quarta-feira, 25 de junho de 2008

Abandonar a Deus


Rembrant, 1606-1669. O Regresso do Filho Pródigo - 1669

'Quando abandonardes o Senhor, para servir a outros deuses, Ele voltar-se-á contra vós e far-vos-á mal e consumir-vos-á, depois de ter feito o bem' ( Jos. 24. 20).

Quase no final do Livro de Josué, ele escreve este diálogo com o Povo de Israel, recomendando fidelidade a Deus.
Ele fala do castigo de Deus se, depois de O aceitarmos na nossa vida, escolhemos abandoná-l'O. Parece ser uma contradição à ideia de um Deus misericordioso, disposto a perdoar os nossos pecados. Mas não é.
É um facto que não somos perfeitos e muitas vezes caímos e entramos por maus caminhos. Faz parte da fraqueza da natureza humana. Muitas vezes fazemos actos de pecado por influência do demónio e são actos de momento, quase sem pensar: é aquele momento que dizemos uma pequena mentira porque temos medo, em que negamos a aceitar a verdade sobre nós mesmos, em que damos largas à bisbilhotice e escárnio sobre os outros, em que aproveitamos a distracção do outro para levarmos a nossa avante à sua custa, à custa do seu prejuízo. Mas esses são os pecados em que - dando-nos conta de que errámos, nos arrependemos sinceramente, procuramos reparar o mal feito, assumindo as consequências dos nossos actos mal-pensados e procurando não os repetir - Deus nos dá a benção da misericórdia do Seu perdão.
Devido a tantas coisas que o demónio põe nos nossos caminhos, podemos afastarmo-nos de Deus, mas no entanto, no mais profundo da nossa alma deixamos Ele estar presente. Até isso Deus nos perdoa, quando decidimos voltar, como na parábola do filho pródigo (Lucas 15. 11-32).
Mas já muito diferente, é trairmos a Deus, conscientemente abandonarmos os Seus caminhos, deixar de O amar, escolher outros 'deuses' a quem voltamos a nossa atenção. É pormos Deus de lado, como se ele não existisse mais. É negá-l'O. Não só nas palavras, mas no nossos actos e, sobretudo e ligado às palavras e aos actos, no nosso espírito.
É quando nos rendemos ao mundo: é a 'loucura' pelo futebol ou qualquer outra actividade mundana, o centrarmos no dinheiro e no seu ganho todos os objectivos da nossa vida, deixando de tomar qualquer limite ético para o obtermos. Ou tornarmos o sexo a única razão da nossa vida e das nossas relações, sem nos importarmos com os sentimentos. E blasfemar e maldizermos a Ele. Aí, se lhe voltamos as costas e O desprezamos, porque havemos de esperar continuar a receber as Suas bençãos?

terça-feira, 24 de junho de 2008

O erro da riqueza material


Hieronymus Bosch (c. 1450-1516). A Morte e o Avarento (c. 1490).
Óleo na madeira (93 x 31 cm) - National Gallery of Art, Washington

