o sofrimento não é causado directamente pelo ser humano. Mas mesmo na doença, muitas vezes, ela resulta da forma como ao longo da vida maltratamos ou nos maltratam o nosso corpo, esquecidos que ele também é um dom de Deus: são os excessos de comida e de bebida, as dietas erradas, os excessos de trabalho, de stress, o fumo, a promiscuidade, enfim, um sem-número de atitudes erradas e pelas quais mais cedo ou mais tarde o corpo pagará. E como o corpo, também, muitas vezes o espírito e a mente.
No que nos ultrapassa, é onde devemos ter a humildade de aceitar e de transformar esse sofrimento em algo de positivo, na sua oferta pela expiação dos pecados, nossos ou, num gesto de amor maior, dos outros. Tal como Cristo, que aceitou morrer na cruz pela nossa salvação.
Voltemos a Jod: ele é o exemplo do homem sofredor, mas que, embora lamente a sua sorte, não levanta a voz contra Deus, nem o culpa de nada.
Ele é o exemplo de como quem tem um coração em justiça, pureza e preserverança em Deus, leva a melhor às tentações e traições do demónio.
Um exemplo com milhares de anos, mas vivamente actual nos dias de hoje.

Que Job seja um exemplo do nosso amor incondicional a Deus, por muito más que sejam as nossas condições. De paciência para com as adversidades e confiança em Deus e no Seu poder, que concorre para o nosso bem.

Amor de Deus nos vossos corações

terça-feira, 17 de junho de 2008

Tempo para trabalhar, tempo para orar - II


(Johannes Vermeer - Cristo em casa de Marta e Maria. 1654/55)

Enquanto Cristo e os discípulos, estão em casa de Marta e Maria, irmãs de Lázaro, Marta está ocupada com os afazeres da casa; escolhera assumir a tarefa de bem receber fisicamente a Jesus e os discípulos. Mas, no seu íntimo, embora animada no início de boa-vontade, ela vai deixando a revolta tomar conta dela. É uma tentação que está sofrendo. E que deixa crescer. Na realidade, ela está a perder a alegria do que está fazendo. Olha para a sua irmã e sente-se injustiçada. Reclama e Jesus, de certo modo, repreende-a. Porque Marta, ao concentrar-se, preocupar-se demasiado com as coisas acessórias, está perdendo a melhor parte: tanto perde a oportunidade de ouvir a prestar atenção na Palavra da Vida, como perde a alegria de fazer as tarefas com gratidão e generosidade.
Encararmos o nosso trabalho com generosidade e com alegria é também uma forma de orarmos, de mostrar que estamos gratos a Deus por ter esse trabalho, por muito humilde que seja. Estarmos gratos por Ele nos permitir ter um sustento e, também por, através dele, podermos ter a oportunidade de sermos exemplos vivos da Mensagem de Cristo.
Aceitar o trabalho é aceitar a Deus e o que Ele nos dá. Porque se esse trabalho está nas nossas mãos, é porque é essa a Sua Vontade e é ali que devemos dar o testemunho. Mas também precisamos de entender a revelação de que em que sentido Deus quer que dêemos esse testemunho.
No entanto, aceitarmos com humildade e alegria o trabalho que temos, não significa estagnarmos e não tentarmos progredir. Não. Significa, isso sim, é entregarmo-nos devotadamente à nossa tarefa, mas sem descartar a procura de melhores condições de vida e de sustento. Mas que essa procura seja na benção de Deus, sem prejudicar ninguém. Sem atropelos, sem prejudicar os outros, criando-lhes ciladas, usando ardilosidades, por isso é alegrar o inimigo de Deus.

Paz e tranquilidade de Deus em vossos corações

Tempo para trabalhar, tempo para orar - I


(Gerrit van Honthorst - Infância de Cristo - 1620)

