quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Revelações


(Michelangelo - Cappella Sistina 1508-1512. Promenor do tecto. Criação do Homem)




Todos procuramos uma resposta às questões que temos. E nem sempre encontramos as respostas por que ansiamos. Para os cristãos, que pautam a sua espiritualidade pelos Evangelhos, é por obra do Espírito de Deus que nos são dadas a conhecer as revelações - que nos é dado o entendimento da Palavra.


Não têm de ser necessariamente as revelações espectaculares, as professias abertas a todo o povo entre a manifestação das potestades, mas bastam as pequenas revelações nas nossas almas. sinais que nos reconfortam nas nossas angústias, que respondem às nossas dúvidas.


Se nos lembramos de Deus quando nas nossas aflições O invocamos e pedimos auxílio, de igual modo nos devemos lembrar d'Ele quando recebemos as suas Graças e deste modo nos mostrarmos gratos pelos Seus sinais.


"Agradeço-te, oh Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque mostraste aos simples as coisas que tinhas escondido aos sábios e entendidos. Sim, Pai, agradeço-Te, por ter sido essa a Tua vontade" (Lucas 10. 21).


Com efeito, a mensagem de Jesus e a sua revelação não se destina apenas aos doutores da Lei, da Igreja, aos teólogos, mas a cada um de nós, na nossa humuldade e simplicidade, na nossa ignorância. Por isso que Deus nos concede, através do Seu Espírito, as graças de ser revelado o significado da Sua Palavra e, consequentemente, da Sua Vontade.




O Espírito de Deus em vossos corações.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Por entre as estrelas, Abraão.



(Adriaen van der Werff - Sara apresenta Agar a Abraão. 1699. Óleo sobre tela. Staatsgalerie, Schleissheim, Munique, Alemanha)


Ontem à noite, nos arredores de Sintra, calhou olhar para o céu. Estava límpido, de uma transparente atmosfera e as estrelas brilhavam intensas. E lembrei-me da promessa de Deus a Abraão: "olha para o céu e conta as estrelas, se é que o podes. E lhe disse: assim será a tua posteridade" (Gen. 15. 5).

Abraão e sua mulher, Sara, eram já velhos e Deus promete-lhes o que para eles era impossível: um filho que continuaria a descência do patriarca de Harã. Deus prometeu e Abra~~ao teve fé na promessa divina. Não foi uma fé fácil. Abraão questiona Deus de como será possível o milagre por ele e a mulher serem já velhos. Não foi uma fé fácil, porque há um momento que Abraão, depois de cumprir tudo o que anteriormente Deus mandara fazer, vê que continua sem filhos de Sara e antevê que a sua descendência apenas será continuada por Isamael, o filho da serva Agar. Mas apesar de tudo, apesar das suas dúvidas momentâneas, Abraão aceita a promessa de Deus e a sobrepõe às suas dúvidas, acreditanto firmemente nela.

Se existe a fé de Abraão, também existe a humildade e a obediência. E deste modo ele foi exaltado por Deus e tornou-se o 'pai' de muitas nações.

Olhando a estrelas de ontem à noite, veio nos meus pensamentos este episódio bíblico, esta fé exemplar e inteligente, este exemplo para as nossas vidas, sempre actual, apesar dos milénios que tem.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Orar em conjunto

( Serviço religioso ecuménico, pela paz mundial noParque Memorial da Paz,
Hiroshima, Japão, 1999)



A oração a sós, diária e em cada momento, é a 'nossa conversa com Deus'. Ele é O amigo, que nos ouve, que nos aconselha, que nos conforta. É o amigo fiél, que não trai a nossa amizade por Ele, a nossa fé nas Suas capacidades.


No entanto, também válida e útil é a oração em conjunto com os outros irmãos na Fé. O próprio Jesus Cristo, por cujos Evangelhos, seguimos a vontade de Deus, afirmou: "Em verdade também vos digo que, se dois de entre vós, sobre a terra, concordarem a respeito de qualquer coisa que, porventura, pedirem, ser-lhes-á concedida por meu Pai, que está nos céus, Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em Meu nome, ali estou no meio deles" - (Mateus, 18. 19-20).





Muito se tem discutido sobre o poder da cura pela oração. Há quem acredite que apenas a oração será suficiente para curar os males do corpo e da alma. Há quem afirme convictamente que a oração em anda influí no estado de saúde dos doentes. Cada pessoa tem a postura que quiser.