A vida não é fácil. Todos os dias somos confrontados com desafios de uma e outra ordem. Numa sociedade onde, praticamente, tudo é mediado pelo dinheiro, e onde as necessidades são sempre maiores que os recursos, a questão financeira, é uma fonte de preocupações e absorve grande parte dos nossos esforços e dos nossos pensamentos. Muitas vezes, apenas por uma questão de sobrevivência.
Quando na Igreja ouvimos falar na abundância de Deus para com os Seus filhos, muitas vezes somos tentados a confundir as coisas. Na realidade, Deus não tem nenhum saco de dinheiro que derrame sobre quem acredite n'Ele e viva com fé e piedade.
A abundância de Deus é uma abundância espiritual. Os Seus dons, são dons do espírito. Os dons da misericórdia, da tranquilidade, da Paz e da Força interiores, por exemplo. Jesus Cristo falou-nos num viver sem cuidado com os bens materiais, porque tudo nos chegará jà justa medida do que necessitamos. Mesmo, Ele disse para darmos a César o que era de César e darmos a Deus o que é de Deus. Como vai, então, Deus, dar-nos o que é de César? Jesus, ainda, quando interrogado por Pilatos e por Herodes, apenas disse que o Seu Reino não era deste mundo.
O que Deus, por meio de Jesus, nos fala é da riqueza espiritual. E sendo-se espiritualmente rico, tem-se o resto por 'acréscimo'. Porque seremos mais sensatos, mais generosos. E com uma alma generosa, a mais pequena migalha é uma fortuna, enquanto que com uma alma avarenta, nem a maior fortuna do mundo é suficiente. Porque teremos uma outra visão para com o que nos rodeia: a visão da gratidão, que valoriza as pequenas coisas e nos torna felizes por as podermos usufruir.
Ser pobre, como Jesus Falou, é dever largar todos os bens que temos? Não. Mas é saber partilhá-lhos de alma alegre quando a tal formos solicitados, na certeza que Deus também não nos desampara. Se temos, por qualquer razão muitos bens, mais do que o comum das pessoas e mais do que necessitamos, os devemos conservar, num espírito de justiça: se por um lado cuidando deles, pelo outro sermos desprendidos em relação a eles. Se por um lado fazermos com que eles cresçam, pelo outro, partilhá-los na misericórida e como instrumentos do Bem. Mas sobretudo, este sermos pobres é fecharmos a porta ao orgulho, à arrogância, apenas porque temos mais bens materiais que os outros. Do mesmo modo, que fecharmos a porta à inveja e à ganância, se temos menos bens que os outros. Em ambos os casos, entregarmos nas mãos de Deus as nossas vidas, para que Ele nos ajude a termos um equilíbrio que nos faça verdadeiramente sentir felizes.
'Dou continuamente graças a Deus a vosso respeito, por causa dos dons que ele vos concedeu, por meio de Jesus Cristo. Pela união com Ele, tornaram-se ricos em tudo: na aceitação total da Palavra de Deus e no conhecimento perfeito da mesma. Uma vez que a mensagem de Cristo está arreigada em vocês, já nenhum dom vos faltará, enquanto esperarem a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo'. (I Coríntios, 1, 4-7) .

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Clamando da dor

(William Blake- Londres 1757-1827. O demónio espalha a lepra sobre Job)

Job tinha tudo quanto era de bom e o demónio, para o tentar, ver se ele maldizia a Deus, por ser justo e temente ao Senhor, tudo lhe retirou: as riquezas, a família, a saúde.
O terceiro capítulo do Livro de Job conta as suas lamentações. São 26 versículos que mostram todo o sofrimento de um homem. Ele tem dores, dores de sentimento pela morte dos filhos, da sua família, dores físicas da lepra que o atinge. Vê a degradação: vive agora na maior das misérias e vê o seu corpo apodrecer. Ele é um homem profundamente deprimido. E deixa-se levar por essa depressão num queixume. Maldiz a hora em que nasceu, considerando que era preferível nem ter sido concebido ou ter morrido logo à nascença. No seu desespêro, chega a amaldiçoar o últero que o gerou e o peito que o amamentou.
Grita que se estivesse morto, estaria melhor, porque estaria descansando.
Quantas vezes, este discurso não toma posse de nós, quando nos enfrentamos com as dificuldades que no momento nos parecem impossíveis de ser resolvidas?
Quantas vezes não somos tomados por este sentimento de desalento, este desejo de tudo abandonar e deixar que a morte nos tome?
Job não invectiva Deus, não se rebela contra Ele. Apenas questiona-se sem entender. E nós? Para os ateus, nem é preciso rebelião contra Deus, porque não acreditam n'Ele. A rebelião já é permanente. Mas nós que nos intitulamos cristãos, quantas vezes não nos revoltamos e culpamos Deus pelo que nos sucede? Mas, a verdade é que, na maioria das vezes, o que nos acontece de mal é apenas fruto do homem e da sua maldade, instigado pelo demónio.
Apenas na doença e, mesmo assim, nem em todos os casos, é que o sofrimento não é causado directamente pelo ser humano. Mas mesmo na doença, muitas vezes, ela resulta da forma como ao longo da vida maltratamos ou nos maltratam o nosso corpo, esquecidos que ele também é um dom de Deus: são os excessos de comida e de bebida, as dietas erradas, os excessos de trabalho, de stress, o fumo, a promiscuidade, enfim, um sem-número de atitudes erradas e pelas quais mais cedo ou mais tarde o corpo pagará. E como o corpo, também, muitas vezes o espírito e a mente.
No que nos ultrapassa, é onde devemos ter a humildade de aceitar e de transformar esse sofrimento em algo de positivo, na sua oferta pela expiação dos pecados, nossos ou, num gesto de amor maior, dos outros. Tal como Cristo, que aceitou morrer na cruz pela nossa salvação.
Voltemos a Jod: ele é o exemplo do homem sofredor, mas que, embora lamente a sua sorte, não levanta a voz contra Deus, nem o culpa de nada.
Ele é o exemplo de como quem tem um coração em justiça, pureza e preserverança em Deus, leva a melhor às tentações e traições do demónio.
Um exemplo com milhares de anos, mas vivamente actual nos dias de hoje.