Há uma passagem do Evangelho de Lucas que nos traz perante um problema, muito actual hoje: "Não tenho tempo. Tenho tanto que fazer, que não tenho tempo para ir à Igreja, para orar, para ler a Bíblia"... Enfim, um sem-número de coisas que são deixadas pra trás. Essa passagem é sobre a visita de Jesus a casa de Marta e Maria, irmãs de Lázaro.
Marta está atarefada com as lides da casa para receber Jesus e os discípulos. Ela cozinha, ela buscar a melhor toalha, ela vai buscar os pratos. Vai na cozinha ver a comida que está ao lume. Verifica se os temperos estão no ponto. Anda num rodopio.
Enquanto isso, sua irmã, Maria, fica apenas junto de Cristo, ouvindo-o. Como se nada mais aeixtisse no mundo. Marta fica revoltada: sobre ela está recaindo o trabalho todo e a irmã não a ajuda. Protesta, diz a Jesus que repreenda Maria e a mande ir ajudar nas lides. Mas Jesus responde que, das duas irmãs, Maria é a que fica com a melhor parte (Lucas 10 38.42)
Está Jesus promovendo o desleixo, o egoísmo do deixa andar para os outros as tarefas desagradáveis, que eu estou aqui muito bem nas minhas orações? Não. O que Jesus quis dizer é que há um tempo para tudo e, também, que o trabalho deve ser aceite com gratidão e não com a revolta.
Ser cristão toma demasiado tempo? Não, de maneira nenhuma. Certamente que há que se investir no conhecimento da Palavra de Deus. É como o semear, para depois colher, sendo que a colheita é maior que a sementeira.
Na realidade o Cristianismo é básico e tenho ultimamente falado muito desse ponto: Amar a Deus acima de tudo e Amar o próximo como a nós mesmos. Depois, é tudo uma questão de atitutde e, essa, não ocupa tempo. O primeiro passo está dado: eu quero aceitar Cristo na minha vida. Então, tenho de agir em conformidade. É uma mudança de atitude, o abraçar do 'homem' novo de que fala o apóstolo Paulo. Esta vontade de ser amigo de Deus, pela aceitação de Cristo como modelo de vida, é abrir a mente à confiança em Deus, no Seu Poder, na Sua Misericórdia e que tudo isso concorre para o nosso bem, porque já demos aquele primeiro passo de aceitação e abrimos nosso coração para recebermos o Espírito Santo.
Deus fala-nos constantemente pelo Espírito. Não é no sentido de ouvirmos vozes, mas no sentido de termos 'revelações' pelos actos, palavras, acontecimentos, que de certo modo respondem às nossas necessidades espirituais e não só. Mas o local por excelência para encontrarmos a Palavra de Deus dirigida às nossas pessoas é na Sagrada Escritura, o Velho e Novo Testamento, nas cartas inspiradas de Paulo às diversas igrejas, nos Actos dos Apóstolos, na visão do Apocalipse de João.
Pessoalmente, tomei o hábito de orar brevemente a Deus para que Ele, através do Espírito Santo, guie a minha mão e abro a Bíblia 'ao calhas'. E ler com atenção o que me é dado a ler. Num dado momento, está ali, perante os meus olhos e o meu entendimento a frase, a ideia que me dá a resposta pela qual a minha alma anseia. É isto a revelação de Deus através do Espírito Santo. Mas outras formas há, segundo o entendimento de cada um, porque Deus é imenso.
Na realidade, neste pequeno/grande passo diário, que não demora mais de cinco minutos, que recebo a semente espiritual. Depois, é esta frase que me guia, nos meus pensamentos, quando a minha mente está 'ociosa' do trabalho. Concentro-me no meu trabalho, com certeza, e ele é-me muito absorvente. Mas há sempre aqueles momentos de ir tomar um café, de ir beber uma água, de ir a outro departamento, normalmente noutro andar. E são nesses momentos ao longo da jornada de trabalho que, em vez de pensar em coisas fúteis e na vida dos outros, penso naquilo que li na manhã, 'converso' um pouco com Deus, isto é, oro a Ele.
Lembremo-nos ainda que Cristo, até aos 30 anos, trabalhou na carpintaria de José, seu pai adoptivo. E não foi por isso, pela execução do trabalho, que se afastou de Deus-Pai. Também aqui Ele nos é exemplo de vida.

Tempo de Deus em vossos corações

domingo, 15 de junho de 2008

A Sabedoria não se manifesta a grande número

(O Semeador - Theo van Gogh, Arles, 1888)


'Vai ao encontro da sabedoria como aquele que lavra e semeia,
e espera pacientemente os seus bons frutos.
Custar-te-á um pouco de trabalho a sua cultura,
mas em breve, comerás dos seus frutos'
(Ecli.6 19-20)

