quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Entre o grito e o silêncio


Há momentos que Deus nos leva a gritar: a gritar a Sua Mensagem, a gratidão por Ele nos acompanhar, por nos dar a Vida. Mas há outros momentos, em que Deus nos chama a apenas sussurrar ou mesmo ao silêncio, para ouvirmos as nossas vozes interiores, a forma como Ele fala nas nossas almas. São as travessias no deserto, que se nos põem como desafios à nossa Fé, à reflexão sobre o que estamos a desempenhar nas nossas vidas.
Actualmente passamos por momentos de grandes dificuldades, assolados pelo espectro da crise, que de uma forma ou outra, mais ou menos profundamente, nos toca. Um momento de reflexão.
Terminado o Carnaval, no calendário católico, entrou-se no período da Quaresma. Se em tempos passados, a própria Igreja Católica, usou o ideal deste período que antecede a Páscoa, para fins muito pouco evangélicos, não devemos, porém recusar olhar para o significado deste período de jejum e abstinência. Talvez hoje não faça tanto sentido a abstinência de se comer carne às sextas-feiras, quando o peixe já é mais caro que a carne. Talvez hoje não faça tanto sentido o jejum dos alimentos, quando o dia-a-dia já nos leva a desequilíbrios brutais na nossa qualidade de vida. Mas fará todo o sentido a abstinência como disciplina das nossas vidas, com vista ao cumprimento da Vontade de Deus, o jejum dos bens e das atitudes com vista à partilha com aqueles que ainda têm menos que nós: não só a partilha dos bens materiais mas também a partilha das atenções e dos sentimentos.
Fará sentido na Quaresma reflectir na pergunta: "Porque odiei a disciplina e o meu coração desdenhou a correcção? (Prov. 5.12).
A paz de Deus em vossos corações
Fará sentido a abstinência como disciplina das nossas vidas

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Apóstolo Paulo - 2000 anos de testemunho

(Ruínas da cidade de Antioquia de Pisidia, antiga província romana da Galátia, hoje Turquia e onde Paulo pregou, juntamente com Barnabé. Foto de Brian Morley)
Celebra-se este ano os 2000 anos do nascimento do Apostolo Paulo. E é uma boa ocasião para olharmos com mais atenção para os seus escritos e reflectirmos na sua mensagem.
De perseguidor de cristãos, este judeu educado na esfera da cultura romana, passou a ser a principal figura do Cristianismo, depois de Jesus Cristo. E a sua dimensão agiganta-se na medida em que transportou o Cristianismo da teoria à prática, do mundo judeu para o mundo dos 'gentios', a tal ponto que se pode dizer que há um cristianismo antes de Paulo e um cristianismo depois de Paulo.
Nos seus escritos revela-se um homem convertido e completamente apaixonado pela figura de Cristo e pela sua Mensagem de Salvação. Fazedor de tendas, depois da conversão, é o maior dos pastores, explicando os ensinamentos de Cristo a cada comunidade a quem escreve e a cada um de nós que, posteriormente, lemos as suas epístolas. Fazedor de tendas que se considera sobretudo cristão e não seguidor desta ou daquela igreja e, ainda menos, vivendo e enriquecendo à custa da Igreja, ao contrário do que acontece com muitos dos homens que se intitulam da Igreja.
Paulo é o apóstolo lúcido e louco. Lúcido quando diz que ‘Tudo me é permitido, mas nem tudo me é conveniente” e louco pela sua entrega a Deus através de Jesus, ao ponto de escrever "Já não sou em quem vivo mas Cristo que veio em mim (Galatas 2.20).

Olhemos pois, com atenção para este homem, aprendemos com ele através dos seus escritos e reflictamos que Cristianismo estamos a levar nas nossas vidas.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Lealdade de Deus


Há momentos em que Deus nos chama para gritarmos o Seu testemunho. Mas também há momentos que Deus nos chama para uma pausa. Para pensarmos naquilo que somos, os caminhos que trilhamos, naquilo em que nos estamos a transformar.
Estar na Fé não é estar estático. Há momentos em que nos sentimos mais fortes e momentos em que nos sentimos mais fracos. Momentos em que damos testemunho de Deus e momentos em que tem de ser Deus a dar-nos o Seu testemunho.
Jesus foi tentado pelo demónio (Marcos 1.13), de igual modo também nós o somos. A questão não é bem essa. A questão é procuramos estar na Graça, apesar das tentações. E isso requer a Fé na Misericórdia de Deus, a sua lealdade para conosco, que devemos procurar como modelo nas nossas vidas.
Como seres humanos somos fracos e por isso precisamos da lealdade de Deus: "Bem aventurado aquele que tem o Deus de Jacob por seu auxílio e cuja esperança está posta no Senhor, seu Deus (Salmos 146.5)

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Caminhos





Vivemos numa soceidade dominada pelas ideias materialistas, onde campeiam os novos ídolos: consumismo e a exploração desenfreada, apontados a esse ídolo antigo que é o dinheiro e o seu culto. Como tal, vivemos muitas vezes numa aridez espiritual, que nos agrilhoa, subjuga-nos até à depressão, até à destruição do ser humano como pessoa.


