segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Humildade e harmonia


A sociedade portuguesa, nos tempos foi abalada por alguns crimes de grande impacto mediático.



Estes crimes levam um cristão a reflectir sobre a falta de Deus na vida dos homens.



Podemos pensar em justificações sociológicas para a prática destes crimes.



Podemos pensar em justificações médicas para a prática destes crimes.



Mas a verdade é que para cada pessoa que comete um crime, seja ele qual for, existem centenas de milhares de outros seres humanos em igual ou pior situação, que não praticam crimes semelhantes ou quaisquer crimes, e que sentem repugnância por tal.



Serão cristãos ou, pelo menos, crentes, estes outros milhares? Não necessariamente. Deus tem caminhos que a nossa humilde condição humana nunca chegará a compreender, pelo que nem vale a pena questionar ou julgar.



Olhemos outra realidade: quem aceita Deus nas suas vidas, por Jesus Cristo, fica dotado de uma ferramenta e de uma força muito grande para não praticar o mal. Não nos livra de sermos assediados pela tentação, mas nos livra de aceitarmos a tentação. Porque aceitar a Deus é unicamente fazer a Sua Vontade e Deus nunca disse para matarmos, roubarmos, cometer adultério, mentir, enfim, praticar qualquer espécia de iniquidade. Pelo contrário: quer que façamos o oposto, como expressa nos Mandamentos.



Ao aceitar a Deus, ganhamos também a força da Fé. "Assim, se Cristo dá alguma coragem, se o Seu Amor dá consolação, se o Seu Espírito dá união e se conhecem o amor de uns pelos outros, então peço-vos que me dêem a grande satisfação de viverem em harmonia" (Filipenses 2 1-2).



É esta coragem e esta consolação no Amor que dá força ao cristão para vencer a tentação e o mal, não se desviando do caminho de Deus e da Salvação.

sábado, 23 de agosto de 2008

Exemplo de vida

Para Pensarmos. Fazer a nossa parte. Hoje. Amanhã pode ser tarde demais. Porque nunca sabemos nem o dia nem a hora em que seremos chamados a prestar contas.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Fidelidade de Deus


Deus é fiel para com os homens. As Suas promessas mantêm-se válidas, ao longo dos tempos. Elas são imutáveis. O que muda são os desejos dos homens. Por isso, Deus não realiza aquilo que nós queremos, aquilo que nós pensamos ser o melhor para nós, mas sim aquilo que Ele sabe ser verdadeiramente bom para nós. Pode ser, sim, que aquilo aquilo que nós queremos coincida com aquilo que Deus sabe ser melhor para nós.


No entanto, as promessas de Deus mantêm-se mesmo que os homens não creiam. E os homens recolhem segundo a justiça do que semeiam.


O apóstolo Paulo refere, em Romanos 3, que Deus é verdadeiro, mas são os homens que estão sujeitos à mentira e serão pelas suas palavras justificados e julgados. Mais, o apóstolo chama a atenção de que todos estamos sujeitos ao pecado e a nossa condição, seja de raça, seja social, seja de religião, não nos livra, à partida, do pecado. O que nos justifica perante os olhos de Deus é a nossa fé em Jesus Cristo, onde também não é feita distinção. "É por ventura, Deus somente dos judeus? Não o é também dos gentios? Sim, também é dos gentios, visto que Deus é um só, o qual justificará pela fé, o circunciso e, mediante a fé, o incircunciso" (Rom. 3 29).

Quem tenha olhos, que o leia.

Que a paz esteja convosco.


segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Cidade de Deus, cidade dos Homens