A sabedoria que emana de Deus está ligada à paciência e ao trabalho em a obter. Ir ao encontro desta sabedoria é, por um lado, o trabalho de ler a Palavra, de meditar sobre ela, porque é semente que dá fruto em campo que esteja regado e adubado (Mateus 13. 3-9). O pensar sobre a Palavra e aceitá-la é o adubo e a rega da terra que faz a semente frutificar e crescer cada dia mais forte. Ir ao encontro desta sabedoria é, pelo outro lado, cultivar a paciência e paciência significa confiança, fé. Confiança de que se cumprirá o que Deus prometeu através de Seu filho. Mas também paciência para escutar a Sua voz em nossos corações. Calar as vozes mundanas e criar o silêncio espiritual, no qual se ouvirá a voz de Deus e se entenderão os sinais que Ele nos envia, para o nosso bem, para sabermos e termos forças de seguirmos o caminho que conduz ao Bem.
Cultivar, no sentido literal da palavra, é um trabalho lindo mas árduo: a terra tem de ser preparada até ficar fôfa e em condições de receber a semente. A semente é posta e coberta de terra, mas na sua justa medida: nem demais que fique atrofiada, nem demenos que o vento ou os pássaros a levem. E depois tem de ser regada, na quantidade justa também, para não apodrecer por excesso de água ou secar por falta dela.
Assim também devemos cuidar da nossa vida Cristã. Preparar a terra é predispormos a aceitar a Palavra, a aceitar o compromisso da vida em Cristo. E aceitar compromissos não é fácil. Temos de lutar tantas vezes contra o nosso comodismo e a nossa razão mundana, na verdade assente nesse comodismo. A Palavra está ao nosso alcance, todavia, e essa é a parte mais fácil: basta a ler ou a escutar. Cobrir a semente de um pouco de terra, é o pensarmos sobre essa Palavra, o que a mensagem de Cristo significa para cada um de nós, junto de nossos corações e a forma como a aceitamos e a praticamos com verdade e sinceridade. Regar a jovem plantação é a oração, a sós ou em comunidade, o adubar as jovens plantas é o estudo da Palavra de Deus, de forma que a compreendendo melhor, mais se desenvolva em nossos corações. E os frutos são as graças que Deus nos dá, porque cuidamos da Sua semente.
Nesta passagem do Eclesiástico, é afirmado que, no entanto, o ignorante foge da sabedoria porque ela é um pesado fardo para ele. É o caso daqueles que podem aceder à graça de Deus e somos todos - mas a quem falta a vontade de a aceitar. A insensatez mundana é-lhe muito mais agradável. Tem os seus frutos no imediato: mas ou são frutos verdes e ácidos ou frutos podres que fazem adoecer. Ou, ainda, frutos estéreis, até de bonitas cores, mas sem sabor e sem futuro, que apenas conduzem ao vazio. Ao vazio do coração, ao vazio do espírito. E nada é mais terrível, mais insuportável que este vazio sem sentido e sem ser enchido pelo Espírito Santo.
Saibamos e procuremos, pois, acolher a Sabedoria, 'porque a sabedoria que instruí é fiel ao seu nome, não se manifesta a um grande número, mas, naqueles que a conhecem, permanece até à presença de Deus' (Ecli 6. 23).

Paz em vossos corações abertos à Sabedoria de Deus

sábado, 14 de junho de 2008

Na escolha do caminho



(Banquete e orgia romanos, na visão de C. De Mille, no filme O Senhor da Cruz (1932)

'O Senhor olha atentamente para os caminhos do homem
e observa todos os seus passos.
O ímpio é presa das suas próprias iniquidades,
é ligado com as cadeias dos seus pecados.
Perecerá porque não recebeu a correcção
e perder-se-á pelo excesso da sua loucura'
(Prov. 5. 21-23)

Uma ameaça? Deus faz uma ameaça? Não, Deus apenas nos avisa que os nossos actos terão a sua consequência. Se agirmos correctamente dentro da ética, os nossos actos, qual uma árvore, darão bons resultados. Porém, se agirmos no mal, também a maldade dos nossos actos recairá sobre nós mesmos. No entanto, somos livres de escolher.
O Cristianismo é um estilo de vida. Desafiador. Comprometedor. Obedece a regras, na realidade apenas duas e tão intensas que cobrem tudo: Amar a Deus e Amar os outros, à luz da vontade divina transmitida por Jesus Cristo.
Como cristãos emprenhados devemos evitar a iniquidade. Não podemos evitar as tentações. Elas são os desafios que põem à prova a nossa coerência. Não é a tentação que é pecado. É o ceder a ela. Mas é possível uma pessoa opor-se à tentação? Claro que sim. Não é fácil de modo algum. Por isso que devemos orar a Deus e contar com a Sua ajuda, para que o Espírito ocupe os vazios da nossa alma que estão sujeitos à tentação. De certo modo, é essa a correcção de que fala o provérbio: a força de entender o que está mal, e a força maior do arrependimento, de fechar as portas à tentativa do demónio em corrompermo-nos e, deste modo, destuir a Obra de Deus.
Termos a consciência viva e lúcida e termos a coragem de entendermos, quando estamos a trilhar o caminho errado, que temos de mudar o nosso itinerário. Mudando, não só de atitude, mas também pela humildade de reconhecer que nada somos, que precisamos de Deus e da Sua Palavra como o pão de cada dia. Mudando pela humildade de pedirmos o perdão. E nessa humildade, seremos exaltados perante Deus. Porque se o nosso arrependimento for sincero, ainda que tenhamos de sofrer consequências pelos nossos actos, Deus nos dará o benefício da Sua Misericórdia e com esse benefício as forças suficientes para passarmos à frente, sendo apagadas as nossas faltas, aos Seus olhos. É o milagre da Redenção, do qual não devemos temer. É a oportunidade, em cada dia renovada, de renascermos como um Homem Novo, de que fala o apostolo Paulo. Por isso que Cristo veio entre nós e nos ensinou apenas uma oração: de glória a Deus-Pai, de cumprimento da Sua vontade, de confiança total no Seu auxílio, de perdão de nós para com os que nos ofenderam e de pedido que nos evitar da Tentação e do Mal.