E muitas vezes, cada um de nós trespassa para as nossas relações próximas este estado de pensamento, tornando-nos, nós mesmos, em opressores dos outros e preconceituosos em relação e eles. E assim estamos, subtilmente, a afastarmo-nos da vontade de Deus.


Porque Deus abomina a escravatura e para nos libertar da escravidão do pecado que nos enviou o Seu Filho, com a mensagem da redenção.


No Antigo Testamento, em Jeremias (34. 8-22) é-nos relatado como o Senhor ordena a libertação dos escravos judeus, cativos de outros judeus, e como Deus faz ameaças porque os donos desses escravos os aprisionaram de novo, depois de os terem libertado.


Numa primeira análise, Deus fala-nos do respeito que é devido a toda a pessoa humana e nos compromissos tomados com Ele.


Mas há mais: Por Jesus é-nos dada a oportunidadde de libertação do nosso pecado, do renascer do homem novo de que nos fala o apóstolo Paulo (Efésios 2. 15-2 e Cor 5. 17). É esta a oportunidade de libertarmo-nos do pecado que Deus nos dá. Porém, ao mesmo tempo, somos nós mesmos, pela nossa vontade, o nosso desejo, que nos libertamos da situação de escravos do pecado.


No entanto, sedutoras são também as tentações. Sedutoras, no imediato, são as visões do mundo, pelo que fácil se torna sermos seduzidos novamente pela escravidão aos ídolos.


Cristo fala-nos do caminho fácil e do caminho pedragoso, da porta larga e da porta estreita (Lucas 13. 24). Este caminho largo de facilidades e vaidade humana, nos seus múltiplos aspectos, é, justamente, o caminho da escravidão, que segue ao lado do caminho rude da salvação e que tantas veses nos apela sedutoramente...

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Revelações


(Michelangelo - Cappella Sistina 1508-1512. Promenor do tecto. Criação do Homem)




Todos procuramos uma resposta às questões que temos. E nem sempre encontramos as respostas por que ansiamos. Para os cristãos, que pautam a sua espiritualidade pelos Evangelhos, é por obra do Espírito de Deus que nos são dadas a conhecer as revelações - que nos é dado o entendimento da Palavra.


Não têm de ser necessariamente as revelações espectaculares, as professias abertas a todo o povo entre a manifestação das potestades, mas bastam as pequenas revelações nas nossas almas. sinais que nos reconfortam nas nossas angústias, que respondem às nossas dúvidas.


Se nos lembramos de Deus quando nas nossas aflições O invocamos e pedimos auxílio, de igual modo nos devemos lembrar d'Ele quando recebemos as suas Graças e deste modo nos mostrarmos gratos pelos Seus sinais.


"Agradeço-te, oh Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque mostraste aos simples as coisas que tinhas escondido aos sábios e entendidos. Sim, Pai, agradeço-Te, por ter sido essa a Tua vontade" (Lucas 10. 21).


Com efeito, a mensagem de Jesus e a sua revelação não se destina apenas aos doutores da Lei, da Igreja, aos teólogos, mas a cada um de nós, na nossa humuldade e simplicidade, na nossa ignorância. Por isso que Deus nos concede, através do Seu Espírito, as graças de ser revelado o significado da Sua Palavra e, consequentemente, da Sua Vontade.




O Espírito de Deus em vossos corações.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Por entre as estrelas, Abraão.



(Adriaen van der Werff - Sara apresenta Agar a Abraão. 1699. Óleo sobre tela. Staatsgalerie, Schleissheim, Munique, Alemanha)


Ontem à noite, nos arredores de Sintra, calhou olhar para o céu. Estava límpido, de uma transparente atmosfera e as estrelas brilhavam intensas. E lembrei-me da promessa de Deus a Abraão: "olha para o céu e conta as estrelas, se é que o podes. E lhe disse: assim será a tua posteridade" (Gen. 15. 5).

