sexta-feira, 13 de junho de 2008

Mente positiva


Empenhados no sentir de Cristo nas nossas vidas, é bom louvar a Deus. É um acto de amor. Qual é o apaixonado que não destaca as qualidades da sua amada? Amar a Deus acima de todas as coisas é o primeiro mandamento, a que se segue o de Amar o próximo como a nós mesmos.
Então, há o Amar a Deus, o amar a nós mesmos - isso é muito importante - e o amar o próximo.
Amar a nós mesmos, não é o orgulho na nossa pessoa, o narcisismo. Isso é a armadilha do demónio para nos desviar do verdadeiro amor por nós próprios. O Amor a nós próprios deve partir de que fomos criados à Imagem de Deus. Somos também uma obra Sua, como o resto da Natureza e nesse modo, devemos cuidar e perservar o que Deus tão gratuitamente no dá. Cuidar fisicamente, de forma a mantermos tanto quanto possível uma boa saúde e cuidar espiritualmente, de forma a procurarmos estar na Graça de Deus. Mente sã em corpo são. O aforismo dos romanos pagãos, mantém-se válido para o cristão, porque em nada interfere com a sua fé. E o amor cristão a nós próprios é ter uma mente positiva. Porque temos a arma da Fé em Deus, porque é nossa convicção de que Ele cuida de nós, como o Bom Pastor. E é esta mente positiva que devemos ter para com o próximo, para o amarmos, do mesmo jeito que Cristo nos amou.
Ter uma mente positiva é afastarmos de nós o desalento pela descrença, a inveja em relação ao nosso próximo, a malidicência em relação a quem nos rodeia. Ter uma mente positiva é também o primeiro passo para o Espírito Santo entrar em comunhão com o nosso espírito e nos encher das graças por tudo o que Deus nos dá, por pequeno que seja. Ter uma mente positiva é, finalmente, abrirmos a porta para darmos e recebermos a Misericóridia.
E o Amar a Deus e ao nosso irmão, finalmente, combina-se numa acção: darmos louvores a Deus pela fé dos nossos irmãos, ( II Tessa. 1. 3) que igualmente alimenta a nossa fé, dando corpo e sentido à Igreja enquanto Assembleia do Senhor.
Paz de Deus em vossos corações.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Enfrentar as dificuldades


Ser-se cristão, não é ter a vida transformada num 'mar de rosas', como um passe de magia. Bem pelo contrário: é trilhar o caminho estreito e pedregoso. O cristão tem todas as dificuldades que o resto do mundo tem: dificuldades de saúde, laborais, financeiras, familiares, existenciais. Enfim, tudo o que acontece a qualquer ser humano.
Mas o cristão tem mais: tem uma poderosa arma que o faz ter uma atitude diferente perante a adversidade. E essa arma é a Fé. É a esperança. É a confiança de que Deus ajuda quem O ama. Não se vai amar a Deus para Ele nos ajudar. Não. Isso é ser-se interesseiro e consequentemente, hipócrita. Ama-se a Deus de qualquer jeito, porque se Lhe tem amor: em qualquer momento, seja de glória, seja de provação. E Ele nos responderá, segundo a sua Justiça e a veracidade da nossa fé.
Ser-se amigo de Deus não é estar como que numa redoma de vidro, protegido do sofrimento. É enfrentar o sofrimento com uma outra atitude. Enfrentar o sofrimento com paciência, na certeza da esperança e na certeza de que tudo o que Deus faz e permite, não está acima das nossas forças e concorre para o nosso bem. O sofrimento existe. É um facto. Mas se o olharmos como Job, uma prova à nossa fé em Deus, não como um fardo mas o aceitarmos como uma oração que oferecemos a Deus - daí a paciência - para bem de nós mesmos e das pessoas por quem oramos, então esse sofrimento já é 'positivo', porque positiva é a atitude com que o tomemos.

'Não é o sofrimento que glorifica a Deus, mas uma atitude santa diante do sofrer que agrada ao Senhor e lhe traz glória (Joyce Meyer - O Campo da Batalha da Mente, p. 253), referindo-se à passagem em 1 Pedro 2. 19-20).