A Paz de Deus em vossos corações

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Mente positiva


Empenhados no sentir de Cristo nas nossas vidas, é bom louvar a Deus. É um acto de amor. Qual é o apaixonado que não destaca as qualidades da sua amada? Amar a Deus acima de todas as coisas é o primeiro mandamento, a que se segue o de Amar o próximo como a nós mesmos.
Então, há o Amar a Deus, o amar a nós mesmos - isso é muito importante - e o amar o próximo.
Amar a nós mesmos, não é o orgulho na nossa pessoa, o narcisismo. Isso é a armadilha do demónio para nos desviar do verdadeiro amor por nós próprios. O Amor a nós próprios deve partir de que fomos criados à Imagem de Deus. Somos também uma obra Sua, como o resto da Natureza e nesse modo, devemos cuidar e perservar o que Deus tão gratuitamente no dá. Cuidar fisicamente, de forma a mantermos tanto quanto possível uma boa saúde e cuidar espiritualmente, de forma a procurarmos estar na Graça de Deus. Mente sã em corpo são. O aforismo dos romanos pagãos, mantém-se válido para o cristão, porque em nada interfere com a sua fé. E o amor cristão a nós próprios é ter uma mente positiva. Porque temos a arma da Fé em Deus, porque é nossa convicção de que Ele cuida de nós, como o Bom Pastor. E é esta mente positiva que devemos ter para com o próximo, para o amarmos, do mesmo jeito que Cristo nos amou.
Ter uma mente positiva é afastarmos de nós o desalento pela descrença, a inveja em relação ao nosso próximo, a malidicência em relação a quem nos rodeia. Ter uma mente positiva é também o primeiro passo para o Espírito Santo entrar em comunhão com o nosso espírito e nos encher das graças por tudo o que Deus nos dá, por pequeno que seja. Ter uma mente positiva é, finalmente, abrirmos a porta para darmos e recebermos a Misericóridia.
E o Amar a Deus e ao nosso irmão, finalmente, combina-se numa acção: darmos louvores a Deus pela fé dos nossos irmãos, ( II Tessa. 1. 3) que igualmente alimenta a nossa fé, dando corpo e sentido à Igreja enquanto Assembleia do Senhor.
Paz de Deus em vossos corações.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Enfrentar as dificuldades


Ser-se cristão, não é ter a vida transformada num 'mar de rosas', como um passe de magia. Bem pelo contrário: é trilhar o caminho estreito e pedregoso. O cristão tem todas as dificuldades que o resto do mundo tem: dificuldades de saúde, laborais, financeiras, familiares, existenciais. Enfim, tudo o que acontece a qualquer ser humano.
Mas o cristão tem mais: tem uma poderosa arma que o faz ter uma atitude diferente perante a adversidade. E essa arma é a Fé. É a esperança. É a confiança de que Deus ajuda quem O ama. Não se vai amar a Deus para Ele nos ajudar. Não. Isso é ser-se interesseiro e consequentemente, hipócrita. Ama-se a Deus de qualquer jeito, porque se Lhe tem amor: em qualquer momento, seja de glória, seja de provação. E Ele nos responderá, segundo a sua Justiça e a veracidade da nossa fé.
Ser-se amigo de Deus não é estar como que numa redoma de vidro, protegido do sofrimento. É enfrentar o sofrimento com uma outra atitude. Enfrentar o sofrimento com paciência, na certeza da esperança e na certeza de que tudo o que Deus faz e permite, não está acima das nossas forças e concorre para o nosso bem. O sofrimento existe. É um facto. Mas se o olharmos como Job, uma prova à nossa fé em Deus, não como um fardo mas o aceitarmos como uma oração que oferecemos a Deus - daí a paciência - para bem de nós mesmos e das pessoas por quem oramos, então esse sofrimento já é 'positivo', porque positiva é a atitude com que o tomemos.

