Agostinho de Hipona, na sua obra 'Cidade de Deus' defende, de um modo geral, que existem duas cidades: a de Deus, dedicada a seguir a Palavra do Senhor e a cidade dos interesses mundanos. Posteriormente, este conceito foi tomado no sentido de que a Cidade de Deus era única e exclusivamente a Igreja. No entanto, assim não foi entendido por Agostinho: o que ele defendeu foi a interpretaçao da história da humanidade como o conflito entre a Cidade de Deus, inspirada no amor à Deus e nos valores que Cristo pregou, presentes na Igreja, e a Cidade humana, baseada nos valores imediatos e mundanos. Essas cidades estariam presentes na alma humana, e no final a Cidade de Deus triunfaria.
Deste modo, estas duas cidades são mundos da alma humana e se em termos físicos, na cidade dos Homens há cidadãos da Cidade de Deus - homens tementes a Deus e seguidores da Justiça -, na Igreja também não faltam cidadãos da cidade dos homens: aqueles membros ecesiásticos que acabam por se afastarem da virtude para servir os interesses humanos.
Em todas as denominações da Igreja, da Igreja Católica (Romana ou Ortodoxa), às Igrejas evangélicas, não faltam estes cidadãos da cidade dos homens: dominados pela ambição, seja do poder político, seja do poder económico; dominados pelo orgulho, com a convicção de que são detentores da verdade absoluta, confundindo a essência da Fé com a tradição.
Tenho que confessar que sendo a Igreja de Cristo apenas uma, custa-me entender as diversas comunidades ditas cristãs, por vezes odiando-se de morte umas às outras.
E vem-me à mente o Profeta Malaquias: 'O filho honra o pai, e o servo o seu senhor. Se Eu sou o Pai, onde está a minha honra? E, se Eu sou o Senhor, onde está o respeito para Comigo? (Malaquias, 1. 6.).
Paulo escreveu diversas cartas às Igrejas por onde passou. A algumas ele elogia, mas a outras repreende-as, porque se estavam a afastar da essência da Mensagem de Cristo. Mas cada uma destas igrejas é apenas uma, na cidade em que está: é a Comunidade de Cristo. A comunidade de Cristo em Efésio, em Corinto, em Roma, em Filipo, em Colonos, etc.
Posso ser muito ignorante e certamente que o sou, mas não encontro nas suas cartas referências a várias igrejas num mesmo local: ou são seguidores de Cristo ou não são, sendo, por exemplo, judeus ou pagãos.
Àqueles que se dizem seguidores de Cristo, deve ser a Bíblia - no Antigo e Novo Testamento, porque o segundo complementa e completa o primeiro - o Guia de Vida. Mas também é necessário o discernimento suficiente para entender o que é essencial e acessório. O cerne dos valores, que se mantêm actuais ao longo dos tempos, e o que resulta apenas das circunstâncias das épocas.
Por outro lado, conforme Paulo escreveu aos Romanos:
"Não nos julguemos mais uns aos outros; pelo contrário, tomai o propósito de não pordes tropeço ou escândalo ao vosso irmão.
"Eu sei e estu persuadido, no Senhor Jesus, de que nenhuma coisa é de si mesmo impura, salvo para aquele qeu assim a considera; para esse é impura.
Se, por causa de comida, o teu irmão se entristece, já não andas segundo o amor fraternal. (Romanos 14 14.15).
Que tudo isto nos sirva de reflexão sobre o que é essencial e acessório no seguimento da Palavra de Deus.
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