Todavia e ainda assim, no sofrimento, Deus nos manda o Consolador: o Espírito Santo que nos ajuda quando estamos mais fracos (João 14. 16-17). Que nos ajuda com a voz interior, como também nos ajuda guiando a nossa mão para a passagem bíblica que tem a resposta certa ao nosso momento; que nos ajuda com o irmão que nos dá a palavra certa ou que, pelo menos, ouve pacientemente o nosso desabafo; que nos ajuda com o acontecimento inesperado que responde à nossa prece. Mas sobretudo, e mais importante que todo o resto, o Espírito leva a nossa súplica junto de Deus. E Deus, pelo Espírito, vê dentro de nossos corações. E Deus dispõe tudo para o bem daqueles que O amam e que Ele chamou, segundo o Seu plano (Rom, 8. 18-28), mesmo que na altura não entendemos esse plano.

Mas, mesmo não entendendo o Seu plano, é nosso dever como crentes em Deus, de manter a Fé n'Ele. E de ter a paciência de aceitar a Sua vontade. 'Pai, faça-se não a minha, mas a Tua vontade' (Mt 26, 36-46). O próprio Jesus, no Jardim das Oliveiras, antes de ser entregue para ser crucificado, põe todo o seu futuro, não nas próprias mãos, mas nas mãos do Pai. Humildade e paciência na aceitação do sofrimento. Num sofrimento que Ele não merece, mas que aceita por todos nós, para nos salvar, segundo o plano de Deus-Pai.

Somos, pois, tocados pelo sofrimento como o resto da humanidade. Porém, como os primeiros mártires do Cristianismo, que louvavam e cantavam ao Senhor Deus, na arena do circo, rodeados das feras e dos atacantes, sabendo que o suplício e a morte eram certos, assim nós que também nos dizemos cristãos, devemos enfrentar esse sofrimento, cada vez mais firmes na Fé. E Deus, assim agradado, assim se lembrará de nós...


Paz e paciência misericordiosa em vossos corações.

domingo, 8 de junho de 2008

Compromisso e suporte


'Irmãos, tenham cuidado para que não haja ninguém, entre vocês com um coração tão malvado e descrente que se afaste de Deus Vivo. Pelo contrário, animem-se uns aos outros continuamente, enquanto dura o dia de 'hoje', de que fala a Sagrada escritura. Procedam assim para evitar que alguns de vocês se deixe levar pela sedução do pecado. Na realidade, nós estamos ligados a Cristo e havemos de continuar, se mantivermos firmes até ao fim a confiança que tínhamos no princípio' (Hebreus 3 12-14)

Amar a Deus, segundo os princípios que Jesus Cristo, Seu Filho, nos legou é um compromisso que tomamos nas nossas vidas, enquanto cristãos convictos.
Hoje é muito comum as pessoas dizerem 'sou católico não-praticante'. Mas não é só nos católicos que encontro esta expressão: também entre os islâmicos, entre os judeus, mesmo entre os que de dizem pertencer às igrejas reformadas e oficiais. Mas isso, em termos de Fé, não é nada. 'A circuncisão - sinal de pertencer à religião judaica, correspondente ao baptismo cristão - é, na verdade proveitosa, se tu guardares a lei: se, porém, transgrides a lei, a tua circuncisão torna-se em incircuncisão' (Rom. 3. 25)
Podemos historicamente encontrar uma explicação para essa atitude, tal o comprometimento das religiões oficiais com o Estado e o Poder.
Mas isso não interessa a Deus pra nada e revela uma hipocrisia que Ele abomina. Sejamos misericordiosos: ser-se de qualquer religião, mas não praticante revela, pelo menos, uma total ignorância, porque queremos acreditar que quem tal afirma até nem conscientemente por mal que toma esta atitude. Não faço julgamentos. Isso é um assunto do Senhor e é a Ele que compete decidir segundo a Sua justiça.
De qualquer modo, nesta carta aos Hebreus, Paulo chama a atenção para a necessidade do compromisso pessoal de cada um de nós para com o amor a Deus. Mas um compromisso a sério e empenhado. E os compromissos nunca são fáceis, sobretudo quando o demónio procura por todos os meios destruir a Obra de Deus junto dos homens. Muitas vezes, somos tomados de um excesso de auto-confiança e acreditamos que sozinhos conseguimos dominar a situação e, neste caso, não nos afastarmos de Deus.
Puro engano!
Uma caminhada solitária custa sempre mais do que uma caminhada em conjunto, em que todos os elementos do grupo se inter-ajudam, se incentivam mutuamente.
Por igual nos caminhos da Fé. Cristãos, membros de uma comunidade, precisamos uns dos outros para nos encorajarmos uns aos outros, sobretudo quando a nossa fé vacila, devido às tentações que o demónio nos põe pela frente.
Estas tentações, por vezes, são coisas bem subtis, que quase nem demos por elas e quando abrimos os olhos, já estamos envolvidos no pecado, no comportamento impróprio de quem quer ser Amigo de Deus.
Enquanto cristãos, não devemos cerrar os ouvidos às palavras dos irmãos na Fé, nem a boca, quando os irmãos na Fé precisam de nos ouvir e para tal somos inspirados pelo Espírito Santo.
E quando temos que repreender, fazer uma chamada de atenção, que o façamos sem ofender, mas com Amor. E se não soubermos como falar, pelo menos oremos ao Senhor pra que encha com o seu Espírito os vazios espirituais do irmão que enfrenta a tempestade da vacilação.
Todos nós precisamos uns dos outros, segundo os dons que cada um está habilitado a partilhar. Todos nós, no compromisso cristão, temos o dever de partilhar os nossos dons. Porque todos somos parte de Cristo e Cristo está em cada um de nós. Estamos ligados a Cristo, como diz Paulo. E essa ligação não se rompe enquanto nos mantivermos firmes na fé.
Cristo disse que quando estivesssemos reunidos em Seu nome, Ele estaria no meio de nós. Assim, quando nos juntamos com os nossos irmãos para animarmo-nos mutuamente na fé e para vencer as tentações, é Jesus que está ali, no meio de nós. É o seu Espirito que nos unde, nos ilumina, nos consola. É nesta união da fé que se revela do Consolador, que jesus nos legou após a sua Ressurreição.
Aminemo-nos, pois, mutuamente. Se Jesus é o Bom Pastor, que cada um de nós seja, ao mesmo tempo, a sua ovelha que lhe escuta e vai ao encontro da Sua Voz e o cão de guarda que ajuda o pastor a defender o rebanho do ataque dos lobos que o rondam.
Paz e Misericórida de Deus em vossos corações.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Louvar o Senhor com as migalhas do dia -II