'Não é o sofrimento que glorifica a Deus, mas uma atitude santa diante do sofrer que agrada ao Senhor e lhe traz glória (Joyce Meyer - O Campo da Batalha da Mente, p. 253), referindo-se à passagem em 1 Pedro 2. 19-20).

Todavia e ainda assim, no sofrimento, Deus nos manda o Consolador: o Espírito Santo que nos ajuda quando estamos mais fracos (João 14. 16-17). Que nos ajuda com a voz interior, como também nos ajuda guiando a nossa mão para a passagem bíblica que tem a resposta certa ao nosso momento; que nos ajuda com o irmão que nos dá a palavra certa ou que, pelo menos, ouve pacientemente o nosso desabafo; que nos ajuda com o acontecimento inesperado que responde à nossa prece. Mas sobretudo, e mais importante que todo o resto, o Espírito leva a nossa súplica junto de Deus. E Deus, pelo Espírito, vê dentro de nossos corações. E Deus dispõe tudo para o bem daqueles que O amam e que Ele chamou, segundo o Seu plano (Rom, 8. 18-28), mesmo que na altura não entendemos esse plano.

Mas, mesmo não entendendo o Seu plano, é nosso dever como crentes em Deus, de manter a Fé n'Ele. E de ter a paciência de aceitar a Sua vontade. 'Pai, faça-se não a minha, mas a Tua vontade' (Mt 26, 36-46). O próprio Jesus, no Jardim das Oliveiras, antes de ser entregue para ser crucificado, põe todo o seu futuro, não nas próprias mãos, mas nas mãos do Pai. Humildade e paciência na aceitação do sofrimento. Num sofrimento que Ele não merece, mas que aceita por todos nós, para nos salvar, segundo o plano de Deus-Pai.

Somos, pois, tocados pelo sofrimento como o resto da humanidade. Porém, como os primeiros mártires do Cristianismo, que louvavam e cantavam ao Senhor Deus, na arena do circo, rodeados das feras e dos atacantes, sabendo que o suplício e a morte eram certos, assim nós que também nos dizemos cristãos, devemos enfrentar esse sofrimento, cada vez mais firmes na Fé. E Deus, assim agradado, assim se lembrará de nós...


Paz e paciência misericordiosa em vossos corações.

domingo, 8 de junho de 2008

Compromisso e suporte


'Irmãos, tenham cuidado para que não haja ninguém, entre vocês com um coração tão malvado e descrente que se afaste de Deus Vivo. Pelo contrário, animem-se uns aos outros continuamente, enquanto dura o dia de 'hoje', de que fala a Sagrada escritura. Procedam assim para evitar que alguns de vocês se deixe levar pela sedução do pecado. Na realidade, nós estamos ligados a Cristo e havemos de continuar, se mantivermos firmes até ao fim a confiança que tínhamos no princípio' (Hebreus 3 12-14)