Que Job seja um exemplo do nosso amor incondicional a Deus, por muito más que sejam as nossas condições. De paciência para com as adversidades e confiança em Deus e no Seu poder, que concorre para o nosso bem.

Amor de Deus nos vossos corações

terça-feira, 17 de junho de 2008

Tempo para trabalhar, tempo para orar - II


(Johannes Vermeer - Cristo em casa de Marta e Maria. 1654/55)

Enquanto Cristo e os discípulos, estão em casa de Marta e Maria, irmãs de Lázaro, Marta está ocupada com os afazeres da casa; escolhera assumir a tarefa de bem receber fisicamente a Jesus e os discípulos. Mas, no seu íntimo, embora animada no início de boa-vontade, ela vai deixando a revolta tomar conta dela. É uma tentação que está sofrendo. E que deixa crescer. Na realidade, ela está a perder a alegria do que está fazendo. Olha para a sua irmã e sente-se injustiçada. Reclama e Jesus, de certo modo, repreende-a. Porque Marta, ao concentrar-se, preocupar-se demasiado com as coisas acessórias, está perdendo a melhor parte: tanto perde a oportunidade de ouvir a prestar atenção na Palavra da Vida, como perde a alegria de fazer as tarefas com gratidão e generosidade.
Encararmos o nosso trabalho com generosidade e com alegria é também uma forma de orarmos, de mostrar que estamos gratos a Deus por ter esse trabalho, por muito humilde que seja. Estarmos gratos por Ele nos permitir ter um sustento e, também por, através dele, podermos ter a oportunidade de sermos exemplos vivos da Mensagem de Cristo.
Aceitar o trabalho é aceitar a Deus e o que Ele nos dá. Porque se esse trabalho está nas nossas mãos, é porque é essa a Sua Vontade e é ali que devemos dar o testemunho. Mas também precisamos de entender a revelação de que em que sentido Deus quer que dêemos esse testemunho.
No entanto, aceitarmos com humildade e alegria o trabalho que temos, não significa estagnarmos e não tentarmos progredir. Não. Significa, isso sim, é entregarmo-nos devotadamente à nossa tarefa, mas sem descartar a procura de melhores condições de vida e de sustento. Mas que essa procura seja na benção de Deus, sem prejudicar ninguém. Sem atropelos, sem prejudicar os outros, criando-lhes ciladas, usando ardilosidades, por isso é alegrar o inimigo de Deus.

Paz e tranquilidade de Deus em vossos corações

Tempo para trabalhar, tempo para orar - I


(Gerrit van Honthorst - Infância de Cristo - 1620)