Agostinho de Hipona, na sua obra 'Cidade de Deus' defende, de um modo geral, que existem duas cidades: a de Deus, dedicada a seguir a Palavra do Senhor e a cidade dos interesses mundanos. Posteriormente, este conceito foi tomado no sentido de que a Cidade de Deus era única e exclusivamente a Igreja. No entanto, assim não foi entendido por Agostinho: o que ele defendeu foi a interpretaçao da história da humanidade como o conflito entre a Cidade de Deus, inspirada no amor à Deus e nos valores que Cristo pregou, presentes na Igreja, e a Cidade humana, baseada nos valores imediatos e mundanos. Essas cidades estariam presentes na alma humana, e no final a Cidade de Deus triunfaria.
Deste modo, estas duas cidades são mundos da alma humana e se em termos físicos, na cidade dos Homens há cidadãos da Cidade de Deus - homens tementes a Deus e seguidores da Justiça -, na Igreja também não faltam cidadãos da cidade dos homens: aqueles membros ecesiásticos que acabam por se afastarem da virtude para servir os interesses humanos.
Em todas as denominações da Igreja, da Igreja Católica (Romana ou Ortodoxa), às Igrejas evangélicas, não faltam estes cidadãos da cidade dos homens: dominados pela ambição, seja do poder político, seja do poder económico; dominados pelo orgulho, com a convicção de que são detentores da verdade absoluta, confundindo a essência da Fé com a tradição.
Tenho que confessar que sendo a Igreja de Cristo apenas uma, custa-me entender as diversas comunidades ditas cristãs, por vezes odiando-se de morte umas às outras.
E vem-me à mente o Profeta Malaquias: 'O filho honra o pai, e o servo o seu senhor. Se Eu sou o Pai, onde está a minha honra? E, se Eu sou o Senhor, onde está o respeito para Comigo? (Malaquias, 1. 6.).
Paulo escreveu diversas cartas às Igrejas por onde passou. A algumas ele elogia, mas a outras repreende-as, porque se estavam a afastar da essência da Mensagem de Cristo. Mas cada uma destas igrejas é apenas uma, na cidade em que está: é a Comunidade de Cristo. A comunidade de Cristo em Efésio, em Corinto, em Roma, em Filipo, em Colonos, etc.
Posso ser muito ignorante e certamente que o sou, mas não encontro nas suas cartas referências a várias igrejas num mesmo local: ou são seguidores de Cristo ou não são, sendo, por exemplo, judeus ou pagãos.
Àqueles que se dizem seguidores de Cristo, deve ser a Bíblia - no Antigo e Novo Testamento, porque o segundo complementa e completa o primeiro - o Guia de Vida. Mas também é necessário o discernimento suficiente para entender o que é essencial e acessório. O cerne dos valores, que se mantêm actuais ao longo dos tempos, e o que resulta apenas das circunstâncias das épocas.
Por outro lado, conforme Paulo escreveu aos Romanos:
"Não nos julguemos mais uns aos outros; pelo contrário, tomai o propósito de não pordes tropeço ou escândalo ao vosso irmão.
"Eu sei e estu persuadido, no Senhor Jesus, de que nenhuma coisa é de si mesmo impura, salvo para aquele qeu assim a considera; para esse é impura.
Se, por causa de comida, o teu irmão se entristece, já não andas segundo o amor fraternal. (Romanos 14 14.15).
Que tudo isto nos sirva de reflexão sobre o que é essencial e acessório no seguimento da Palavra de Deus.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Chamados a iluminar

(Estátua alusiva à caridade, inspirada na I Corintios de Paulo.
Grand Lodge of Pennsylvania in Philadelphia. USA)


Em algum momento das nossas vidas fomos chamados por Deus. De múltiplas formas, desde a tradição de uma educação familiar, até à revelação súbita, como Paulo na estrada de Damasco. Não importa forma, o que importa é que ouvimos o chamamento do Pai. Podemos responder-lhe ou não. Isso fica a nosso critério, porque no Seu Amor, Deus nos dá essa liberdade.


Mas até respondemos afirmativamente ao chamamento de Deus e desejamos O descobrir, tornamo-nos seus amigos, que a Sua Palavra seja um modelo pelo qual pautamos as nossas vidas. E respondermos afirmativamente a Deus, pelo chamamento em Jesus Cristo, é o assumir de um compromisso.


Não podemos ser cristãos para ficarmos escondidos.


"Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder a cidade edificada num monte, nem se acende uma candeia para colocá-la debaixo do alqueire, mas no velador, e alumiar todos os que se encontram em casa.


"Assim, brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus" (Mateus, 5 14-16).


Todavia mostrarmo-nos aos homens requer humildade, para não cairmos no pecado do orgulho dos fariseus nas primeiras filas do templo, batendo com a mão no peito.


A melhor oração que podemos fazer é cumprir a Vontade de Deus, em cada momento das nossas vidas, do nosso dia-a-dia. E essa vontade é a de Amar a Deus acima de tudo. E amar a Deus é também darmos-Lhe graças por tudo de bom que Ele nos dá em cada dia. Seja uma luz especial na manhã, um pássaro que se cruza no nosso caminho e nos desperta para a beleza, seja uma vitória em nossas vidas, em especial as vitórias espirituais, seja um sentirmo-nos amados pelos outros. Enfim, tantas coisas pelas quais podemos agradecer a Deus nos permitir reparar nelas.


E outra das vontades de Deus é a de amarmos os outros. Termos um olhar de misericórdia e sermos suaves a jugá-los. Nos interessarmos verdadeiramente pelas pessoas que estão nas nossas vidas, sem procurar tirar qualquer vantagem delas.


E é com Deus em nossas vidas, nesse jeito, pelo nosso exemplo, que nos tornamos a luz do mundo e nos mostramos aos homens, não para que eles nos glorifiquem, mas para que entendam que aquilo que fazemos o devemos ao Pai e O glorifiquem porque permite tais coisas boas.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Deus nos convida