Amar a Deus, segundo os princípios que Jesus Cristo, Seu Filho, nos legou é um compromisso que tomamos nas nossas vidas, enquanto cristãos convictos.
Hoje é muito comum as pessoas dizerem 'sou católico não-praticante'. Mas não é só nos católicos que encontro esta expressão: também entre os islâmicos, entre os judeus, mesmo entre os que de dizem pertencer às igrejas reformadas e oficiais. Mas isso, em termos de Fé, não é nada. 'A circuncisão - sinal de pertencer à religião judaica, correspondente ao baptismo cristão - é, na verdade proveitosa, se tu guardares a lei: se, porém, transgrides a lei, a tua circuncisão torna-se em incircuncisão' (Rom. 3. 25)
Podemos historicamente encontrar uma explicação para essa atitude, tal o comprometimento das religiões oficiais com o Estado e o Poder.
Mas isso não interessa a Deus pra nada e revela uma hipocrisia que Ele abomina. Sejamos misericordiosos: ser-se de qualquer religião, mas não praticante revela, pelo menos, uma total ignorância, porque queremos acreditar que quem tal afirma até nem conscientemente por mal que toma esta atitude. Não faço julgamentos. Isso é um assunto do Senhor e é a Ele que compete decidir segundo a Sua justiça.
De qualquer modo, nesta carta aos Hebreus, Paulo chama a atenção para a necessidade do compromisso pessoal de cada um de nós para com o amor a Deus. Mas um compromisso a sério e empenhado. E os compromissos nunca são fáceis, sobretudo quando o demónio procura por todos os meios destruir a Obra de Deus junto dos homens. Muitas vezes, somos tomados de um excesso de auto-confiança e acreditamos que sozinhos conseguimos dominar a situação e, neste caso, não nos afastarmos de Deus.
Puro engano!
Uma caminhada solitária custa sempre mais do que uma caminhada em conjunto, em que todos os elementos do grupo se inter-ajudam, se incentivam mutuamente.
Por igual nos caminhos da Fé. Cristãos, membros de uma comunidade, precisamos uns dos outros para nos encorajarmos uns aos outros, sobretudo quando a nossa fé vacila, devido às tentações que o demónio nos põe pela frente.
Estas tentações, por vezes, são coisas bem subtis, que quase nem demos por elas e quando abrimos os olhos, já estamos envolvidos no pecado, no comportamento impróprio de quem quer ser Amigo de Deus.
Enquanto cristãos, não devemos cerrar os ouvidos às palavras dos irmãos na Fé, nem a boca, quando os irmãos na Fé precisam de nos ouvir e para tal somos inspirados pelo Espírito Santo.
E quando temos que repreender, fazer uma chamada de atenção, que o façamos sem ofender, mas com Amor. E se não soubermos como falar, pelo menos oremos ao Senhor pra que encha com o seu Espírito os vazios espirituais do irmão que enfrenta a tempestade da vacilação.
Todos nós precisamos uns dos outros, segundo os dons que cada um está habilitado a partilhar. Todos nós, no compromisso cristão, temos o dever de partilhar os nossos dons. Porque todos somos parte de Cristo e Cristo está em cada um de nós. Estamos ligados a Cristo, como diz Paulo. E essa ligação não se rompe enquanto nos mantivermos firmes na fé.
Cristo disse que quando estivesssemos reunidos em Seu nome, Ele estaria no meio de nós. Assim, quando nos juntamos com os nossos irmãos para animarmo-nos mutuamente na fé e para vencer as tentações, é Jesus que está ali, no meio de nós. É o seu Espirito que nos unde, nos ilumina, nos consola. É nesta união da fé que se revela do Consolador, que jesus nos legou após a sua Ressurreição.
Aminemo-nos, pois, mutuamente. Se Jesus é o Bom Pastor, que cada um de nós seja, ao mesmo tempo, a sua ovelha que lhe escuta e vai ao encontro da Sua Voz e o cão de guarda que ajuda o pastor a defender o rebanho do ataque dos lobos que o rondam.
Paz e Misericórida de Deus em vossos corações.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Louvar o Senhor com as migalhas do dia -II


(“O Milagre dos Pães e dos Peixes”, (520 d.C.) Mosaico; basílica de Santo Apolinário, o Novo, Ravena)


Louvar ao Senhor com gratidão, é bom: enche a nossa alma e trnasforma-nos, tornando-nos mais atentos para o que de bonito, por mais simples que seja, está à nossa volta.
É como um exercício constante e o atleta que tem mais chances de vencer as provas é aquele que se treina diariamente e não propriamente, o indivíduo que fica todo o dia sentado no sofá a olhar a televisão.
Mas louvar ao Senhor, por si só, não chega. É bom, mas fica aquém do que completa a dimensão do verdadeiro crente. Por isso que o salmista do Salmo 100 afirma: 'Seguirei por caminhos rectos'.
Seguir por caminhos rectos é uma escolha e para quem escolheu Cristo como modelo de vida é seguir, simplesmente, os caminhos orientadores definidos por ele: '"Escuta Israel! O Senhor nosso Deus é o único Senhor. Ama o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todo o teu entendimento e com todas as tuas forças". E o segundo em importância é este: "Ama o teu próximo como a ti mesmo". Não há nenhum mandamento mais importante que este' (Mateus 12 29-31).
Amar a Deus e ao próximo implica seguir os caminhos da rectidão. Para com Deus e para com os homens. A Ele, evitar faltar-Lhe ao respeito, evitar desafiá-Lo, evitar não confiar n'Ele. Para com os homens, evitar fazer coisas deliberadamente para prejudicar o nosso irmão e evitar de não o socorrer quando ele, pelo menos, nos bate à porta a pedir auxílio.
As orações de louvor e os actos. E com os actos sermos exemplos vivos de irmãos de Cristo para todos os homens.
Nem sempre é fácil. Precisamos da preserverança e da paciência. Precisamos de encarar a adversidade com a atitude da aceitação: aceitação na paciência e aceitação na confiança completa em Deus e no seu auxílio. Não é o sofrimento em si que nos traz a glória dos mártires, mas esta aceitação na paciência. É com a paciência e a aceitação que venceremos. Bem aventurados os pacíficos, porque possuirão a terra.

Que esta paciência e aceitação da adversidade, estejam presentes quando orarmos ao Senhor a pedir forças para enfrentarmos os desafios que se nos põem à frente.

Paz e Amor de Deus em vossos corações.

