sexta-feira, 30 de maio de 2008

Não apenas a Fé, mas também as obras


(GIOVANNI DI PAOLO (1395/1400 CA - 1482) TÊMPERA SOBRE MADEIRA - PINACOTECA DOS MUSEUS DO VATICANO)
'Não são os que têm saúde que precisam de médico mas sim os doentes' (Mat. 9. 12)
Como cristãos empenhados na Palavra não podemos fazer 'ouvidos de mercador' àqueles nossos irmãos que sofrem, estejam ou não na Fé.
Aos irmãos que estão na Fé, muitas são os momentos de vacilar, da tentação, as quedas na dúvida.
Jesus, o próprio Jesus, no Jardim das Oliveiras, antes de ser entregue e quando se retirou para orar, reflectiu essa angústia de evitar o sofrimento, esse vacilação: 'Meu Pai, se é possível passe de mim este cálice' (Mat. 26 39). Mas ao mesmo tempo, mostra a confiança no Pai, mesmo sabendo que ia ser entregue e morto no maior dos sofrimentos e da forma mais vil para a época, que era ser crucificado, porque logo a seguir, Jesus resigna-se: 'Todavia, não seja como Eu quero, mas como Tu queres'.
Enquanto isso, os três discípulos que O acompanharam, entre os quais Pedro, estão dormindo. E Jesus recomenda "Vigiai e orai para não cairdes em tentação, porque a carne é fraca' (Mat. 26. 41).
Queremos estar na Fé, queremos ser amigos de Deus, mas a carne é fraca, a natureza humana, por si só é fraca. Por isso, não podemos nunca desarmar e como Jesus disse, essa melhor maneira é vigiar e orar. Porque 'o diabo, vosso adversário, anda ao redor de vós, como um leão que ruge, buscando a quem devorar' (1 Ped. 5. 8)

Por isso, mesmo os irmãos na Fé precisam dessa cura da Palavra de Deus, para se manterem fortes contra os arremessos do demónio que não cessam, sobretudo nos primeiros tempos da conversão e até que o Espírito de Deus esteja bem enraizado em nossas almas.

Mas temos também os nossos irmãos que não estão na Fé. Foi especialmente para esses que Cristo veio e deixou a Sua Palavra. São esses que mais precisam de encontrar a Cristo, de encontrarem o caminho da Libertação e da Salvação. E também são esses que mais precisam de serem ajudados pelos outros irmãos, para que não duvidem, não se deixem ir abaixo quando encontrarem as primeiras contrariedades, porque o caminho de Deus é estreito e difícil (Mat. 7.13). Tornar-se-á fácil, no entanto, mas só à medida que crescer a nossa fé, confiança e gratidão para com o Senhor. É um caminhar de passos pequenos, de pequenas vitórias e por vezes grandes derrotas para a nossa vontade puramente humana, porque 'Pedi e dar-se-vos-á; procurai e encontrareis; batei e abrir-se-á' (Mat. 7. 7-8).
Pregar a palavra, mostrar a Fé. Mas mostrar essa Fé, não somente através das Orações , mas dos actos. 'Nem todo o que Me diz: Senhor, Senhor, entrará no reino dos Céus, mas sim aquele que faz a vontade de Meu Pai que está nos Céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não foi em Teu nome que profetizámos, em Teu nome que expulsámos os demónios e em Teu nome que fizemos muitos milagres? E, então, dir-lhes-ei Nunca vos conheci; afastai-vos de Mim, vós que praticais a iniquidade' (Mat. 7. 21-23).
E que iniquidade é esta? Muitas vezes a falta da Misericórdia e de gratidão. Só a Fé, não basta. Ela tem de ser completada com as boas obras, com as discretas obras plenas de Amor pelo próximo, como o Senhor tem de amor por nós.
Lembremo-nos das Palavras: 'Vinde a mim todos os que estais cansados e oprimidos, e aliviar-vos-ei. Tomai sobre vós oMeu jugo, e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração, e achareis alívio para as vossas almas, pois o Meu jugo é suave e o Meu fardo é leve' (Mat.12. 28-30). E deixemo-nos ser o instrumento d'Ele, através das obras de Misericórdia, para levarmos a Palavra a quem dela mais precisa.

Que o Espírito Santo vos ilumine no dia de hoje e guie nas vossas acções.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Depressão


Hoje a depressão é uma das doenças mais expandidas pela humanidade. Certamente que há factores físicos que contribuem para isso e os remédios anti-depressivos são como 'emergências' para aliviar os sintomas. Mas esses remédios, por si só, não curam. Aliviam os sintomas mas não mudam as causas.