(“O Milagre dos Pães e dos Peixes”, (520 d.C.) Mosaico; basílica de Santo Apolinário, o Novo, Ravena)


Louvar ao Senhor com gratidão, é bom: enche a nossa alma e trnasforma-nos, tornando-nos mais atentos para o que de bonito, por mais simples que seja, está à nossa volta.
É como um exercício constante e o atleta que tem mais chances de vencer as provas é aquele que se treina diariamente e não propriamente, o indivíduo que fica todo o dia sentado no sofá a olhar a televisão.
Mas louvar ao Senhor, por si só, não chega. É bom, mas fica aquém do que completa a dimensão do verdadeiro crente. Por isso que o salmista do Salmo 100 afirma: 'Seguirei por caminhos rectos'.
Seguir por caminhos rectos é uma escolha e para quem escolheu Cristo como modelo de vida é seguir, simplesmente, os caminhos orientadores definidos por ele: '"Escuta Israel! O Senhor nosso Deus é o único Senhor. Ama o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todo o teu entendimento e com todas as tuas forças". E o segundo em importância é este: "Ama o teu próximo como a ti mesmo". Não há nenhum mandamento mais importante que este' (Mateus 12 29-31).
Amar a Deus e ao próximo implica seguir os caminhos da rectidão. Para com Deus e para com os homens. A Ele, evitar faltar-Lhe ao respeito, evitar desafiá-Lo, evitar não confiar n'Ele. Para com os homens, evitar fazer coisas deliberadamente para prejudicar o nosso irmão e evitar de não o socorrer quando ele, pelo menos, nos bate à porta a pedir auxílio.
As orações de louvor e os actos. E com os actos sermos exemplos vivos de irmãos de Cristo para todos os homens.
Nem sempre é fácil. Precisamos da preserverança e da paciência. Precisamos de encarar a adversidade com a atitude da aceitação: aceitação na paciência e aceitação na confiança completa em Deus e no seu auxílio. Não é o sofrimento em si que nos traz a glória dos mártires, mas esta aceitação na paciência. É com a paciência e a aceitação que venceremos. Bem aventurados os pacíficos, porque possuirão a terra.

Que esta paciência e aceitação da adversidade, estejam presentes quando orarmos ao Senhor a pedir forças para enfrentarmos os desafios que se nos põem à frente.

Paz e Amor de Deus em vossos corações.

