sexta-feira, 16 de maio de 2008

Basta um homem justo para haver perdão


No seu testemunho, o profeta Jeremias (Jer. 3 6) descreve o desvio de Israel e de Judá da aliança estabelecida com Deus. Compara os dois reinos a duas irmãs que, infiéis aos seus maridos, se prostituem no cimo das montanhas e sob as árvores - claras referências às práticas de adoração aos ídolos. Jeremias conta ainda que Deus, através de Jonas, clama para ambas se voltarem para Ele. Israel não se voltou, fez a sua escolha. Uma má escolha, mas honesta. Já Judá voltou-se para Deus, mas só fingidamente, uma vez que escondido, continua a reinar o mau espírito e escondida continuava a render-se aos ídolos.
No entanto, o Senhor mostra-se misericordioso e pede-lhes a conversão e o arrependimento dos pecados, embora, também seja dito, permita a punição de Israel e de Judá pela sua falta de piedade.
As duas irmãs que se prostituem continuam a existir nos dias de hoje: são todos aqueles que, tendo a oportunidade de conhecer a Palavra de Deus a rejeitam, não a querem nas suas vidas e preferem, ao prazer de Deus, o prazer mundano e da natureza da carne.
Mas esta 'irmã Judá' é aquela que Deus mais abomina, por causa da sua maldade e do seu fingimento: são todos aqueles que se afirmam seguidores de Deus, mas apenas de boca, porque no seu coração, verdadeiramente, seguem outros deuses: o poder, a arrogância, o orgulho, a ganância, a luxúria, enfim, tanta coisa que nos afasta do verdadeiro sentir da divindade de Deus. São aqueles que, como Jesus se refere, até podem estar na primeira fila do templo, batendo com a mão no peito mas, depois, passam na estrada junto ao homem mal-tratado e olham para o outro lado...
Deus abomina e condena esta falsidade mas, ainda assim, se houver verdadeiro arrependimento, mudança de vida, de atitude, mas uma mudança sincera, de coração aberto, Deus está disposto a perdoar.
Neste episódio das duas irmãs que se afastam dos caminhos de Deus, Jeremias, invocando o oráculo do Senhor - a promessa que de certeza cumpre, dá uma palavra de esperança (Jer.5 1): pois basta que em Jerusalém se encontre um homem, apenas um que seja, que pratique a justiça e seja fiel e Deus perdoará à cidade.
Este nosso mundo, estas nossas vidas, são a Jerusalém aos olhos de Deus e o homem justo foi Jesus, pelo qual os nossos pecados são perdoados. Deus evita-nos uma condenação sem hipótese, porque Jesus é o homem justo. Mas exige o nosso compromisso com o arrependimento e a nossa vontade em nos aproximar d'Ele, de nos entregar a Ele. Talvez não possamos ser iguais a Cristo, na medida que a sua pureza é inagualável. Mas, se tal como Jesus no Jardim das Oliveiras, em que teme o seu destino, clama ao Pai que afaste de Si o cálice que está para vir, mas aceita que seja feita a vontade do Pai e não a sua, aprendermos a aceitar a Vontade de Deus, já é um passo na direcção certa.
O apóstolo Pedro, na sua primeira carta afirma: "Tomai, irmãos, como modelos de sofrimento e de paciência os profetas que falaram em nome do Senhor. Vede: nós temos por bem-aventurados aqueles que sofreram. Ouvistes falar da paciência de Job e vistes o fim que o Senhor lhe deu, porque o senhor é misericordioso e compassivo!
E neste caminho da paciência e da vontade de sermos amigos de Deus, não esquêçamos o que o Pedro também nos diz: "A oração ferverosa do justo tem muito poder".
Pois que a oração cheia de fé seja parte do nosso quotidiano. Porque Deus nos responde sempre, mesmo que na altura não vejamos essa resposta. Mas ela está lá, porque Deus é misericordioso e escolhe o melhor para nós.


Paz e misericórdia entre todos vós.