terça-feira, 24 de junho de 2008

O erro da riqueza material


Hieronymus Bosch (c. 1450-1516). A Morte e o Avarento (c. 1490).
Óleo na madeira (93 x 31 cm) - National Gallery of Art, Washington

A vida não é fácil. Todos os dias somos confrontados com desafios de uma e outra ordem. Numa sociedade onde, praticamente, tudo é mediado pelo dinheiro, e onde as necessidades são sempre maiores que os recursos, a questão financeira, é uma fonte de preocupações e absorve grande parte dos nossos esforços e dos nossos pensamentos. Muitas vezes, apenas por uma questão de sobrevivência.
Quando na Igreja ouvimos falar na abundância de Deus para com os Seus filhos, muitas vezes somos tentados a confundir as coisas. Na realidade, Deus não tem nenhum saco de dinheiro que derrame sobre quem acredite n'Ele e viva com fé e piedade.
A abundância de Deus é uma abundância espiritual. Os Seus dons, são dons do espírito. Os dons da misericórdia, da tranquilidade, da Paz e da Força interiores, por exemplo. Jesus Cristo falou-nos num viver sem cuidado com os bens materiais, porque tudo nos chegará jà justa medida do que necessitamos. Mesmo, Ele disse para darmos a César o que era de César e darmos a Deus o que é de Deus. Como vai, então, Deus, dar-nos o que é de César? Jesus, ainda, quando interrogado por Pilatos e por Herodes, apenas disse que o Seu Reino não era deste mundo.
O que Deus, por meio de Jesus, nos fala é da riqueza espiritual. E sendo-se espiritualmente rico, tem-se o resto por 'acréscimo'. Porque seremos mais sensatos, mais generosos. E com uma alma generosa, a mais pequena migalha é uma fortuna, enquanto que com uma alma avarenta, nem a maior fortuna do mundo é suficiente. Porque teremos uma outra visão para com o que nos rodeia: a visão da gratidão, que valoriza as pequenas coisas e nos torna felizes por as podermos usufruir.
Ser pobre, como Jesus Falou, é dever largar todos os bens que temos? Não. Mas é saber partilhá-lhos de alma alegre quando a tal formos solicitados, na certeza que Deus também não nos desampara. Se temos, por qualquer razão muitos bens, mais do que o comum das pessoas e mais do que necessitamos, os devemos conservar, num espírito de justiça: se por um lado cuidando deles, pelo outro sermos desprendidos em relação a eles. Se por um lado fazermos com que eles cresçam, pelo outro, partilhá-los na misericórida e como instrumentos do Bem. Mas sobretudo, este sermos pobres é fecharmos a porta ao orgulho, à arrogância, apenas porque temos mais bens materiais que os outros. Do mesmo modo, que fecharmos a porta à inveja e à ganância, se temos menos bens que os outros. Em ambos os casos, entregarmos nas mãos de Deus as nossas vidas, para que Ele nos ajude a termos um equilíbrio que nos faça verdadeiramente sentir felizes.
'Dou continuamente graças a Deus a vosso respeito, por causa dos dons que ele vos concedeu, por meio de Jesus Cristo. Pela união com Ele, tornaram-se ricos em tudo: na aceitação total da Palavra de Deus e no conhecimento perfeito da mesma. Uma vez que a mensagem de Cristo está arreigada em vocês, já nenhum dom vos faltará, enquanto esperarem a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo'. (I Coríntios, 1, 4-7) .

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