Louvar o Senhor com as migalhas do dia - I


Cantarei a graça e a justiça,
a Vós, Senhor, entoarei salmos
Seguirei por caminhos rectos,
Oh Quando vireis a mim?
(Salm. 100. 1-2)

Louvemos ao Senhor, diz o salmista. Caramba! É preciso tanto louvor ao Senhor? É preciso bajulá-lo tanto?
Quantas vezes nos nossos momentos de desânimo, de tentação, não fazemos este tipo de perguntas?
Se Deus fosse um humano igual a nós, que com frequência nos deixamos ofuscar pelo nosso orgulho, possivelmente Ele apreciaria a nossa bajulação, mesmo que ela fosse apenas da boca para fora. "Não importa que falem bem ou mal de mim; o que importem é que falem"!
Mas não. Felizmente, Deus não é humano nem está corrompido pela vaidade humana e está muito além dessa necessidade de ter o seu ego alimentado.
Deus nem quer, conforme disse Jesus, que nós repetidamente batemos com a mão no peito e chamemos 'Senhor! Senhor!', se essa saudação não for sincera.

Neste Salmo 100, do Rei David, está claro o que Deus quer de cada um de nós: cantar os dons e a justiça de Deus. Louvá-lo não tanto com as palavras, mas com o coração, apreciando constantemente as coisas boas com que diariamente nos rodeia. Olharmos com gratidão e pensarmos como foi bom o Senhor ter.nos permitido aquele raio de sol, aquele bocado de paisagem iluminada, que nos encheu de cor e beleza, aquele aroma bom de um pão quente, ou até de um perfume e que nos fez sentir tão bem. Ou um olhar gaiato de uma criança que nos fez esboçar um sorriso. Ou um 'bom-dia' ouvido com simpatia. Apreciar e valorizar cada pequeno momento desses que Deus nos deu e sentirmo-nos reconhecidos por essas pequenas coisas. Isso é louvar o Senhor, não com a boca, mas com o sentimento e o coração.
Mas por tão pouco? Louvar assim por tão pouco?
Pois é... Louvar assim por tão pouco.

Ando de moto, vai para quase quarenta anos. Já sofri os meus acidentes em centenas de milhares de quilómetros que já fiz em cima das 'duas rodas'. Ainda hoje o faço e tiro um prazer enorme de andar numa moto com o motor todo afinadinho. Uma vez, logo nos inícios, um dos meus irmãos, que também era moticiclista disse-me: 'É conduzindo devagar que nos habituamos, conhecemos a moto e treinamos as manobras, para no dia em que formos em velocidade, já fazermos automaticamente as operações e não nos atrapalharmos'.

Pois é. É tal e qual: louvar a Deus com gratidão por estas 'migalhas', estes pequenos sinais, para O entendermos e para nos habituarmos a ter um sentimento de gratidão e O melhor entendermos e com maior gratidão e apreço quando recebemos graças maiores.
Estas pequenas graças que nos rodeiam são como uma planta que vai crescendo, pouco a pouco, até se tornar numa frondosa árvore. São como o grão de mostrada da parábola de Jesus, que minúscula semente cresce até ser uma frondosa árvore, onde os pássaros buscam abrigo para o seus ninhos. É como uma espiral, em todo este processo: os louvores pelas coisas pequenas tornam-se o adubo para crescer a árvore da gratidão: quanto maior é a nossa gratidão para com Deus e maior é o desejo de estarmos com o nosso coração perto dele, maiores são as graças que d'Ele recebemos.

Que a Graça de Deus toque vossos corações.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Liberdade e responsabilidade


No meu trabalho tenho uma colega que é detestada por praticamente toda a gente, pela sua arrogância, má-educação, abuso de autoridade pelo lugar de chefia que ocupa. Recentemente ela viu-se envolvida num escândalo público que envolveu agressões verbais e físicas com outra pessoa e esse escândalo veio relatado ao pormenor num jornal da concorrência ao jornal onde ela e eu trabalhamos.
Nesse dia, o tema foi alvo de conversa em todo o edifício e essa mulher alvo de troça. Tenho de confessar que também procedi de igual modo. Até que, quando me sentei ao meu computador vi uma frase que eu escrevi, a lápis num espaço livre do teclado, quando para lá fui: 'Tudo me é permitido, nem tudo me é conveniente'. Uma frase do apostolo Paulo (I Cor. 10. 23).
Pois. Tudo me é permitido, até ter troçado da minha colega, fazendo coro com o resto do pessoal.
Mas ter-me-á sido conveniente? Aparte de satisfazer o meu ego, trouxe-me algum outro benefício?
Parco e efémero benefício este.
E o que perdi? Muito, porque me afastei do Senhor, me afastei da Misericórdia. Me afastei da prática do Amor para quem está passando pela ignomínia.
Não era preciso ir ter com essa colega e manifestar a minha compreensão. Talvez ela não entendesse esse gesto, nem eu estivesse ainda preparado para o fazer. Mas o ter-me abstido de também comentar, já teria sido suficiente.
'Também a língua é uma pequena parte do corpo, mas é capaz de grandes coisas. (...) Com ela bendizemos a Deus, nosso Pai, e com ela amaldiçoamos os homens que foram criados à imagem de Deus. Da mesma boca, saem palavras de benção e de maldição' (Tiago 3. 5 e 9-10).

