domingo, 18 de maio de 2008

As abominações

(Guerras de Macabeus e os Sírios. Tapeçaria de autor desconhecido, Danish Church Art)

Seis são as coisas que o Senhor aborrece, e sete as que a sua alma abomina: olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, coração que maquina preversos projectos, pés presurosos para correr ao mal, testemunha falsa, que profere mentiras e o que semeia discórida entre os irmãos (Prov 6 16-19).

Quantas vezes no nosso dia-a-dia, não encontramos estas abominações? Perante nós e, muitas vezes dentro de nós. Há aquele momento de discussão, em que nossos olhos faíscam, há aquele momento que dizemos mal do outro, muitas vezes sem sabermos do que estamos a falar, ou porque ouvimos dizer ou porque nos dá gosto em ver por baixo aqueles de quem nós não gostamos ou por quem nos sentimos ofendidos.
E quantas vezes, deixemos o espírito do mal entrar em nossos corações só porque nos queremos vingar de uma ofensa, ou achamos interessante aquela 'negociata', sem olharmos quem sai mal dela, desde que não sejamos nós?
Há gente que testemunha falsamente e que diz mentiras, apenas porque tem medo, porque deixou entrar no seu coração o trabalho do demónio de difundir o medo, que não quer aceitar as responsabilidades dos nossos actos.
E que falar de, quantas vezes, pelo nosso orgulho, pela nossa ganância, da nossa inflexibilidade mundana, pelas nossas atitudes escandalosas, não somos os causadores da discórdia entre quem está ao nosso lado?
Mas e o derramar o sangue inocente? Eu nunca matei ninguém! Pois não. Mas quantas vezes fomos surdos ao irmão que sofre? E isso não será uma forma de derramar sangue inocente? Não o sangue no sentido real, mas o sangue do espírito, da necessidade de sentir um gesto de conforto que afinal não chega. Por vezes, até a necessidade tão simples de ver alguém sorrir. Um gesto tão pequeno e que pode encher de alegria e de esperança esse irmão que sofre.

São estes os pecados com que o demónio nos tenta, procura implantar em nossos corações, com todo o tipo de argumentos. E são, também, estes os passos mais rápidos para nos afastarmos do Senhor, para tornar nossa fé numa fachada, numa coisa abstracta, sem tradução prática no nosso modo de vida e nos torna apenas Cristãos de nome, mas não de actos e de pensamentos.

Para contrariarmos isso, temos de estar sempre vigilantes. Temos de tornar a oração ao Senhor para guiar nos nossos passos, encher os vazios do nosso espírito, uma constante, um hábito tão natural como respirar. E termos a fé de que o Senhor, misericordioso, não nos faltará. No segundo livro dos Macabeus, em que se narram as guerras entre o povo de Israel e os reis que ao seu redor blasfemaram contra Deus, há o episódio de Timóteo: mesmo depois de derrotado, juntou tropas estrangeiras e cavaleiros da Ásia para invadir a Judeia. Ao mesmo tempo, Macabeus e os seus companheiros, mostraram-se humildes perante Deus e oraram toda a noite da véspera da batalha pelo Seu auxílio. Ao romper da aurora, quando começaram os combates, o Senhor enviou dos céus cinco guerreiros, montados a cavalo, dois quais dois postaram-se a cada lado de Macabeus e o protegeram dos golpes dos inimigos, até à vitória do exército judeu (2ºMac 10 24-31).
Estes cinco cavaleiros enviados por Deus, pela fé e penitência do seu Povo, estão sempre prontos, também, para virem em nosso auxílio, nos combates contra o pecado e no nosso desejo de sermos amigos de Deus. Oremos, pois com piedade, pelo auxílio divino, para que nossos corações, tocados pela Sua misericórdia, sejam, também eles, misericordiosos com os nossos irmãos, todos aqueles que nos rodeia.

Paz e Alegria convosco