Há uma passagem do Evangelho de Lucas que nos traz perante um problema, muito actual hoje: "Não tenho tempo. Tenho tanto que fazer, que não tenho tempo para ir à Igreja, para orar, para ler a Bíblia"... Enfim, um sem-número de coisas que são deixadas pra trás. Essa passagem é sobre a visita de Jesus a casa de Marta e Maria, irmãs de Lázaro.
Marta está atarefada com as lides da casa para receber Jesus e os discípulos. Ela cozinha, ela buscar a melhor toalha, ela vai buscar os pratos. Vai na cozinha ver a comida que está ao lume. Verifica se os temperos estão no ponto. Anda num rodopio.
Enquanto isso, sua irmã, Maria, fica apenas junto de Cristo, ouvindo-o. Como se nada mais aeixtisse no mundo. Marta fica revoltada: sobre ela está recaindo o trabalho todo e a irmã não a ajuda. Protesta, diz a Jesus que repreenda Maria e a mande ir ajudar nas lides. Mas Jesus responde que, das duas irmãs, Maria é a que fica com a melhor parte (Lucas 10 38.42)
Está Jesus promovendo o desleixo, o egoísmo do deixa andar para os outros as tarefas desagradáveis, que eu estou aqui muito bem nas minhas orações? Não. O que Jesus quis dizer é que há um tempo para tudo e, também, que o trabalho deve ser aceite com gratidão e não com a revolta.
Ser cristão toma demasiado tempo? Não, de maneira nenhuma. Certamente que há que se investir no conhecimento da Palavra de Deus. É como o semear, para depois colher, sendo que a colheita é maior que a sementeira.
Na realidade o Cristianismo é básico e tenho ultimamente falado muito desse ponto: Amar a Deus acima de tudo e Amar o próximo como a nós mesmos. Depois, é tudo uma questão de atitutde e, essa, não ocupa tempo. O primeiro passo está dado: eu quero aceitar Cristo na minha vida. Então, tenho de agir em conformidade. É uma mudança de atitude, o abraçar do 'homem' novo de que fala o apóstolo Paulo. Esta vontade de ser amigo de Deus, pela aceitação de Cristo como modelo de vida, é abrir a mente à confiança em Deus, no Seu Poder, na Sua Misericórdia e que tudo isso concorre para o nosso bem, porque já demos aquele primeiro passo de aceitação e abrimos nosso coração para recebermos o Espírito Santo.
Deus fala-nos constantemente pelo Espírito. Não é no sentido de ouvirmos vozes, mas no sentido de termos 'revelações' pelos actos, palavras, acontecimentos, que de certo modo respondem às nossas necessidades espirituais e não só. Mas o local por excelência para encontrarmos a Palavra de Deus dirigida às nossas pessoas é na Sagrada Escritura, o Velho e Novo Testamento, nas cartas inspiradas de Paulo às diversas igrejas, nos Actos dos Apóstolos, na visão do Apocalipse de João.
Pessoalmente, tomei o hábito de orar brevemente a Deus para que Ele, através do Espírito Santo, guie a minha mão e abro a Bíblia 'ao calhas'. E ler com atenção o que me é dado a ler. Num dado momento, está ali, perante os meus olhos e o meu entendimento a frase, a ideia que me dá a resposta pela qual a minha alma anseia. É isto a revelação de Deus através do Espírito Santo. Mas outras formas há, segundo o entendimento de cada um, porque Deus é imenso.
Na realidade, neste pequeno/grande passo diário, que não demora mais de cinco minutos, que recebo a semente espiritual. Depois, é esta frase que me guia, nos meus pensamentos, quando a minha mente está 'ociosa' do trabalho. Concentro-me no meu trabalho, com certeza, e ele é-me muito absorvente. Mas há sempre aqueles momentos de ir tomar um café, de ir beber uma água, de ir a outro departamento, normalmente noutro andar. E são nesses momentos ao longo da jornada de trabalho que, em vez de pensar em coisas fúteis e na vida dos outros, penso naquilo que li na manhã, 'converso' um pouco com Deus, isto é, oro a Ele.
Lembremo-nos ainda que Cristo, até aos 30 anos, trabalhou na carpintaria de José, seu pai adoptivo. E não foi por isso, pela execução do trabalho, que se afastou de Deus-Pai. Também aqui Ele nos é exemplo de vida.

Tempo de Deus em vossos corações

domingo, 15 de junho de 2008

A Sabedoria não se manifesta a grande número

(O Semeador - Theo van Gogh, Arles, 1888)


'Vai ao encontro da sabedoria como aquele que lavra e semeia,
e espera pacientemente os seus bons frutos.
Custar-te-á um pouco de trabalho a sua cultura,
mas em breve, comerás dos seus frutos'
(Ecli.6 19-20)

A sabedoria que emana de Deus está ligada à paciência e ao trabalho em a obter. Ir ao encontro desta sabedoria é, por um lado, o trabalho de ler a Palavra, de meditar sobre ela, porque é semente que dá fruto em campo que esteja regado e adubado (Mateus 13. 3-9). O pensar sobre a Palavra e aceitá-la é o adubo e a rega da terra que faz a semente frutificar e crescer cada dia mais forte. Ir ao encontro desta sabedoria é, pelo outro lado, cultivar a paciência e paciência significa confiança, fé. Confiança de que se cumprirá o que Deus prometeu através de Seu filho. Mas também paciência para escutar a Sua voz em nossos corações. Calar as vozes mundanas e criar o silêncio espiritual, no qual se ouvirá a voz de Deus e se entenderão os sinais que Ele nos envia, para o nosso bem, para sabermos e termos forças de seguirmos o caminho que conduz ao Bem.
Cultivar, no sentido literal da palavra, é um trabalho lindo mas árduo: a terra tem de ser preparada até ficar fôfa e em condições de receber a semente. A semente é posta e coberta de terra, mas na sua justa medida: nem demais que fique atrofiada, nem demenos que o vento ou os pássaros a levem. E depois tem de ser regada, na quantidade justa também, para não apodrecer por excesso de água ou secar por falta dela.
Assim também devemos cuidar da nossa vida Cristã. Preparar a terra é predispormos a aceitar a Palavra, a aceitar o compromisso da vida em Cristo. E aceitar compromissos não é fácil. Temos de lutar tantas vezes contra o nosso comodismo e a nossa razão mundana, na verdade assente nesse comodismo. A Palavra está ao nosso alcance, todavia, e essa é a parte mais fácil: basta a ler ou a escutar. Cobrir a semente de um pouco de terra, é o pensarmos sobre essa Palavra, o que a mensagem de Cristo significa para cada um de nós, junto de nossos corações e a forma como a aceitamos e a praticamos com verdade e sinceridade. Regar a jovem plantação é a oração, a sós ou em comunidade, o adubar as jovens plantas é o estudo da Palavra de Deus, de forma que a compreendendo melhor, mais se desenvolva em nossos corações. E os frutos são as graças que Deus nos dá, porque cuidamos da Sua semente.
Nesta passagem do Eclesiástico, é afirmado que, no entanto, o ignorante foge da sabedoria porque ela é um pesado fardo para ele. É o caso daqueles que podem aceder à graça de Deus e somos todos - mas a quem falta a vontade de a aceitar. A insensatez mundana é-lhe muito mais agradável. Tem os seus frutos no imediato: mas ou são frutos verdes e ácidos ou frutos podres que fazem adoecer. Ou, ainda, frutos estéreis, até de bonitas cores, mas sem sabor e sem futuro, que apenas conduzem ao vazio. Ao vazio do coração, ao vazio do espírito. E nada é mais terrível, mais insuportável que este vazio sem sentido e sem ser enchido pelo Espírito Santo.
Saibamos e procuremos, pois, acolher a Sabedoria, 'porque a sabedoria que instruí é fiel ao seu nome, não se manifesta a um grande número, mas, naqueles que a conhecem, permanece até à presença de Deus' (Ecli 6. 23).