A depressão, de um ponto de vista mais espiritual é também um trabalho do demónio para, com o pessimismo e o desalento que assola a pessoa, a levar à descrença, à falta de confiança e da fé e, assim, a afastar de Deus, porque Deus é confiança.

'Pois o inimigo me tem perseguido a alma; tem arrojado por terra a minha vida; tem-me feito habitar na escuridão, como aqueles que morreram há muito.
Por isso, dentro de mim esmorece o meu espírito, e o coração se vê turbado. (Salmo 143. 3-4)



Emocionalmente, a depressão resulta também de pedirmos ou de nos ser pedido sem espírito de gratidão. Na nossa infância e, depois, na adolescência, somos educados com vista a expectativas muitas altas. Se eu sou camponês, quero o meu filho operário. Se sou operário, quero o meu filho administrativo, se sou administrativo, quero o meu filho administrador. E hoje, com todas as facilidades, frequentemente passamos de uma etapa muito baixa para uma muito alta. Não quero dizer que o filho do camponês não possa ser um administrador, tem todo o direito e liberdade de o ser, mas para isso, ele também precisa de estar devidamente preparado e saber enfrentar a longa jornada de luta que terá pela frente. E na maioria das vezes não está preparado. Tem o sonho, mas não tem sequer as ferramentas para alcançar esse sonho. E as ferramentas não é só o conhecimento, mas também a força de carácter e de vontade para atingir os seus objectivos.



Com frequência colocamos as fasquias muito altas e criamos mundos de sonho, que confrontados com a realidade, tornam-se impossíveis de realizar. Perante estes dois mundos tão diferentes: o que humanamente nos foi prometido e o que humanamente não conseguimos alcançar, instala-se, então a revolta, a inveja em relação aos que consideramos bem-sucedidos na vida e nos sentimos miseráveis, deixando destruir a nossa alto-estima. E esse é o campo propício para o demónio semear as suas sementes do mal: a murmuração, as discórdias, os actos para prejudicar o outro, na ilusão de que, o prejudicando, estou trazendo vantagem para mim.



Na realidade, somos educados a exigir muito da sociedade e de nós mesmos, mas sem espírito de gratidão. Valoriza-se o alcance do objectivo final e se tal não for possível, somos encarados como fracassos. E é a falta de gratidão que impede de vermos os progressos que vamos tendo ao longo da nossa vida. Progressos que podem parecer pequenos, mas que são, na realidade cada humilde tijolo de que se faz a grande construção. E valorando cada tijolo, e o seguinte, e o seguinte ainda, por aí fora, quando damos por isso estamos valorizando o edifício inteiro. Porque valorizando cada pequena parte, estamos caminhando para um todo, ao mesmo tempo que vamos libertando a nossa alma dos impecilhos que levam a ver as coisas de forma negativa e construimos a esperança e a visão positiva e de confiança que Deus deseja que nós tenhamos.

Recentemente passei por dificuldades e senti-me como canta o salmista no referido Salmo 143. Mas também Deus me inspirou a fazer o que se segue no resto do mesmo salmo:

'Lembro-me dos dias de outrora, penso em todos os teus feitos e considero nas obras das tuas mãos.
A ti levanto as mãos; a minha alma anseia por ti, como terra sedenta.
Dá-te pressa, Senhor, em responder-me: o espírito me desfalece; não me escondas a tua face, para que eu não me torne como os que baixam à cova.
Faz-me ouvir, pela manhã, da tua graça, pois em ti confio; mostra-me o caminho por onde devo andar, porque a ti elevo a minha alma.
Livra-me, Senhor, dos meus inimigos; pois é em ti que me refugio.
Ensina-me a fazer a tua vontade, pois tu és o meu Deus; guie-me o teu bom Espírito por terreno plano'. (Salmo 143. 5-10).

Ao mesmo tempo que orava a pedir forças e protecção da Deus, me sentia em gratidão. Gratidão porque sabia que Ele não me abandonava e por cada dia que eu conseguia ultrapassar, sem me ir mais abaixo. Em gratidão por todos os meus colegas que Ele colocou no meu caminho e se revelaram verdadeiros amigos: solidários e me ajudando em palavras e actos. Gratidão para com os meus colegas, mas também para com Deus por em cada dia, me colocar a meu lado estes 'anjos da guarda', de coração generoso para me auxiliarem.
Em gratidão por me sentir guardado por Deus e antecipadamente ter a confiança de que Ele escutaria a minha oração, a minha angústia, apesar dos meus muitos pecados. Confiança de que a Sua Misericórdia é maior que a sua Ira e Ele sabe de quanto estou arrependido do que pequei e por isso me ajuda para o meu bem, mesmo que de momento eu não entenda.