Louvar o Senhor com as migalhas do dia - I


Cantarei a graça e a justiça,
a Vós, Senhor, entoarei salmos
Seguirei por caminhos rectos,
Oh Quando vireis a mim?
(Salm. 100. 1-2)

Louvemos ao Senhor, diz o salmista. Caramba! É preciso tanto louvor ao Senhor? É preciso bajulá-lo tanto?
Quantas vezes nos nossos momentos de desânimo, de tentação, não fazemos este tipo de perguntas?
Se Deus fosse um humano igual a nós, que com frequência nos deixamos ofuscar pelo nosso orgulho, possivelmente Ele apreciaria a nossa bajulação, mesmo que ela fosse apenas da boca para fora. "Não importa que falem bem ou mal de mim; o que importem é que falem"!
Mas não. Felizmente, Deus não é humano nem está corrompido pela vaidade humana e está muito além dessa necessidade de ter o seu ego alimentado.
Deus nem quer, conforme disse Jesus, que nós repetidamente batemos com a mão no peito e chamemos 'Senhor! Senhor!', se essa saudação não for sincera.

Neste Salmo 100, do Rei David, está claro o que Deus quer de cada um de nós: cantar os dons e a justiça de Deus. Louvá-lo não tanto com as palavras, mas com o coração, apreciando constantemente as coisas boas com que diariamente nos rodeia. Olharmos com gratidão e pensarmos como foi bom o Senhor ter.nos permitido aquele raio de sol, aquele bocado de paisagem iluminada, que nos encheu de cor e beleza, aquele aroma bom de um pão quente, ou até de um perfume e que nos fez sentir tão bem. Ou um olhar gaiato de uma criança que nos fez esboçar um sorriso. Ou um 'bom-dia' ouvido com simpatia. Apreciar e valorizar cada pequeno momento desses que Deus nos deu e sentirmo-nos reconhecidos por essas pequenas coisas. Isso é louvar o Senhor, não com a boca, mas com o sentimento e o coração.
Mas por tão pouco? Louvar assim por tão pouco?
Pois é... Louvar assim por tão pouco.

Ando de moto, vai para quase quarenta anos. Já sofri os meus acidentes em centenas de milhares de quilómetros que já fiz em cima das 'duas rodas'. Ainda hoje o faço e tiro um prazer enorme de andar numa moto com o motor todo afinadinho. Uma vez, logo nos inícios, um dos meus irmãos, que também era moticiclista disse-me: 'É conduzindo devagar que nos habituamos, conhecemos a moto e treinamos as manobras, para no dia em que formos em velocidade, já fazermos automaticamente as operações e não nos atrapalharmos'.

Pois é. É tal e qual: louvar a Deus com gratidão por estas 'migalhas', estes pequenos sinais, para O entendermos e para nos habituarmos a ter um sentimento de gratidão e O melhor entendermos e com maior gratidão e apreço quando recebemos graças maiores.
Estas pequenas graças que nos rodeiam são como uma planta que vai crescendo, pouco a pouco, até se tornar numa frondosa árvore. São como o grão de mostrada da parábola de Jesus, que minúscula semente cresce até ser uma frondosa árvore, onde os pássaros buscam abrigo para o seus ninhos. É como uma espiral, em todo este processo: os louvores pelas coisas pequenas tornam-se o adubo para crescer a árvore da gratidão: quanto maior é a nossa gratidão para com Deus e maior é o desejo de estarmos com o nosso coração perto dele, maiores são as graças que d'Ele recebemos.

Que a Graça de Deus toque vossos corações.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Liberdade e responsabilidade


No meu trabalho tenho uma colega que é detestada por praticamente toda a gente, pela sua arrogância, má-educação, abuso de autoridade pelo lugar de chefia que ocupa. Recentemente ela viu-se envolvida num escândalo público que envolveu agressões verbais e físicas com outra pessoa e esse escândalo veio relatado ao pormenor num jornal da concorrência ao jornal onde ela e eu trabalhamos.
Nesse dia, o tema foi alvo de conversa em todo o edifício e essa mulher alvo de troça. Tenho de confessar que também procedi de igual modo. Até que, quando me sentei ao meu computador vi uma frase que eu escrevi, a lápis num espaço livre do teclado, quando para lá fui: 'Tudo me é permitido, nem tudo me é conveniente'. Uma frase do apostolo Paulo (I Cor. 10. 23).
Pois. Tudo me é permitido, até ter troçado da minha colega, fazendo coro com o resto do pessoal.
Mas ter-me-á sido conveniente? Aparte de satisfazer o meu ego, trouxe-me algum outro benefício?
Parco e efémero benefício este.
E o que perdi? Muito, porque me afastei do Senhor, me afastei da Misericórdia. Me afastei da prática do Amor para quem está passando pela ignomínia.
Não era preciso ir ter com essa colega e manifestar a minha compreensão. Talvez ela não entendesse esse gesto, nem eu estivesse ainda preparado para o fazer. Mas o ter-me abstido de também comentar, já teria sido suficiente.
'Também a língua é uma pequena parte do corpo, mas é capaz de grandes coisas. (...) Com ela bendizemos a Deus, nosso Pai, e com ela amaldiçoamos os homens que foram criados à imagem de Deus. Da mesma boca, saem palavras de benção e de maldição' (Tiago 3. 5 e 9-10).