Paz em vossos corações abertos à Sabedoria de Deus

sábado, 14 de junho de 2008

Na escolha do caminho



(Banquete e orgia romanos, na visão de C. De Mille, no filme O Senhor da Cruz (1932)

'O Senhor olha atentamente para os caminhos do homem
e observa todos os seus passos.
O ímpio é presa das suas próprias iniquidades,
é ligado com as cadeias dos seus pecados.
Perecerá porque não recebeu a correcção
e perder-se-á pelo excesso da sua loucura'
(Prov. 5. 21-23)

Uma ameaça? Deus faz uma ameaça? Não, Deus apenas nos avisa que os nossos actos terão a sua consequência. Se agirmos correctamente dentro da ética, os nossos actos, qual uma árvore, darão bons resultados. Porém, se agirmos no mal, também a maldade dos nossos actos recairá sobre nós mesmos. No entanto, somos livres de escolher.
O Cristianismo é um estilo de vida. Desafiador. Comprometedor. Obedece a regras, na realidade apenas duas e tão intensas que cobrem tudo: Amar a Deus e Amar os outros, à luz da vontade divina transmitida por Jesus Cristo.
Como cristãos emprenhados devemos evitar a iniquidade. Não podemos evitar as tentações. Elas são os desafios que põem à prova a nossa coerência. Não é a tentação que é pecado. É o ceder a ela. Mas é possível uma pessoa opor-se à tentação? Claro que sim. Não é fácil de modo algum. Por isso que devemos orar a Deus e contar com a Sua ajuda, para que o Espírito ocupe os vazios da nossa alma que estão sujeitos à tentação. De certo modo, é essa a correcção de que fala o provérbio: a força de entender o que está mal, e a força maior do arrependimento, de fechar as portas à tentativa do demónio em corrompermo-nos e, deste modo, destuir a Obra de Deus.
Termos a consciência viva e lúcida e termos a coragem de entendermos, quando estamos a trilhar o caminho errado, que temos de mudar o nosso itinerário. Mudando, não só de atitude, mas também pela humildade de reconhecer que nada somos, que precisamos de Deus e da Sua Palavra como o pão de cada dia. Mudando pela humildade de pedirmos o perdão. E nessa humildade, seremos exaltados perante Deus. Porque se o nosso arrependimento for sincero, ainda que tenhamos de sofrer consequências pelos nossos actos, Deus nos dará o benefício da Sua Misericórdia e com esse benefício as forças suficientes para passarmos à frente, sendo apagadas as nossas faltas, aos Seus olhos. É o milagre da Redenção, do qual não devemos temer. É a oportunidade, em cada dia renovada, de renascermos como um Homem Novo, de que fala o apostolo Paulo. Por isso que Cristo veio entre nós e nos ensinou apenas uma oração: de glória a Deus-Pai, de cumprimento da Sua vontade, de confiança total no Seu auxílio, de perdão de nós para com os que nos ofenderam e de pedido que nos evitar da Tentação e do Mal.

A Paz de Deus em vossos corações