E qual deve ser a postura do cristão? Não sei responder de forma cabal. Há um princípio básico que não pode ser renegado: o da Fé. "Felizes os que crêem sem ter visto" (João 20. 29) afirma Jesus, face à incredulidade de Tomé sobre a Sua Ressurreição. e em Tiago 1.6 é recomenado ao cristão que: "Peça-a, porém, com fé, em nada duvidando; porque o que duvida é semelhante à onda do mar, que é levada pelo vento, e lançada de uma para outra parte". Então, a Fé é a âncora do crente.


Pessoalmente acredito no poder da Fé e na capacidade de cura da oração, mas não desprezo as soluções que a medicina me oferece. Porque se Deus permite que a Medicina exista, é porque é também um dos Seus instrumentos. Alio, pois, as duas coisas: os tratamentos físicos e a Fé em que Deus me pode ajudar a curar, de uma forma mais rápida, mais confortável. sei lá que mais!.





Mas há outro aspecto da oração, quando veículo de intersessão: uma forma de praticarmos a misericórdia, esquecendo-nos um pouco de nós mesmos, para dedicarmos a nossa atenção ao outro, em especial ao que sofre, ao que está abandonado, ao que necessita de ser alvo do nosso amor. Enfim, uma forma de fazermos a verdadeira Caridade, que é de abdicarmos de nós mesmos pelo Outro.


Hoje convido-vos a orar por Gary Smith e a mulher Emilie. São meus irmãos adoptivos e inspiração na minha Vida, pelo seu amor a Deus. A Gary surgiu-lhe um caroço no pescoço, onde há dois anos retirou um outro, de origem cancerígena. E está muito assustado com a situação, sobretudo enquanto não é visto pelo médico, que de momento está fora. Convido-vos a orar para que Deus lhes dê a Força que necessitam agora, que Ele lhes envie o Consolador que Jesus prometeu. (João 14. 16-20). Convido-vos a orar para que a situação não e agrave mais e para que Deus inspire e guie o médico, afim de poder tratar de forma eficaz Gary. E, finalmente, convido-vos a orar para que o Espírito Santo os ilumine e lhes dê a força para aceitar pacificamente a Vontade de Deus, seja ela qual for.

A paz de Deus em vossos corações.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Humildade e harmonia


A sociedade portuguesa, nos tempos foi abalada por alguns crimes de grande impacto mediático.



Estes crimes levam um cristão a reflectir sobre a falta de Deus na vida dos homens.



Podemos pensar em justificações sociológicas para a prática destes crimes.



Podemos pensar em justificações médicas para a prática destes crimes.



Mas a verdade é que para cada pessoa que comete um crime, seja ele qual for, existem centenas de milhares de outros seres humanos em igual ou pior situação, que não praticam crimes semelhantes ou quaisquer crimes, e que sentem repugnância por tal.



Serão cristãos ou, pelo menos, crentes, estes outros milhares? Não necessariamente. Deus tem caminhos que a nossa humilde condição humana nunca chegará a compreender, pelo que nem vale a pena questionar ou julgar.



Olhemos outra realidade: quem aceita Deus nas suas vidas, por Jesus Cristo, fica dotado de uma ferramenta e de uma força muito grande para não praticar o mal. Não nos livra de sermos assediados pela tentação, mas nos livra de aceitarmos a tentação. Porque aceitar a Deus é unicamente fazer a Sua Vontade e Deus nunca disse para matarmos, roubarmos, cometer adultério, mentir, enfim, praticar qualquer espécia de iniquidade. Pelo contrário: quer que façamos o oposto, como expressa nos Mandamentos.



Ao aceitar a Deus, ganhamos também a força da Fé. "Assim, se Cristo dá alguma coragem, se o Seu Amor dá consolação, se o Seu Espírito dá união e se conhecem o amor de uns pelos outros, então peço-vos que me dêem a grande satisfação de viverem em harmonia" (Filipenses 2 1-2).



É esta coragem e esta consolação no Amor que dá força ao cristão para vencer a tentação e o mal, não se desviando do caminho de Deus e da Salvação.

sábado, 23 de agosto de 2008

Exemplo de vida

Para Pensarmos. Fazer a nossa parte. Hoje. Amanhã pode ser tarde demais. Porque nunca sabemos nem o dia nem a hora em que seremos chamados a prestar contas.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Fidelidade de Deus


Deus é fiel para com os homens. As Suas promessas mantêm-se válidas, ao longo dos tempos. Elas são imutáveis. O que muda são os desejos dos homens. Por isso, Deus não realiza aquilo que nós queremos, aquilo que nós pensamos ser o melhor para nós, mas sim aquilo que Ele sabe ser verdadeiramente bom para nós. Pode ser, sim, que aquilo aquilo que nós queremos coincida com aquilo que Deus sabe ser melhor para nós.