Abraão e sua mulher, Sara, eram já velhos e Deus promete-lhes o que para eles era impossível: um filho que continuaria a descência do patriarca de Harã. Deus prometeu e Abra~~ao teve fé na promessa divina. Não foi uma fé fácil. Abraão questiona Deus de como será possível o milagre por ele e a mulher serem já velhos. Não foi uma fé fácil, porque há um momento que Abraão, depois de cumprir tudo o que anteriormente Deus mandara fazer, vê que continua sem filhos de Sara e antevê que a sua descendência apenas será continuada por Isamael, o filho da serva Agar. Mas apesar de tudo, apesar das suas dúvidas momentâneas, Abraão aceita a promessa de Deus e a sobrepõe às suas dúvidas, acreditanto firmemente nela.

Se existe a fé de Abraão, também existe a humildade e a obediência. E deste modo ele foi exaltado por Deus e tornou-se o 'pai' de muitas nações.

Olhando a estrelas de ontem à noite, veio nos meus pensamentos este episódio bíblico, esta fé exemplar e inteligente, este exemplo para as nossas vidas, sempre actual, apesar dos milénios que tem.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Orar em conjunto

( Serviço religioso ecuménico, pela paz mundial noParque Memorial da Paz,
Hiroshima, Japão, 1999)



A oração a sós, diária e em cada momento, é a 'nossa conversa com Deus'. Ele é O amigo, que nos ouve, que nos aconselha, que nos conforta. É o amigo fiél, que não trai a nossa amizade por Ele, a nossa fé nas Suas capacidades.


No entanto, também válida e útil é a oração em conjunto com os outros irmãos na Fé. O próprio Jesus Cristo, por cujos Evangelhos, seguimos a vontade de Deus, afirmou: "Em verdade também vos digo que, se dois de entre vós, sobre a terra, concordarem a respeito de qualquer coisa que, porventura, pedirem, ser-lhes-á concedida por meu Pai, que está nos céus, Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em Meu nome, ali estou no meio deles" - (Mateus, 18. 19-20).





Muito se tem discutido sobre o poder da cura pela oração. Há quem acredite que apenas a oração será suficiente para curar os males do corpo e da alma. Há quem afirme convictamente que a oração em anda influí no estado de saúde dos doentes. Cada pessoa tem a postura que quiser.


E qual deve ser a postura do cristão? Não sei responder de forma cabal. Há um princípio básico que não pode ser renegado: o da Fé. "Felizes os que crêem sem ter visto" (João 20. 29) afirma Jesus, face à incredulidade de Tomé sobre a Sua Ressurreição. e em Tiago 1.6 é recomenado ao cristão que: "Peça-a, porém, com fé, em nada duvidando; porque o que duvida é semelhante à onda do mar, que é levada pelo vento, e lançada de uma para outra parte". Então, a Fé é a âncora do crente.


Pessoalmente acredito no poder da Fé e na capacidade de cura da oração, mas não desprezo as soluções que a medicina me oferece. Porque se Deus permite que a Medicina exista, é porque é também um dos Seus instrumentos. Alio, pois, as duas coisas: os tratamentos físicos e a Fé em que Deus me pode ajudar a curar, de uma forma mais rápida, mais confortável. sei lá que mais!.





Mas há outro aspecto da oração, quando veículo de intersessão: uma forma de praticarmos a misericórdia, esquecendo-nos um pouco de nós mesmos, para dedicarmos a nossa atenção ao outro, em especial ao que sofre, ao que está abandonado, ao que necessita de ser alvo do nosso amor. Enfim, uma forma de fazermos a verdadeira Caridade, que é de abdicarmos de nós mesmos pelo Outro.


Hoje convido-vos a orar por Gary Smith e a mulher Emilie. São meus irmãos adoptivos e inspiração na minha Vida, pelo seu amor a Deus. A Gary surgiu-lhe um caroço no pescoço, onde há dois anos retirou um outro, de origem cancerígena. E está muito assustado com a situação, sobretudo enquanto não é visto pelo médico, que de momento está fora. Convido-vos a orar para que Deus lhes dê a Força que necessitam agora, que Ele lhes envie o Consolador que Jesus prometeu. (João 14. 16-20). Convido-vos a orar para que a situação não e agrave mais e para que Deus inspire e guie o médico, afim de poder tratar de forma eficaz Gary. E, finalmente, convido-vos a orar para que o Espírito Santo os ilumine e lhes dê a força para aceitar pacificamente a Vontade de Deus, seja ela qual for.

A paz de Deus em vossos corações.