Cantarei a graça e a justiça,
a Vós, Senhor, entoarei salmos
Seguirei por caminhos rectos,
Oh Quando vireis a mim?
(Salm. 100. 1-2)
Louvemos ao Senhor, diz o salmista. Caramba! É preciso tanto louvor ao Senhor? É preciso bajulá-lo tanto?
Quantas vezes nos nossos momentos de desânimo, de tentação, não fazemos este tipo de perguntas?
Se Deus fosse um humano igual a nós, que com frequência nos deixamos ofuscar pelo nosso orgulho, possivelmente Ele apreciaria a nossa bajulação, mesmo que ela fosse apenas da boca para fora. "Não importa que falem bem ou mal de mim; o que importem é que falem"!
Mas não. Felizmente, Deus não é humano nem está corrompido pela vaidade humana e está muito além dessa necessidade de ter o seu ego alimentado.
Deus nem quer, conforme disse Jesus, que nós repetidamente batemos com a mão no peito e chamemos 'Senhor! Senhor!', se essa saudação não for sincera.
Neste Salmo 100, do Rei David, está claro o que Deus quer de cada um de nós: cantar os dons e a justiça de Deus. Louvá-lo não tanto com as palavras, mas com o coração, apreciando constantemente as coisas boas com que diariamente nos rodeia. Olharmos com gratidão e pensarmos como foi bom o Senhor ter.nos permitido aquele raio de sol, aquele bocado de paisagem iluminada, que nos encheu de cor e beleza, aquele aroma bom de um pão quente, ou até de um perfume e que nos fez sentir tão bem. Ou um olhar gaiato de uma criança que nos fez esboçar um sorriso. Ou um 'bom-dia' ouvido com simpatia. Apreciar e valorizar cada pequeno momento desses que Deus nos deu e sentirmo-nos reconhecidos por essas pequenas coisas. Isso é louvar o Senhor, não com a boca, mas com o sentimento e o coração.
Mas por tão pouco? Louvar assim por tão pouco?
Pois é... Louvar assim por tão pouco.
Ando de moto, vai para quase quarenta anos. Já sofri os meus acidentes em centenas de milhares de quilómetros que já fiz em cima das 'duas rodas'. Ainda hoje o faço e tiro um prazer enorme de andar numa moto com o motor todo afinadinho. Uma vez, logo nos inícios, um dos meus irmãos, que também era moticiclista disse-me: 'É conduzindo devagar que nos habituamos, conhecemos a moto e treinamos as manobras, para no dia em que formos em velocidade, já fazermos automaticamente as operações e não nos atrapalharmos'.
Pois é. É tal e qual: louvar a Deus com gratidão por estas 'migalhas', estes pequenos sinais, para O entendermos e para nos habituarmos a ter um sentimento de gratidão e O melhor entendermos e com maior gratidão e apreço quando recebemos graças maiores.
Estas pequenas graças que nos rodeiam são como uma planta que vai crescendo, pouco a pouco, até se tornar numa frondosa árvore. São como o grão de mostrada da parábola de Jesus, que minúscula semente cresce até ser uma frondosa árvore, onde os pássaros buscam abrigo para o seus ninhos. É como uma espiral, em todo este processo: os louvores pelas coisas pequenas tornam-se o adubo para crescer a árvore da gratidão: quanto maior é a nossa gratidão para com Deus e maior é o desejo de estarmos com o nosso coração perto dele, maiores são as graças que d'Ele recebemos.
Que a Graça de Deus toque vossos corações.

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