Perdoa-me, pois, Senhor e irmãos meus, porque pequei, deixei a aridez entrar em meu coração e afastar a água fresca da Misericórdia, que devia dar a quem tem sede.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Diversos mas unidos


Cada irmão na Fé é chamado a desempenhar um papel, um testemunho. Há os que curam, há os que têm do dom da palavra, há os que, simplesmente oram no silêncio. Enfim, a cada um a sua tarefa. São manifestações dos dons espirituais, de que fala o apóstolo Paulo em I Coríntios, 12. Por isso, cada um tem a sua tarefa e nenhuma é mais ou menos importante do que as outras. Porque os dons são diferentes, mas o Espírito é o mesmo. (I Cor. 12. 4). A Deus nada é impossível e Ele realiza maravilhas e usam os que têmo o seu coração próximo d'Ele como o Seu instrumento.

Por isso, cada dom espiritual, mas também cada tarefa humana, que não contrarie o Espirito do Senhor, deve ser aceite e aceite de bom grado, porque Ele está sempre ao nosso lado. 'Quando virdes a multidão comprimir-se em torno deles [os falsos deuses], dizei nos vossos corações "É somente a Vós, Senhor, que devemos adorar". Porque o meu anjo está convosco e ele velará pelas vossas vidas' (Baruc 6. 5-6).

Nesta diversidade de tarefas e de dons, por detrás é o mesmo Senhor, o mesmo Deus que opera, nomeadamente através das promessas feitas por Seu filho, Jesus e da nossa Fé nelas e amor pelos seus ensinamentos.
'É Ele que dá a todos a força para agirem. Em cada um se manifestam os dons do Espírito para o bem comum' (I Cor. 12 6-7). Na realidade, se cada um é abençoado com um dom, o deve usar, não para seu próprio benefício, mas para benefício de todos. A partilha, do mesmo modo que Jesus partilhou o pão e o vinho na Última Ceia e disse: 'Façam isto em memória de mim' (Luc. 22. 19).

Lembremos ainda o que o próprio Jesus falou àcerca dos rendimentos dos dons, comparando-os à moeda de ouro que um homem antes de partir, entregou a cada um dos seus dez empregados e mandou fazer negócio com esse dinheiro até ele voltar. Passado um tempo, no regressso, ele pediu contas aos seus empregados e cada um foi dando conforme a sua habilidade e empenho: o mais diligente, de uma, entregou de volta dez moedas de ouro. O seguinte, entregou cinco, mas o terceiro, entregou apenas a mesma moeda que recebera, porque, por medo do rigor do senhor, apenas a guardara e não investira. O senhor o castigou, tirando-lhe a moeda e entregando ao que tinha dez, dizendo que ao que tem dá-lhe mais e ao que não tem, até o pouco se lhe tira. (Luc 19. 11-26).
Assim, temos a responsabilidade de fazer crescer estes dons, de os repartir, sem olhar o que damos, sem esperar nada de volta, dar em espírito de gratidão, porque grande e misericordiosa é a recompensa do Senhor a quem cuida do seu trabalho, tão grande e tão segura que nem precisamos de nos preocuparmos com ela.

'Mas é um só e o mesmo Espírito e que distribuí os dons a cada um, conforme lhe parece' (I Cor. 12. 11). Ou seja, estas 'moedas ' que nos são dadas para investirmos, vêm de uma mesma fonte e apenas o Espírito de Deus é que decide quem recebe moedas de ouro, de prata, ou de cobre, mas todos com a obrigação de as investirmos, com espírito de gratidão e sem inveja pelas moedas que os outos tenham recebido, até que sejamos chamados a prestar contas.

Mas por muitos e bons dons que tenhamos, há um maior que todos, e que a todos nos toca: o Amor. Porque todos os dons não são nada, se não forem partilhados com Amor e Amor é gratidão: 'Ainda que eu dê em esmolas tudo o que é meu; ainda que me deixe queimar vivo, se não tiver amor, isso de nada me serve' (I Cor. 13. 3).

A Paz e a Misericórdia de Deus em vossos corações