Ao longo das leituras bíblicas, pela inspiração do Espírito Santo, Deus foi reforçando a minha esperança, a força da alma para me manter firme na provação. Sei que ainda me espera um longo caminho e mil cuidados, mas 'tomei o gosto' a sentir-me junto de Deus, a escutar, pelo menos diariamente, a Sua Palavra, quer pela leitura bíblica, quer pelas 'inspirações' que assolam o meu espírito, quando oro e me entrego nas Suas Mãos, como um menino se confia nos braços de sua mãe.
Este é o meu testemunho de hoje.

Paz e Fé em vossos corações, que a Alegria virá naturalmente por acréscimo.

Espírito de gratidão

(Direitos reservados - aabaran)
‘Não se aflijam com coisa nenhuma, mas em todas as orações peçam a Deus o que precisam, com espírito de gratidão’. (Filipenses 4. 6).

Pedir. A maioria das vezes que oramos a Deus é para Lhe perdi algo: uma ajuda numa dificuldade, forçar para enfrentarmos no nosso dia-a-dia, que nos torne melhores pessoas, que nos livre dos males e doenças, que nos cure, enfim, toda uma imensidão de coisas. E está certo, porque Deus e seu filho Jesus, estão para acudir àqueles que mais necessidade têm. Não se vai ao médico quando se está bom, mas quando está doente. No entanto, melhor do que cair na doença é prevenir. Por isso que, mesmo sem necessidade de nada em específico é bom orar, por hábito a Deus.
A vida terrena de Jesus está cheia de exemplos em como ele veio para estar com os mais necessitados: os desprezados, muitas vezes os mais pecadores aos olhos de todos – porque são esses que, mais do que ninguém, precisam de encontrar o caminho da Salvação – , e com os que sofrem.
É evidente que todos precisamos de viajar nos caminhos de Deus, mas também sabemos, e isto sem sentido crítico, que há irmãos nossos que precisam de uma maior atenção de Deus e de nós mesmos, nem que seja através das nossas orações por eles.
E foi para todos estes ‘enjeitados’, que precisam de um consolo, de se converterem, que Jesus deixou uma atenção especial na Sua Palavra.

Pedimos e está certo pedirmos a Deus, porque Ele quer ouvir os nossos pedidos, para nos responder em pleno espírito de misericórdia. Está certo pedirmos da Deus, através de Jesus, porque é uma forma dos nossos espíritos e das nossas almas estarem mais perto d’Ele.

Mas, quantos de nós pedimos com ‘espírito de gratidão’, como o apóstolo Paulo recomenda na carta aos Filipenses?
E o que é pedir com espírito de gratidão?
Paulo acrescenta nas recomendações aos Filipenses: ‘E a paz de Deus, que vai mais além do que nós podemos entender, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em união com Cristo Jesus’ (Filp. 4. 7).
Então, antes do mais, pedir com espírito de gratidão é pedir com confiança em Deus, com confiança na Palavra de Jesus: “Pedi e vos será concedido”. É pedir com esperança e como também escreve Paulo na carta aos Hebreus: ‘Esperança é a força da alma, a força que nos mantém firmes na provação. E ter esperança é ter confiança’ (Hebreus 6. 19)
É pedir, não como uma exigência que façamos a Deus, - como uma ordem que um chefe manda o seu subordinado fazer, porque essa é a sua obrigação -. Não. Pedir a Deus é confiar na Sua Sabedoria e na Sua misericórdia. E se aquilo que pedimos, aparentemente não se cumpre, é sabermos aceitar que Deus vê mais longe, ‘vai mais além do que podemos entender’ e Ele sabe o que no futuro é melhor para nós e concorre para o nosso bem e, em última análise para a nossa caminhada em direcção à Salvação.
Melhor do que ninguém, e sobretudo melhor do que nós mesmos, Deus sabe aonde nos levará aquilo que pedimos. E essa sua ‘escolha’ é, na realidade a orientação que precisamos, se as nossas almas e os nossos espíritos souberem entender verdadeiramente o que nos diz o Espírito Santo.

