terça-feira, 15 de julho de 2008

Mais do que a fé, o amor

Michelangelo Buonarroti (1475-1564)
Profeta Zacarias - tecto da Capela Sistina, Vaticano. 1508-1512

Cerca de meio milénio antes de Cristo, os israelitas regressaram a Jerusalém, depois do cativeiro da Babilónia. É nesta altura que o Senhor fala ao profeta Zacarias. Embora seja considerado um dos profetas menores, não deixa de ser interessante olhar o seu livro.
É um momento especial na história de Israel. No quarto ano do rei babilónio Dário, os israelitas reconstroem o Templo, e ao mesmo tempo querem o favor de Deus. Durante o tempo do cativeiro, setenta anos, jejuaram duas vezes por ano, em penitência e voto para regressar à Terra Prometida. Agora já estão lá e perguntam aos sacerdotes e profetas se devem ou não manter esse jejum para agradar ao Senhor. E Deus revela-se a Zacarias. Mostra que o jejum praticado durante o cativeiro não era para benefício de Deus, mas para benefício dos cativos. Se a comida e a bebida era para benefício de cada um, como o jejum – a ausência dessa comida e dessa bebida - podia ser benefício para Deus? Nada tinha que ver uma coisa com a outra.
E Deus revela a Zacarias o que verdadeiramente lhe agrada: “Executai juízo verdadeiro, mostrai bondade e misericórdia, cada um a seu irmão; não oprimais a viúva, nem o órfão, nem o estrangeiro, nem o pobre, nem intente cada um, em seu coração, o mal contra o seu próximo”(Zac. 7. 9-10).
Estas palavras mantêm-se válidas, milhares de anos depois de terem sido reveladas. Porque a Palavra de Deus é perene. Jesus ensina a mesma coisa e o apóstolo Paulo, na revelação do Espírito Santo, a mesma coisa fala.
Com efeito, de pouco valem os actos exteriores de manifestação religiosa - os jejuns, a frequência dos ofícios religiosos, etc – se em nossos corações não escutarmos a Palavra de Deus, não a seguirmos nem a praticarmos. De nada nos serve a Fé, se ela não for acompanhada do Amor, que é a materialização do que Deus nos ensina. A confiança em Deus, mas igualmente, a prática da Sua Vontade que é a do Amor. Amor para com Deus, certamente, mas igualmente, amor para com o próximo.
O apóstolo Paulo afirma que de nada serve o conhecimento, a cultura, ou até a profecia e a fé ou, ainda um desfazer-se de todos os seus bens a favor dos pobres, se não tiver amor. E quando fala em Amor, é o amor de dentro do coração. É o Amor da humildade, da mansidão e da concórdia. É o Amor que não se alegra com a desgraça alheia, nem divulga a malidicência e a inveja e que é paciente, sabe esperar com confiança.
Nem sempre é fácil. Nem sempre conseguimos calar os actos que são contra o Amor de Deus. Mas por isso que existe o arrependimento, a humildade de reconhecer o erro, perante Deus e os irmãos. E se pedido com coração sincero, a Misericórdia de Deus, através de Jesus Cristo, limpa as nossas faltas.

Mostrai pois, em cada dia, em cada momento, a bondade e a misericórdia. E Deus será satisfeito e abençoará, quem se importa com Ele e com a Sua Palavra.

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