Perdoa-me, pois, Senhor e irmãos meus, porque pequei, deixei a aridez entrar em meu coração e afastar a água fresca da Misericórdia, que devia dar a quem tem sede.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Diversos mas unidos


Cada irmão na Fé é chamado a desempenhar um papel, um testemunho. Há os que curam, há os que têm do dom da palavra, há os que, simplesmente oram no silêncio. Enfim, a cada um a sua tarefa. São manifestações dos dons espirituais, de que fala o apóstolo Paulo em I Coríntios, 12. Por isso, cada um tem a sua tarefa e nenhuma é mais ou menos importante do que as outras. Porque os dons são diferentes, mas o Espírito é o mesmo. (I Cor. 12. 4). A Deus nada é impossível e Ele realiza maravilhas e usam os que têmo o seu coração próximo d'Ele como o Seu instrumento.

Por isso, cada dom espiritual, mas também cada tarefa humana, que não contrarie o Espirito do Senhor, deve ser aceite e aceite de bom grado, porque Ele está sempre ao nosso lado. 'Quando virdes a multidão comprimir-se em torno deles [os falsos deuses], dizei nos vossos corações "É somente a Vós, Senhor, que devemos adorar". Porque o meu anjo está convosco e ele velará pelas vossas vidas' (Baruc 6. 5-6).

Nesta diversidade de tarefas e de dons, por detrás é o mesmo Senhor, o mesmo Deus que opera, nomeadamente através das promessas feitas por Seu filho, Jesus e da nossa Fé nelas e amor pelos seus ensinamentos.
'É Ele que dá a todos a força para agirem. Em cada um se manifestam os dons do Espírito para o bem comum' (I Cor. 12 6-7). Na realidade, se cada um é abençoado com um dom, o deve usar, não para seu próprio benefício, mas para benefício de todos. A partilha, do mesmo modo que Jesus partilhou o pão e o vinho na Última Ceia e disse: 'Façam isto em memória de mim' (Luc. 22. 19).

Lembremos ainda o que o próprio Jesus falou àcerca dos rendimentos dos dons, comparando-os à moeda de ouro que um homem antes de partir, entregou a cada um dos seus dez empregados e mandou fazer negócio com esse dinheiro até ele voltar. Passado um tempo, no regressso, ele pediu contas aos seus empregados e cada um foi dando conforme a sua habilidade e empenho: o mais diligente, de uma, entregou de volta dez moedas de ouro. O seguinte, entregou cinco, mas o terceiro, entregou apenas a mesma moeda que recebera, porque, por medo do rigor do senhor, apenas a guardara e não investira. O senhor o castigou, tirando-lhe a moeda e entregando ao que tinha dez, dizendo que ao que tem dá-lhe mais e ao que não tem, até o pouco se lhe tira. (Luc 19. 11-26).
Assim, temos a responsabilidade de fazer crescer estes dons, de os repartir, sem olhar o que damos, sem esperar nada de volta, dar em espírito de gratidão, porque grande e misericordiosa é a recompensa do Senhor a quem cuida do seu trabalho, tão grande e tão segura que nem precisamos de nos preocuparmos com ela.

'Mas é um só e o mesmo Espírito e que distribuí os dons a cada um, conforme lhe parece' (I Cor. 12. 11). Ou seja, estas 'moedas ' que nos são dadas para investirmos, vêm de uma mesma fonte e apenas o Espírito de Deus é que decide quem recebe moedas de ouro, de prata, ou de cobre, mas todos com a obrigação de as investirmos, com espírito de gratidão e sem inveja pelas moedas que os outos tenham recebido, até que sejamos chamados a prestar contas.

Mas por muitos e bons dons que tenhamos, há um maior que todos, e que a todos nos toca: o Amor. Porque todos os dons não são nada, se não forem partilhados com Amor e Amor é gratidão: 'Ainda que eu dê em esmolas tudo o que é meu; ainda que me deixe queimar vivo, se não tiver amor, isso de nada me serve' (I Cor. 13. 3).

A Paz e a Misericórdia de Deus em vossos corações