Pedir com espírito de gratidão é pedir com fé, mas também com a alegria antecipada sobre aquilo que nos for dado. É pedir e ao mesmo tempo louvar ao Senhor. Porque a Ele nada é impossível.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Vós sois o sal da terra


Há muitos anos, era costume a um canto do Rossio, em Lisboa, instalar-se um homem, de uma certa idade, estrangeiro, com uma banca, cartazes e de megafone em punho pregava a Palavra de Deus e falava da Bíblia. Não sei se converteu alguém ou se o seu exemplo foi semente que deu fruto. Provavelmente sim. No entanto, fizesse o tempo que fizesse, o homem ia para esse lugar todos os dias fazer a sua pregação, indiferente aos sorrisos de troça que muitas vezes as pessoas esboçavam: "Coitadinho, mais um maluquinho...".
Já há muitos anos que não o vejo. Provavelmente o Senhor o chamou.
Há um par de semanas, ia no Metro. Num dos bancos, ia uma freira, de meia-idade, no seu hábito cinzento de uma ordem da Igreja Católica. Ia metida consigo mesma, como quase todas as pessoas daquela carruagem. E digo quase todas, porque uns metros mais adiante, na plataforma, ia um casal jovem de mau aspecto e perante os risos de galhofa da moça, o homem insultava em voz alta a freira, nomeadamente com palavras e gestos de teor sexual.
No nosso dia-a-dia, quantas vezes o testemunho cristão é olhado com um sorriso de troça, uma blasfémia, um desprezo? E isso, quantas vezes, não intimida quem não está tão seguro da fé ou quem, por natureza, é tímido?
E no entanto....
'Bem-aventurados sereis quando vos insultarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o género de calúnias contra vós, por minha causa' (Mt5 11).
Jesus manda-nos ser 'o sal da terra' (Mt6 13), darmos testemunho da nossa fé e da Sua Palavra.
Nem sempre é fácil. Quase nunca é fácil. Por isso que necessitamos de muita oração junto do Senhor, para ele nos dar o valor que precisamos, para podermos ser o sal a que Jesus se refere.
Porque precisamos de ter muita coragem e serenidade emanadas do Pai para ouvirmos o que não gostamos, para sentirmos o que nos desagrada e em vez de reagirmos com cólera, aceitarmos isso como uma prova de Deus à nossa Fé na Sua Pessoa.
Devemos lembrar então a Job e como, depois de todas as provas a que foi submetido apenas respondeu ao Senhor: 'Sei que podes tudo e que nada te é impossível'. (Job42 1-2).

domingo, 25 de maio de 2008

Contra nós ou por nós

(Foto emiliemcw)
"Mestre, vimos um homem expulsar espíritos maus em teu nome e proibimo-lo, porque não é dos nossos". Mas Jesus disse-lhes: "Não proibam isso, porque quem não é contra nós, é por nós". (Luc. 9 49-50).

Quem não é por nós, é contra nós. É assim que o mundo pensa e os homens do mundo fazem as suas exigências: ou és meu amigo ou amigo dele e se és amigo dele, não és meu amigo, és meu inimigo.
Com isto é semeada a discórdia entre as pessoas. Cada um olha só no seu egoísmo, cego à liberdade que as pessoas têm, às escolhas que elas possam fazem sem, necessariamente, essa escolha ser uma escolha adversária às nossas posições.

Mas quão diferente é a posição de Jesus: quem não é contra nós, é por nós.
Parece quase o mesmo, mas não é. É uma atitude diferente, mais acolhedora, a atitude que admite a coexistência.
Mais, nos tempos que correm, em que o Cristianismo se cindiu em facções e facções, na sua maioria, cada uma reclamando a exclusividade da Salvação, estas palavras de Jesus ganham uma outra dimensão: Jesus não quer que os discípulos proibam quem em Seu nome exerça também o ministério, só porque não pertence ao grupo dos 12. O que Jesus quer é que seja pregado o Evangelho, seja propagada a Sua Palavra.
O que conta é a Fé e o cumprimento dos Mandamentos. Agora se o serviço religioso é canto gregoriano ou rock-in-roll, pouco importa. O que importa é o conteúdo, não a embalagem em que esse conteúdo vem.
Na certeza, porém, que é da boa árvore que brotam os bons frutos.

