terça-feira, 13 de maio de 2008

À volta do pecado


Em Eclesiástico 49 1-9, é contado que o profeta Josias foi destinado por Deus para levar o povo à penitência. Porém, apenas ele, o profeta, David e Ezequias mantiveram-se no caminho de Deus, enquanto todos os reis de Judá se afastaram e pecaram, desprezando o temor de Deus. Como tal, sofreram as consequências: perderam os seus reinos e a sua glória. No entanto, não esteve perdido totalmente o reino de Judá já que apesar de ser maltratado "aquele que fora consagrado desde o ventre de sua mãe, para derrubar, destruir e arruinar", esse mesmo também foi consagrado "para depois reedificar e restaurar". E tal como então no Reino de Judá, também depois, com Jesus Cristo, se mantem a premissa da Salvação pela Fidelidade à sua Palavra.
Logo aqui podemos entender a importância de nos mantermos fiéis à Palavra de Deus, aos seus mandamentos. Afastarmo-nos de Deus é perdermos o estado de graça e, de certo modo, a sua ajuda.
Afastarmo-nos de Deus é entrar no pecado. Não no pecado apenas no sentido do crime e nos comportamentos mais escandalosos e imorais, mas sobretudo no sentido da imperfeição. E talvez o pecado mais comum que temos é, justamente, de dizermos que não temos pecados.
Com efeito, o apóstolo João, na sua primeira carta afirma "Se dissermos que não temos pecados, enganamo-nos a nós mesmos e não há verdade em nós. Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e purificar-nos de toda a iniquidade. Se dissermos que não pecamos fazemo-Lo mentiroso e a Sua palavra não está entre nós" (1Jo 1 8-10).
E o pecado são as nossas imperfeições, ou como diz Paulo "os que vivem segundo a carne desejam as coisas da carne; e os que vivem segundo o espírito, as coisas do espírito. Porque o desejo da carne é morte, ao passo que o desejo do espírito é vida e paz, visto que o desejo da carne é inimizade com Deus; não se sujeita à lei de Deus, pois não o pode fazer, e os que vivem segundo a carne não podem agradar a Deus. Vós, porém não viveis segundo a carne, mas segundo o espírito, se é que o espírito de Deus habita em vós". (Rom. 8 5-9).
Este confessar dos pecados é estarmos atentos não só à Palavra de Deus, mas também termos a capacidade e humildade de perante o Senhor, compararmos o quanto os nossos actos se afastaram da Sua Palavra. Pedirmos perdão e orar pra que Ele nos dê forças para vencermos esses pecados. Porque, quer queiramos, quer não, a tentação, fruto do demónio, está também dentro de nós, nas nossas resistências, nos nossos comodismos, nas nossas impaciências, nos nossos prazeres de vingança e, consequentemente falta de misericórdia, enfim, em tantas outras pequenas coisas.
No final mesmo do Evangelho de João, há uma passagem significativa: Pedro está com Jesus, na aparição do Senhor na Galileia, depois da Sua Ressurreição e atrás deles segue João. Pedro pergunta a Jesus: "Senhor, e deste que será?". Disse-lhe jesus" Se Eu quiser que ele fique até que eu venha, que tens tu com isso? Tu, segue-me" (Jo21 20-22).
Não temos pois que nos importar com a vida dos outros, com o seu futuro, com o destino que Deus lhe reserva, mas sim importarmos connosco mesmo, em seguirmos, nós, a Jesus. Importarmos com os outros sim, em actos de misericórdia, em os ajudar no caminho para Deus, em sermos os seus samaritanos, em os Amar. Mas, tendo a confiança de que Deus quer o nosso bem e na sua fidelidade e justeza de perdoar os pecados da humanidade, nos preocupemos verdadeiramente, não com o caminho do espírito dos outros - porque se Deus o quiser, eles se chegarão a nós para que os possamos auxiliar -, mas com os caminhos do nosso espírito em direcção à Paz que emana do Senhor.
Neste dia, que a Paz de Deus vos ilumine e acalme o coração.

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