Job tinha tudo quanto era de bom e o demónio, para o tentar, ver se ele maldizia a Deus, por ser justo e temente ao Senhor, tudo lhe retirou: as riquezas, a família, a saúde.
O terceiro capítulo do Livro de Job conta as suas lamentações. São 26 versículos que mostram todo o sofrimento de um homem. Ele tem dores, dores de sentimento pela morte dos filhos, da sua família, dores físicas da lepra que o atinge. Vê a degradação: vive agora na maior das misérias e vê o seu corpo apodrecer. Ele é um homem profundamente deprimido. E deixa-se levar por essa depressão num queixume. Maldiz a hora em que nasceu, considerando que era preferível nem ter sido concebido ou ter morrido logo à nascença. No seu desespêro, chega a amaldiçoar o últero que o gerou e o peito que o amamentou.
Grita que se estivesse morto, estaria melhor, porque estaria descansando.
Quantas vezes, este discurso não toma posse de nós, quando nos enfrentamos com as dificuldades que no momento nos parecem impossíveis de ser resolvidas?
Quantas vezes não somos tomados por este sentimento de desalento, este desejo de tudo abandonar e deixar que a morte nos tome?
Job não invectiva Deus, não se rebela contra Ele. Apenas questiona-se sem entender. E nós? Para os ateus, nem é preciso rebelião contra Deus, porque não acreditam n'Ele. A rebelião já é permanente. Mas nós que nos intitulamos cristãos, quantas vezes não nos revoltamos e culpamos Deus pelo que nos sucede? Mas, a verdade é que, na maioria das vezes, o que nos acontece de mal é apenas fruto do homem e da sua maldade, instigado pelo demónio.
Apenas na doença e, mesmo assim, nem em todos os casos, é que o sofrimento não é causado directamente pelo ser humano. Mas mesmo na doença, muitas vezes, ela resulta da forma como ao longo da vida maltratamos ou nos maltratam o nosso corpo, esquecidos que ele também é um dom de Deus: são os excessos de comida e de bebida, as dietas erradas, os excessos de trabalho, de stress, o fumo, a promiscuidade, enfim, um sem-número de atitudes erradas e pelas quais mais cedo ou mais tarde o corpo pagará. E como o corpo, também, muitas vezes o espírito e a mente.
No que nos ultrapassa, é onde devemos ter a humildade de aceitar e de transformar esse sofrimento em algo de positivo, na sua oferta pela expiação dos pecados, nossos ou, num gesto de amor maior, dos outros. Tal como Cristo, que aceitou morrer na cruz pela nossa salvação.
Voltemos a Jod: ele é o exemplo do homem sofredor, mas que, embora lamente a sua sorte, não levanta a voz contra Deus, nem o culpa de nada.
Ele é o exemplo de como quem tem um coração em justiça, pureza e preserverança em Deus, leva a melhor às tentações e traições do demónio.
Um exemplo com milhares de anos, mas vivamente actual nos dias de hoje.
Que Job seja um exemplo do nosso amor incondicional a Deus, por muito más que sejam as nossas condições. De paciência para com as adversidades e confiança em Deus e no Seu poder, que concorre para o nosso bem.
Amor de Deus nos vossos corações
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)


Sem comentários:
Enviar um comentário