A paz de Deus em nossos corações.

sábado, 24 de maio de 2008

Milagres


(Coldwater Lake- Mount St Helen, Cowlitz County, Washington- USA)

Como já disse anteriormente, o ser humano tem sede de manifestações do sobrenatural. Mas busca essencialmente que essas manifestações se expressem de forma espectacular: que os paralíticos andem, que os mudos valem, que os cegos vejam, etc. Não é que isso não seja impossível a Deus, já que a Ele nada é impossível. Mas Deus deseja também que nós vejamos todas esses pequenos milagres que constantemente Ele nos faz à nossa volta.
Quando Jesus se retirou para o deserto por 40 dias, Ele também foi tentado pelo demónio, justamente para fazer os milagres-espectáculo: a transformação das pedras em pão (Lc 4. 3) e o de se atirar do pináculo do templo e ser amparado pelos anjos (Lc4. 9-11). Mas Jesus recusou-se a servir desse modo o demónio: "Não tentarás o Senhor Teu Deus".
Mas os milagres existem, sim.
Existem quando o Senhor ouve a nossa oração e concede as graças que Lhe pedimos.
Existem quando o Senhor coloca nas nossas vidas aquelas, por vezes, pequenas coisas inesperadas mas que têm para nós um significado enorme: um sorriso, uma palavra amável, um abraço.
Existem quando o Senhor enche nossas almas de serenidade e de uma alegria que nos conforta nos desafios que temos de enfrentar.
Existem em toda a Natureza, fruto da Sua Obra, mas a que muitas vezes somos cegos.
São estes pequenos milagres, este 'pãp nosso de cada dia' - pão no sentido da comida, mas também pão no sentido da Palavra, já que Jesus disse 'Eu sou o Pão da Vida' - que devemos agradecer ao Senhor.

Uma das passagens mais bonitas de louvor a Deus é o 'Cântico de David' (1º Par 16. 8-36).
E tem especial significado as estrofes:

'Recordai as maravilhas que
Ele opera
Os prodígios e juízos da Sua boca.' (1º Par 16. 12)

e mais adiante:

'Publicai a Sua glória em
todas as nações
E as Suas maravilhas em
todos os povos' (1º Par 16. 24)

Com efeito, estamos rodeados das maravilhas de Deus e essas maravilhas, que tantas vezes nem reparamos nelas, já são os milagres por que nossa alma anseia. Basta abrir os olhos do espírito e, iluminados pela Fé, reconhecer a obra de Deus.

Paz e tranquilidade em vossos corações

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Falsos deuses

(Profeta Daniel no fosso dos leões. Ícone. Constantinopla, Sec. XIV)

Os falsos deuses sempre existiram na vida do Homem. Em Daniel 14 é relatado uma vez mais um desses episódios: o rei Ciro presta culto a Bel e o profeta ao "Deus vivo que criou o céu e a terra e que exerce o seu domínio sobre toda a carne". O rei desafia o profeta a provar que Bel é falso e não consome durante a noite as oferendas de comida que diariamente lhe são deixadas. Daniel aceita o desafio e depois de serem postas as oferendas na sala de Bel e já a sós com o rei peneira cinza no chão e ambos fecham e selam as portas. Na manhã seguinte, quando as postas são abertas, as oferendas já não estão lá, mas na cinza estão as marcas dos pés dos sacerdotes, suas mulheres e filhos, que por uma passagem secreta no altar a Bel, acediam à sala e consumiam eles as oferendas.

Muitos anos se passaram desde o tempo do profeta Daniel. Deus reforçou a sua aliança com a vinda do Seu Filho, Jesus Cristo, para a nossa salvação.
No entanto, quantas vezes somos confrontados com os falsos deuses? Antigos ídolos, mas também os novos ídolos?
'Deuses' materiais e facilmente identificávais, mas também 'deuses' mais subtis: as crenças que nos conduzem, não à salvação, mas à perdição, à 'segunda morte', a morte da alma.
A nossa alma tem sede de manifestações do 'divino', manifestações sobrenaturais que não saibamos explicar. O demónio sabe isso muito bem e não se poupa a esforços para nos confundir com manifestações desse tipo, por vezes 'mascaradas' de 'manifestações divinas'.
Porém, quer aceitemos, quer não, a verdadeira revelação está na Bíbilia: no Antigo Testamento, no testemunho dos profetas, no Novo Testamento, nas palavras de Jesus, enviado por Deus para nos salvar, nos Actos dos Apóstolos os seus seguidores e nas Cartas escritas por João, Tiago, Pedro e Paulo - testemunhos e recomendações de vida para quem quer ser verdadeiramente amigo de Cristo e de Deus.
Testemunhos e revelações da fé iluminante, onde o nosso passado pecador tem a oportunidade da redenção. Como Paulo na estrada de Damasco, cego pela Luz e interrogado pelo próprio Deus: "Porque me persegues?". E o renascer da sua cegueira, para se tornar num homem novo - um discípulo dedicado, revelador da Palavra.

Paz de Deus nos vossos corações.