Cristo Redentor- Baía de Guanabara- Rio de Janeiro

No capítulo inicial do Livro de Isaías, depois de afirmar que não suporta a falsidade, Deus deixa os sinais do caminho que leva a Ele:
'Lavai-vos, purificai-vos, tirai a maldade de vossos actos de diante dos meus olhos. Cessai de fazer o mal.
'Aprendei a fazer o bem; atendei à justiça, repreendei ao opressor, defendei o direito do órfão, pleiteai a causa as viúvas.
'Vinde pois e arrazoemos, diz o Senhor; ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, ele se tornarão brancos como a neve, ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a lã.
'Se quiserdes e se me ouvirdes, comereis o melhor desta terra.
'Mas se recursardes e fordes rebeldes, sereis devorados à espada, porque a boca do Senhor o disse" (Isaias 1. 16-20).
Lavarmo-nos e purificarmo-nos. Não é o lavar físico, mas o lavar espiritual. Limpar os nossos pensamentos do mal, pedir ao Senhor que não nos deixe cair na tentação e, se ela nos toca, que nos livre do mal. E ao mesmo tempo, tomarmos a atitude do Amor e da Justiça para com o próximo, em o defendendo e o respeitando.
Deus nos convida a ir ter com Ele e a pensarmos com a razão sobre as nossas faltas: reflectirmos sobre os nossos actos e tomarmos arrependimento daqueles que fizémos e nos afastaram de seguir a Vontade de Deus. É esse arrependimento que, aos olhos de Deus, nos lava e purifica.
Deus nos convida e, ainda assim, continua a dar-nos a liberdade: ' se quiserdes e se me ouvirdes'. Basta querer para podermos ouvir o Senhor, nas múltiplas vozes que fala connosco: através da Biblia, mas também beleza do que nos cerca, através dos sonhos que temos e dos pensamentos que nos advém quando nos entregamos a Deus e pedimos que nos fale pelo Espírito Santo, através da pregação na Igreja, através das palavras dos nossos amigos verdadeiros e que também são amigos d'Ele.
Deus nos convida e promete que comeremos o melhor que há nesta terra. Mas Deus não se refere às iguarias mundanas. O melhor e mais raro ou caro dos pratos gastronómicos termina do mesmo modo que a comida mais simples e banal. E isso é pouco. Não, o que Deus nos fala é de outro alimento, muito mais rico, muito mais compensador. Jesus disse: 'O verdadeiro pão do céu é o meu Pai. Porque o pão que Deus dá é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo(...) Eu sou o Pão da Vida. Quem vem a Mim nunca mais terá fome, e quem crê em Mim nunca mais terá sede.' (Jo. 6. 30-35). É este Pão, esta Palavra de Vida de que Deus fala e promete.
Deus nos convida e nos avisa, também, que tendo-O conhecido e mantivermos a rebeldia, dos nossos actos teremos as consequências. E continua a dar-nos a liberdade de escolha...

Lamento de Deus




(Profeta Isaías - António Francisco Lisboa, O Aleijadinho, Santuário do Bom Jesus de Matosinhos - Congonhas - Minas Gerais -foto de Carlos Eduardo Fiusa Morais)



'Criei filhos e os engrandeci, mas eles estão revoltados contra mim' (Isaís 1. 2)
O Livro de Isaías começa com um lamento do próprio Deus. E este lamento é expressão da Misericórdia divina, porque sendo Deus todo-poderoso, podia muito bem, sem ter de dar contas a ninguém, extinguir, assim de uma penada, aqueles que estão revoltados contra Ele. No caso do tempo de Isaías, o próprio povo de Israel.
Deixemos o povo de Isreal do tempo de Isaías e olhemos para o povo do nosso tempo, nós e as pessoas que nos cercam. E continua a haver multidões de pessoas revoltadas contra Deus. E o lamento feito em sonhos proféticos a Isaías, continua actual nos dias de hoje. Porque quando Deus se lamenta do esquecimento, da ingratidão dos homens, Ele apenas está avisando, em vez de nos destruir furiosamente.
Criando-nos à Sua imagem e semelhança, Deus deu-nos a liberdade do livre arbítrio. Que liberdade maior pode haver, essa de escolhermos o caminho que quisermos? Mas também, que responsabilidade acarretamos aos nossos ombros! São as escolhas que fizermos que ditarão o nosso futuro. Não só na terra, enquanto tivermos esta vida primeira, mas e sobretudo, depois, quando tivermos a vida segunda: ou na Glória de Deus ou no sofrimento do Demónio.
Deus deu-nos a liberdade de escolha, mas por causa da Sua misericórdia não nos aniquila quando nos desviamos do Seu caminho, pelo contrário, se lamenta, nos avisa. E isto porque Deus espera sempre o nosso arrependimento, a nossa entrega a Ele, até ao último momento, aquele, a partir do qual apenas recebemos o que semeamos ao longo da nossa vida.
Entregarmo-nos a Deus, não é só pedir-lhe aquilo que necessitamos mas, sobretudo, mostrarmos-Lhe a nossa gratidão por cada momento que temos na nossa vida. Se não nos esquecemos de Deus, quando as coisas nos estão adversas, também não nos esquecemos d'Ele quando as coisas nos vão de feição.
E quando as coisas não nos correm como desejamos, devemos pensar, em vez de gritarmos de revolta contra Deus, se não estamos a ser postos à prova. Se não é a nossa Fé e a nossa confiança em Deus que está a ser testada, para se tornar mais forte?
A Confiança em Deus nos vossos corações