No entanto, as promessas de Deus mantêm-se mesmo que os homens não creiam. E os homens recolhem segundo a justiça do que semeiam.


O apóstolo Paulo refere, em Romanos 3, que Deus é verdadeiro, mas são os homens que estão sujeitos à mentira e serão pelas suas palavras justificados e julgados. Mais, o apóstolo chama a atenção de que todos estamos sujeitos ao pecado e a nossa condição, seja de raça, seja social, seja de religião, não nos livra, à partida, do pecado. O que nos justifica perante os olhos de Deus é a nossa fé em Jesus Cristo, onde também não é feita distinção. "É por ventura, Deus somente dos judeus? Não o é também dos gentios? Sim, também é dos gentios, visto que Deus é um só, o qual justificará pela fé, o circunciso e, mediante a fé, o incircunciso" (Rom. 3 29).

Quem tenha olhos, que o leia.

Que a paz esteja convosco.


segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Cidade de Deus, cidade dos Homens

Agostinho de Hipona, na sua obra 'Cidade de Deus' defende, de um modo geral, que existem duas cidades: a de Deus, dedicada a seguir a Palavra do Senhor e a cidade dos interesses mundanos. Posteriormente, este conceito foi tomado no sentido de que a Cidade de Deus era única e exclusivamente a Igreja. No entanto, assim não foi entendido por Agostinho: o que ele defendeu foi a interpretaçao da história da humanidade como o conflito entre a Cidade de Deus, inspirada no amor à Deus e nos valores que Cristo pregou, presentes na Igreja, e a Cidade humana, baseada nos valores imediatos e mundanos. Essas cidades estariam presentes na alma humana, e no final a Cidade de Deus triunfaria.
Deste modo, estas duas cidades são mundos da alma humana e se em termos físicos, na cidade dos Homens há cidadãos da Cidade de Deus - homens tementes a Deus e seguidores da Justiça -, na Igreja também não faltam cidadãos da cidade dos homens: aqueles membros ecesiásticos que acabam por se afastarem da virtude para servir os interesses humanos.
Em todas as denominações da Igreja, da Igreja Católica (Romana ou Ortodoxa), às Igrejas evangélicas, não faltam estes cidadãos da cidade dos homens: dominados pela ambição, seja do poder político, seja do poder económico; dominados pelo orgulho, com a convicção de que são detentores da verdade absoluta, confundindo a essência da Fé com a tradição.
Tenho que confessar que sendo a Igreja de Cristo apenas uma, custa-me entender as diversas comunidades ditas cristãs, por vezes odiando-se de morte umas às outras.
E vem-me à mente o Profeta Malaquias: 'O filho honra o pai, e o servo o seu senhor. Se Eu sou o Pai, onde está a minha honra? E, se Eu sou o Senhor, onde está o respeito para Comigo? (Malaquias, 1. 6.).
Paulo escreveu diversas cartas às Igrejas por onde passou. A algumas ele elogia, mas a outras repreende-as, porque se estavam a afastar da essência da Mensagem de Cristo. Mas cada uma destas igrejas é apenas uma, na cidade em que está: é a Comunidade de Cristo. A comunidade de Cristo em Efésio, em Corinto, em Roma, em Filipo, em Colonos, etc.
Posso ser muito ignorante e certamente que o sou, mas não encontro nas suas cartas referências a várias igrejas num mesmo local: ou são seguidores de Cristo ou não são, sendo, por exemplo, judeus ou pagãos.
Àqueles que se dizem seguidores de Cristo, deve ser a Bíblia - no Antigo e Novo Testamento, porque o segundo complementa e completa o primeiro - o Guia de Vida. Mas também é necessário o discernimento suficiente para entender o que é essencial e acessório. O cerne dos valores, que se mantêm actuais ao longo dos tempos, e o que resulta apenas das circunstâncias das épocas.
Por outro lado, conforme Paulo escreveu aos Romanos:
"Não nos julguemos mais uns aos outros; pelo contrário, tomai o propósito de não pordes tropeço ou escândalo ao vosso irmão.
"Eu sei e estu persuadido, no Senhor Jesus, de que nenhuma coisa é de si mesmo impura, salvo para aquele qeu assim a considera; para esse é impura.
Se, por causa de comida, o teu irmão se entristece, já não andas segundo o amor fraternal. (Romanos 14 14.15).
Que tudo isto nos sirva de reflexão sobre o que é essencial e acessório no seguimento da Palavra de Deus.