
Giotto di Bondone (Itália, 1266/1337) - Virgem e o Menino entronizados. Galeria dos Uffizi, Florença, Itália.
Estamos já todos mais calmos, depois que passaram as festas: O Natal e o Ano Novo e com ele associado o debate se entrámos ou não numa nova década. Dependerá se o 0 (zero) vai antes do 1 ou depois do 9. Mas esse é um debate que me passa ao lado. O que importa é que esta é uma época de renovação, para a generalidade das pessoas.
Neste domingo com que se começou a presente semana, fui posto face à frase: "Jesus crescia em conhecimento e estatura e na graça de Deus e dos homens", do Evangelho de S. Lucas (2, 52).
Uma boa frase para se reflectir nos dias a seguir a termos feitos os nossos propósitos de mudança do Ano Novo. "Jesus crescia em conhecimento"- Ele é o Filho de Deus, está com o Pai e com o Pai tem a mesma natureza. No entanto, é também um humilde menino que cresce, que aprende. E isto me leva a pensar que a Fé não é um dado adquirido e parado no tempo, na vida dos crentes. A Fé é algo que está em constante crescimento. Como o grão de mostarda da parábola (Mateus 13, 31-33), que germina e cresce até se tornar numa grande árvore. Jesus cresce... Assim, a seu exemplo cresça a nossa fé constantemente, numa vontade cada vez maior de cumprir a Palavra de Deus e de confiar em Jesus e em Deus Pai.
Segundo este texto do Evangelho de S. Lucas, Jesus cresce também em estatura, ganha força física. Mente sã em corpo são. Se o cristão deve ter o valor de proclamar a sua fé, também deve procurar ter uma vida saudável, criando o melhor suporte físico que garanta a continuidade do seu ministério. Não se tem de ser um atleta, basta ser-se saudável ou, pelo menos, fazer por ser saudável.
Contudo não quer isto dizer que os doentes estejam excluídos do cristianismo e de darem o seu testemunho de fé. Bem pelo contrário, a eles está reservado um outro papel: o testemunho da aceitação máxima daquilo que Deus lhes reserva, o testemunho da humildade e da aceitação da vontade de Deus que deve reinar em nossos corações, levado à última consequência.
Crescer na graça de Deus. Um convite que, novamente através da pessoa de Jesus, nos é feito. E o que é este crescer na graça de Deus? Seguir a sua Palavra, fazer a Sua Vontade. Aceitar o dom de Deus. Maria, ao aceitar o seu papel no plano de Deus, como mãe de Jesus, ficou plena da graça do Senhor (Lucas 1, 28-30). O mesmo se passou com os discípulos que acompanham Jesus quando, na ascensão deste aos céus, recebem a graça do Espirito Santo (Acts 2, 1). Em cada dia, podemos crescer mais na graça de Deus, se nos empenharmos na nossa fé e nas boas obras para com os nossos irmãos: dando-lhe atenção, sendo gentis para com eles, os ajudando nas suas dificuldades, nos momentos em que estão doentes, do corpo e da mente. E é justamente na prática das boas obras para com os que nos rodeiam que está a última premissa do crescimento de Jesus, segundo os versículos de S. Lucas: crescer na qualidade da amizade. Que esta não seja uma falsa amizade interesseira ou apenas uma amizade superficial, mas profunda. A amizade em nome de Jesus, que nos leva a interessar verdadeiramente pelos que nos rodeiam, a cuidar deles, das suas necessidades, materiais, certamente e na medida das nossas possibilidades, mas sobretudo as necessidades espirituais, emocionais, bastando uma palavra amiga, um sorriso, um abraço caloroso. Enfim, sermos os bons samaritanos (Lucas 10, 30-37).

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