quarta-feira, 28 de maio de 2008

Depressão


Hoje a depressão é uma das doenças mais expandidas pela humanidade. Certamente que há factores físicos que contribuem para isso e os remédios anti-depressivos são como 'emergências' para aliviar os sintomas. Mas esses remédios, por si só, não curam. Aliviam os sintomas mas não mudam as causas.


A depressão, de um ponto de vista mais espiritual é também um trabalho do demónio para, com o pessimismo e o desalento que assola a pessoa, a levar à descrença, à falta de confiança e da fé e, assim, a afastar de Deus, porque Deus é confiança.

'Pois o inimigo me tem perseguido a alma; tem arrojado por terra a minha vida; tem-me feito habitar na escuridão, como aqueles que morreram há muito.
Por isso, dentro de mim esmorece o meu espírito, e o coração se vê turbado. (Salmo 143. 3-4)



Emocionalmente, a depressão resulta também de pedirmos ou de nos ser pedido sem espírito de gratidão. Na nossa infância e, depois, na adolescência, somos educados com vista a expectativas muitas altas. Se eu sou camponês, quero o meu filho operário. Se sou operário, quero o meu filho administrativo, se sou administrativo, quero o meu filho administrador. E hoje, com todas as facilidades, frequentemente passamos de uma etapa muito baixa para uma muito alta. Não quero dizer que o filho do camponês não possa ser um administrador, tem todo o direito e liberdade de o ser, mas para isso, ele também precisa de estar devidamente preparado e saber enfrentar a longa jornada de luta que terá pela frente. E na maioria das vezes não está preparado. Tem o sonho, mas não tem sequer as ferramentas para alcançar esse sonho. E as ferramentas não é só o conhecimento, mas também a força de carácter e de vontade para atingir os seus objectivos.



Com frequência colocamos as fasquias muito altas e criamos mundos de sonho, que confrontados com a realidade, tornam-se impossíveis de realizar. Perante estes dois mundos tão diferentes: o que humanamente nos foi prometido e o que humanamente não conseguimos alcançar, instala-se, então a revolta, a inveja em relação aos que consideramos bem-sucedidos na vida e nos sentimos miseráveis, deixando destruir a nossa alto-estima. E esse é o campo propício para o demónio semear as suas sementes do mal: a murmuração, as discórdias, os actos para prejudicar o outro, na ilusão de que, o prejudicando, estou trazendo vantagem para mim.



Na realidade, somos educados a exigir muito da sociedade e de nós mesmos, mas sem espírito de gratidão. Valoriza-se o alcance do objectivo final e se tal não for possível, somos encarados como fracassos. E é a falta de gratidão que impede de vermos os progressos que vamos tendo ao longo da nossa vida. Progressos que podem parecer pequenos, mas que são, na realidade cada humilde tijolo de que se faz a grande construção. E valorando cada tijolo, e o seguinte, e o seguinte ainda, por aí fora, quando damos por isso estamos valorizando o edifício inteiro. Porque valorizando cada pequena parte, estamos caminhando para um todo, ao mesmo tempo que vamos libertando a nossa alma dos impecilhos que levam a ver as coisas de forma negativa e construimos a esperança e a visão positiva e de confiança que Deus deseja que nós tenhamos.

Recentemente passei por dificuldades e senti-me como canta o salmista no referido Salmo 143. Mas também Deus me inspirou a fazer o que se segue no resto do mesmo salmo:

'Lembro-me dos dias de outrora, penso em todos os teus feitos e considero nas obras das tuas mãos.
A ti levanto as mãos; a minha alma anseia por ti, como terra sedenta.
Dá-te pressa, Senhor, em responder-me: o espírito me desfalece; não me escondas a tua face, para que eu não me torne como os que baixam à cova.
Faz-me ouvir, pela manhã, da tua graça, pois em ti confio; mostra-me o caminho por onde devo andar, porque a ti elevo a minha alma.
Livra-me, Senhor, dos meus inimigos; pois é em ti que me refugio.
Ensina-me a fazer a tua vontade, pois tu és o meu Deus; guie-me o teu bom Espírito por terreno plano'. (Salmo 143. 5-10).

Ao mesmo tempo que orava a pedir forças e protecção da Deus, me sentia em gratidão. Gratidão porque sabia que Ele não me abandonava e por cada dia que eu conseguia ultrapassar, sem me ir mais abaixo. Em gratidão por todos os meus colegas que Ele colocou no meu caminho e se revelaram verdadeiros amigos: solidários e me ajudando em palavras e actos. Gratidão para com os meus colegas, mas também para com Deus por em cada dia, me colocar a meu lado estes 'anjos da guarda', de coração generoso para me auxiliarem.
Em gratidão por me sentir guardado por Deus e antecipadamente ter a confiança de que Ele escutaria a minha oração, a minha angústia, apesar dos meus muitos pecados. Confiança de que a Sua Misericórdia é maior que a sua Ira e Ele sabe de quanto estou arrependido do que pequei e por isso me ajuda para o meu bem, mesmo que de momento eu não entenda.


Ao longo das leituras bíblicas, pela inspiração do Espírito Santo, Deus foi reforçando a minha esperança, a força da alma para me manter firme na provação. Sei que ainda me espera um longo caminho e mil cuidados, mas 'tomei o gosto' a sentir-me junto de Deus, a escutar, pelo menos diariamente, a Sua Palavra, quer pela leitura bíblica, quer pelas 'inspirações' que assolam o meu espírito, quando oro e me entrego nas Suas Mãos, como um menino se confia nos braços de sua mãe.
Este é o meu testemunho de hoje.

Paz e Fé em vossos corações, que a Alegria virá naturalmente por acréscimo.

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